INVERNO - DIÁRIO DE FILMAGEM Giba Assis Brasil, 1982 *** INTRODUÇÃO [abertura do caderno 11, junho de 1982] Sete anos, dez cadernos, quarenta e nove Nãos e mil e quatrocentas páginas depois, começando (quase) tudo de novo. Muita responsabilidade pro meu gosto. Talvez não seja isso o que eu sei fazer - é o que eu penso cada vez que descubro, espantado, a dificuldade em sequer imaginar como é que as coisas vão ser feitas. (1) O livro de contos do Carlos, para o qual eu me propus a revisar e comentar quase quarenta contos e, depois de seis meses, só devolvi quatro. (2) O filme do Carlos, "Inverno", que na verdade depende mais dele, pelo menos nessa parte de roteiro, mas pro qual as escolhas de atores, locações, obtenção de grana e pré-produção tavam parcialmente na minha mão, e até agora só o que eu fiz foi contatar gente demais pra equipe. (3) O filme da Bábi, que provavelmente vai requerer um esforço menor, mas que parece se ampliar cada vez que eu falo com ela, e eu ainda nem sei direito quais vão ser as minhas funções no lance. (4) O Cio da Terra, provavelmente o que te me dado mais dor de cabeça ultimamente, espero que a reunião de terça-feira que vem dê pra decidir alguma coisa. (5) Relacionado a isso, o filme "Cio da Terra", pro qual não é preciso muito esforço por enquanto, mas seria legal definir duma vez o pedido de rolinhos pra Kodak e a equipe de produção. (6) Também relacionado a isso, se bem que num nível mais distante, o projeto Oficina de Cinema, que eu me propus a fazer há quase dois meses, e que mal e mal chegou ao papel. E talvez possa ser, de todos os lances, o que tenha resultados mais significativos. (7) O longa em VT a ser feito com o pessoal do Quizumba, do qual praticamente nada foi definido ainda, mas no qual parece que a minha participação vai ser mais importante do que seria do meu gosto. (8) Agora, o filme da CRN, provavelmente um projeto grande no qual deve entrar a Seqüência, mas não dá pra esquecer que o Roberto tá confiando bastante em mim pra fazer isso. (9) Também agora, as historinhas pro Quizumba, sendo que o mais difícil disso aí é a relação com o grupo Vende-se Sonhos, e eu não sei se eu tenho segurança suficiente pra fazer isso. *** [A partir daqui, já no caderno específico "Inverno - diário de filmagem"] *** 15/06 ter 23:00 Reunião de planejamento no Carlos. Só eu e o Carlos. Ele ainda não escreveu o que tinha que escrever. Ele acha que a prioridade é encontrar a Mariana. Eu acho que é acabar o roteiro. *** 18/06 sex 13:00 Teste com Magda (possível Mariana) no Carlos. Carlos, Werner, Magda. Eu não fui. Eles aprovaram. *** 28/06 seg 20:00 Reunião de planejamento no Carlos. Só eu e o Carlos. Li a primeira parte do roteiro (as 14 páginas que ele já escreveu). Emocionante. Teste não valeu, mas é a Magda. *** 03/07 sab 24:00 Reunião de pré-produção no Carlos. Eu, Carlos, Werner, Martinha. Luciana não pintou. Rendeu bastante. Definimos tarefas (a mais urgente é terminar o roteiro), locações a serem escolhidas, sugestões para elenco, equipe, idéias para uso de equipamento. *** 10/07 sab 10:00 Reunião de pré-produção na Cabral. Eu, Carlos, Werner, Martinha, Roberto. Luciana não pintou de novo. Vimos quais as tarefas que já estavam cumpridas (entre as listadas na reunião anterior), revisamos locações, elenco, equipamento. Marcamos ensaios. Equipe praticamente fechada: Carlos (roteiro, direção, fotos de cena), eu (assistente de direção e produção, operador de som guia), Roberto (fotografia), Martinha e Luciana (cenografia e figurinos). Carlos ficou de falar com o Foguinho pra ele ser produtor executivo. Não tem iluminador. Alex deve ficar como uma espécie de conselheiro. Do elenco, o Carlos já falou diretamente com o Werner (Herói), Magda (Mariana), Martinha (Lúcia) e Luciana (Isabel). Falou por cima com o Marco (Milton) e com a Cleide (Cláudia), que não gostou muito. Werner falou com o Grübber (Júlio), Grupo Daprasê (amigos da Mariana), Foguinho (Torto), Sérgio Horst (Léo) e Cleomar (quintanista de Medicina). Eu falei com a Xala (empregada) e Angel (Alexandre). Falta ainda definir a vizinha do lado (Ângela Gonzaga?), os pais do Herói (seu Olavo e dona Marion?), Maria (Ceres? Nazaré? Marcinha?), chefe da imobiliária (Oscar Simch? Tuio Becker?), pessoal da imobiliária (críticos de cinema de Porto Alegre?), Debilóide (Soraia?) e mendigo (Aníbal D. Ferreira?). *** 11/07 dom Carlos terminou o roteiro, tem 46 páginas. Li. Dividimos ele em 95 cenas. Vai ter de 80 a 85 minutos de duração. *** 13/07 ter 20:30 Ensaio no Carlos. Eu, Carlos, Werner, Magda, Martinha, Luciana, Roberto. 1º ensaio: dia em que o Pedrinho foi pra S. Paulo. Cena 48 (pêssegos). *** 14/07 qua 8:00 Ensaio na mãe. Werner, Magda, Xala, Martinha, mais eu, Carlos, Roberto e Luciana. Cenas 48 (pêssegos), 8 (empregada) e 71 (Milton não). Listamos todas as cenas exteriores. 15:00 Tentamos definir locações e fazer um cronograma. Não deu certo, devido às viagens do Werner (15 a 20), Magda (22 a 29) e Carlos e Luciana (24 a 25). *** 15/07 qui 10:00 Ensaio no Carlos. Werner, Magda, Carlos, Martinha, eu, Luciana. Roberto não foi. Cenas 21B (a casa), 22 (varanda), 23 (a cama), 24 (praia). Werner viaja de tardezinha pro Rio. 15:00 Começamos a fazer os mapas de produção, especiais pra super-8. Vão funcionar. *** 17/07 sab 12:00 Magda desistiu de fazer a Mariana. Grilos familiares. Vamos batalhar outra. *** 18/07 dom 15:00 Ponte no Araújo pra pensar alternativas. Eu, Carlos, Martinha. A única alternativa em que a gente parece acreditar é uma guria que nenhum de nós conhece: Luciene, do Faltou o João. *** 19/07 seg 20:30 Ensaio do Faltou o João. Eu e o Carlos assistimos. O Carlos não quis falar com a Luciene, preferiu pensar mais. Acertou com o Cleomar, mais pra não dizer que não fez nada. Mais tarde, ensaio do Vende-se Sonhos. Carlos passou o roteiro pro Marco, Cleide e Angel. *** 20/07 ter 20:30 Carlos foi no ensaio do Faltou o João e marcou um teste com a Luciene, além de passar pra ela o roteiro. Werner voltou do Rio. Carlos fechou com a Soraia. *** 21/07 qua 15:00 Teste-ensaio no Carlos, cena 48 (pêssegos). Werner, Luciene, Martinha, Carlos, Luciana. Eu só cheguei no fim. Mapas de produção prontos. Começamos a checar algumas coisas. Fechamos uma locação importantíssima: a frente do edifício do Herói, que fica sendo na frente do edifício da Xala. Peguei o gravador na Luciana pra fazer testes. Werner falou que o Grübber quer fazer a iluminação. *** 22/07 qui 10:00 De manhã, ensaio. Cenas 21B e 23. Werner, Luciene, Carlos. Martinha e Luciana já definiram quase todos os figurinos, só falta acertar os da Mariana com a Luciene. 20:00 De noite, primeira reunião de decupagem e cronograma. Eu, Carlos, Roberto. Decupamos as cenas 6, 8, 48 e 71. Programamos várias filmagens e ensaios pra semana que vem. *** 23/07 sex 9:00 Ensaio no Carlos. Werner, Luciene, Carlos. Eu não pude ir de novo. Cenas 48 (pêssegos), 21B (a casa), 23 (a cama) e 6 (telefonema). Carlos viajou à tarde pra Canela. *** 26/07 seg 6:00 Primeiro dia de filmagem. Cena 1, abertura. Várias locações no centro, rua da Praia, praça da Alfândega, perto do muro da Mauá, frente da Prefeitura. Tentamos ir até o morro da Tevê, mas a cerração impedia qualquer visibilidade. ROLO 01: (1) inteiro. ROLO 02: (1) 10 pés. Gravei alguns ambientes na FITA 1/AMB: (1) Mauá, 6:30 da manhã, carros passando. (2) Praça da Alfândega, 7:15 da manhã, pessoas, pássaros, carros. Presentes: eu, Carlos, Roberto, Martinha, Alex. Ainda de manhã, comprei o interruptor pro microfone direcional, uma idéia que eu pretendo botar em prática logo. De noite, reunião de produção no Carlos. Revisão do cronograma pra semana. Fechamos a decupagem da cena 71. Passei o roteiro pro Alex. *** 27/07 ter 9:00 De manhã, ensaio da cena 71. Eu cheguei atrasado porque tava terminando de montar o controle remoto pro microfone. Presentes: Werner, Martinha, Carlos, eu, Luciana, Alex. O Roberto não veio, ficou trabalhando. 15:00 De tarde, filmagem. Demorou muito pra pegar porque o plano 2 era difícil e o Roberto não tinha ensaiado com a câmara. Idéia genial do Werner: usar o Bacatim como carrinho de traveling, por cima da calçada, com o Roberto deitado na parte de trás do carro, a Luciana dirigindo, o Carlos e o Alex empurrando e eu pegando o som. Filmamos três vezes, um plano longuíssimo, muito desperdício de filme (lembrou até o "Coisa na roda"). Depois, de cima do Hospital Moinhos de Vento, o plano 1, duas vezes. Deve ter ficado muito bonito, apesar da possível diferença de luz. Fomos correndo pra Independência, já era tarde, quase hora do pico. Por problemas de comunicação, o Werner e a Martinha esqueceram o texto do plano 3, fizemos duas vezes. O plano 7 era muito complicado, pois dependia dos ônibus, e a parada a essa altura já tava cheia. Começamos 4 vezes, acho que nenhuma delas ficou legal. Os planos 4, 5 e 6 eram fáceis, mas já tava ficando escuro, talvez tenha que refazer toda essa parte. De preferência, numa hora de menos movimento. E com frio, porque dessa vez as pessoas na rua tavam em manga de camisa. ROLO 02: (71) 2A, 6A. ROLO 03: (71) 2B, 7A. ROLO 04: (71) 2C, 1A, 1B, 3A, 3B. ROLO 05: (71) 7B, 7C, 4, 5. ROLO 06: (71) 6B. (não acabou) FITA I/AMB: (3) André Puente, 15;00, carros, gente, muito barulho da Ramiro. (4) Independência, 18:00, zoeira total. FITA II/DIÁL: (71) 2A, 2B, 2C (muito ruins todos eles, mas o Alex anotou no roteiro dele os diálogos possíveis, com muito pouca margem de erro), 3A (terrível, até "Desisti de pegar" 3B), 4, 5, 6A, 6B. Fotos de cena: o Carlos bateu algumas. *** 28/07 qua 8:00 Filmagem da cena 48 (pêssegos). Não teve o sol que era pra ter, talvez a luz fosse mais propícia pra filmar a cena 8 (empregada), mas a Xala não veio, porque não tava propriamente nublado. Toda a equipe presente, Martinha chegou em cima da hora e a Luciana só deu um pulo pra trazer os pêssegos (mas eu já tinha comprado - primeiro desencontro da produção). Fácil de filmar. Que bom se todo o filme fosse assim. Às 9:45 já tava tudo pronto. Agora que eu me dei conta: não tinha assistido praticamente nenhum ensaio da Luciene. Acho que ela vai ser uma boa Mariana. ROLO 06: (cont) (48) 1, 2A, 2B, 2C, 3, 2D (2A e 2B em macro, 2C a um metro e meio, 2D de novo, só pra acabar o rolo). ROLO 07: (48) 4/6/8, 5/7/9A, 5/7/9B, 10A, 10B. FITA II/DIAL: (48) 3, 4/6/8, 5/7/9A, 5/7/9B, 10A, 10B. FITA I/AMB: (5) Dona Amélia, 10:00, carros ao longe, construção ou coisa parecida batendo bem longe. Fotos de cena: o Carlos só foi se lembrar de bater uma no final, quando já tava todo mundo indo embora e o Roberto precisava fazer a matrícula da irmã dele. 15:00 Ensaio no Carlos. Cenas da praia em geral, principalmente a 23 (a cama). Presentes: Werner, Luciene, Carlos, Alex. Eu cheguei na metade e fui embora logo. 20:00 Reunião de decupagem na Cabral. Decupamos todas as cenas da praia, que vão ser filmadas este fim-de-semana, em Nordeste. A cena 18 (esperando) em princípio caiu fora. Não deu pra acertar esquemas de cronograma e produção, ficou tarde demais. Ficou pra amanhã. Ao todo, temos 50 planos pra filmar no fim de semana. *** 29/07 qui 8:00 19:00 Filmagem da cena 8 (empregada) na Dona Amélia. Deve ter ficado muito bonito, apesar de ser uma cena que vai passar quase desapercebida no filme. O Alex deu altos toques de iluminação, usamos inclusive dois enormes espelhos descolados na casa de minha mãe pra rebater a luz que ia se extinguindo (muitas nuvens, horário desfavorável pra filmar dos ângulos que a gente tinha escolhido). Presentes: eu, Carlos, Werner, Xala, Roberto, Alex. A Martinha chegou depois do início, antes ela tinha matrícula. A Luciana, de novo, só deu uma chegada: trabalhando demais. Terminou sendo sacanagem pro Roberto, que não pôde trabalhar porque a filmagem terminou depois das nove e meia. Não deu pra filmar a cena 8 (telefonema) ainda hoje, porque abriu o sol. ROLO 08: (8) 1, 2A (manual), 2B (automático), nuvens passando - quadro a quadro, 3/5, 7, 4A, 4B, 6. FITA II/DIAL: (8) 3/5 (não peguei a primeira frase), 7, 4A, 4B. Fotos de cena: o Carlos bateu quatro. À tarde não fizemos nada em relação ao filme, pois tinha edição do "B de Brasil" na Difusora. De noite, uma rápida reunião de produção, antes do show do Nei (estréia). Marcamos algumas pontes e eu fiquei de comprar algumas coisas e conseguir outras tantas. *** 30/07 sex 8:30 Dia de porrada. Passei a manhã inteira conseguindo pequenas coisas pra produção da cena da praia (papel laminado pros rebatedores, papel celofane pra filtrar o vermelho das lâmpadas, papel vegetal pra usar como difusor de luz, pilhas pra câmara, pro gravador e pro microfone, ferramentas e fios - a bolsa marrom tava na casa do Grübber desde o final das projeções do "Coisa na roda", fecho pra mala dura que a Martinha conseguiu, arame pra montar pequenas armações pros difusores e filtros, etc). O Grübber chegou do Rio, e ligou pra casa da minha mãe dizendo que talvez fosse conosco pra praia. No fim não pintou - e foi bom porque, com a ida da Lale, teríamos que lotar um dos carros. 13:30 Cheguei meia hora atrasado na casa do Carlos, mas só tavam ele, o Roberto, a Lale, o Alex e a Luciene. O Werner já tinha pintado, mas voltou porque esqueceu de trazer o refletor. A Martinha tava atrás do carro, porque só na última hora avisaram pra ela que a gente tava contando com o carro da mãe dela (além do Fiat da Andréa, cuja dona tá de férias em S. Paulo). Até que os preparativos foram rápidos: saímos pouco depois das 14:00 pro edifício da Xala (S. Carlos 224) pra filmar a cena 19 (saída). Era um plano só, mas deu alguns problemas. Pouca luz, tivemos que usar os rebatedores do Alex pra jogar um pouco de luz na cara do Werner. Eu, Alex, Martinha e Lale nos rebatedores. Astral legal. Acho que saiu bem. 15:30 Na viagem, filmamos a cena 20 (Free-way), em vários pedaços. Primeiro o plano 2 (ultrapassagem), três vezes. O Werner e a Luciene no Fiat, Martinha dirigindo o Prata, Roberto no banco da frente, com a câmara; eu, Carlos, Alex e Lale no banco de trás. Altas galinhagens, numa das vezes o Werner botou tanto realismo que quase jogou o Fiat fora da estrada. Antes disso, na verdade, tínhamos filmado o plano 3, perspectiva da estrada, câmara fixa, Fiat passando em alta velocidade (18 qps). Esse plano (3) mostrava o carro indo pra direita, como na cena anterior. Mas o plano (2), só depois a gente se deu conta, invertia o eixo de ação, pois mostrava o carro indo pra esquerda. Por isso, filmamos uma outra versão do plano 3, numa curva (foi difícil achar uma curva na Free-way), com o carro entrando e saindo pela esquerda. Outra idéia do Alex: filmamos um plano adicional, não previsto no roteiro: cara na estrada pedindo carona, o Fiat passa e para fora de quadro, o cara pega a bagagem e vai correndo, câmara acompanha. Quando chega perto, o Fiat arranca e sai de quadro. O cara fica puto. Filmamos do outro lado da estrada, pra não inverter de novo o eixo. O próprio Alex fez a figuração. Já eram quase 17:00 quando o Carlos e o Roberto entraram no Fiat, pra filmar os planos de dentro do carro. Eu, a Martinha, o Alex e a Lale fomos embora no Prata. O encontro foi antes do pedágio, quase 18:00. Eles já tinham filmado o plano 5, várias versões dos planos 6 e 7 e ainda a reação deles após o plano 8. Fizemos um por de sol quadro-a-quadro. 17:30 Poucos minutos antes, adiantamos um plano da cena 21 (Nordeste), exatamente o primeiro deles, quase uma transição entre as cenas 20 e 21: o Fiat abandonando a Free-way e pegando o acesso a Tramandaí. 22:00 Só deu tempo pra chegar, reconhecer a casa, arrumar o cenário e começar a ensaiar. Quando a comida ficou pronta, o Carlos achou que era melhor filmar primeiro e depois comer. Começamos a filmar a cena 23 (a cama) às 23:00 e só fomos terminar à uma da madrugada. Não aceitaram a minha proposta de passar a cama pra sala: seria um puta trabalho, talvez desnecessário. Mas o quarto era muito pequeno e não permitia grandes variações nas posições de câmara. A luz foi sempre a mesma: um refletor de 1000 W, com filtro azul, rebatido no teto; uma lâmpada de 100 W em cada cabeceira, semi-encobertas ambas pelos capuzinhos dos abajures. Foram necessárias algumas falseadas na posição da cama. Alex colocou gavetas embaixo das mesinhas de cabeceira para levantá-las. O diafragma ficou sempre entre 2 e 2.8. Incrível: praticamente nenhuma repetição, e mesmo assim a cena ocupou cinco rolos. Talvez fique grande demais. Mas o nível de interpretação tá ótimo, salva qualquer coisa. No final, pra evitar qualquer problema de montagem, filmamos alguns inserts com câmara na mão. Fomos dormir pelas duas da madrugada, pra acordar cedíssimo no dia seguinte. Resumo do dia: ROLO 09: (19) 1A, 1B, 1C. (20) 3A, 2A, 2B, 2C. ROLO 10: (20) 3B (em curva), 8, 5 e 6 (vários). ROLO 11: (20) 5 e 6 (vários), reação do 8, 7, 9. (21) 1. ROLO 12: (23) 1, 2, 3, 4, 5, close nela pra insert. ROLO 13: (23) 6/8. ROLO 14: (23) 7, 9. (25 pés) ROLO 15: (23) 10A. (20 pés) ROLO 16: (23) 10 (só o início), 10B, inserts. (10 pés) FITA II/DIAL: (23) 4, 5, 6/8, 9, 10A, 10 (só o início), 10B. Não gravei nenhum ambiente. Fotos de cena: Carlos bateu várias. *** 31/07 sab Pior ainda que o dia anterior. Acordamos ainda noite, não deu pra tomar café porque faltou gás antes que o leite aquecesse. Tava frio demais pra filmar na praia (cena 24). A decupagem foi bastante alterada em função das circunstâncias. Tinha mais luz do que devia. Claro que as cenas 19 e 20 (filmadas ontem) tinham sol, mas tudo bem. O essencial era que estivesse nublado nas cenas 21, 22 e 24. Outra coisa: acho que começamos tarde demais (o plano 1 só foi rodado às 7:15) e demoramos muito (a última versão do plano 7 só ficou pronta às 9:06). Isso pode ter dado muita diferença de luz à cena. As condições pra captar o som eram péssimas: muito vento, barulho do mar e além disso os planos abertos impediam que eu chegasse perto dos personagens/ atores. O plano 1 (geral, inicial) não teve problemas, fizemos duas vezes porque o Roberto não gostou do enquadramento. O plano 2 (traveling) já foi complicado, mas saiu: uma vez só, Martinha dirigindo, Roberto deitado na traseira do Fiat, Carlos e Alex empurrando. Duvido que se entenda alguma coisa do som. Talvez fique muito irregular o movimento. O plano 3 (câmara na mão, caminhando, só areia) foi bem fácil e quase inútil. Plano 5 (insert dela olhando), sem problemas. Perdemos quase 90 minutos pra filmar o plano 4/6. O Roberto disse que não dava pra fazer na mão, a prática mostrou ser impossível fazer outro traveling no Fiat (agora, o movimento seria quase perpendicular ao mar). Terminamos optando por uma panorâmica no tripé. Fizemos uma vez no carro e duas no tripé. O plano 7 não deveria apresentar problemas, mas terminamos fazendo quatro vezes: na primeira talvez tenha tremido um pouco (a mão do Carlos, ao fazer o zoom). A segunda pegou só o final (material pra montagem no finzinho do rolo). A terceira foi mais ou menos o que o Carlos queria, e a quarta foi sugestão do Roberto: o zoom com correção de quadro. 10:00 Chegamos em casa, descansamos um pouco e resolvemos filmar a cena 21B (a casa) antes do almoço, pra aproveitar a luz de fora. Eu, o Carlos e o Alex começamos a arrumar o cenário, iluminação, etc, enquanto o resto do pessoal providenciava gás, comprava pão, procurava locações pra cena 21 ou simplesmente dormia. Por incrível que pareça, só fomos rodar o primeiro plano às 13:23. A sala da casa do Fred em Nordeste foi toda retransada: tiramos um armarinho de chão pro quarto, colocamos o sofá no canto onde estava o armarinho e a mesa de centro no canto onde estava o sofá. Com isso, abrimos um baita espaço no meio da sala, pra movimentação dos personagens. O Alex construiu mais três armações pra filtro azul (além da que tinha sido usada na cena 23): uma igual à anterior, pra outro refletor de tripé; uma que era só um quadro pra segurar, pro refletor de mão; e uma outra pra uma luz de serviço (100 W), que ficou na cozinha (como disse o Alex, "pra documentar a existência da cozinha"). Foi imaginada toda uma história especial pro plano 1. A entrada deles na casa, com dois refletores de tripé (1000 W cada) jogando luz pra dentro da porta que se abre, um refletor de mão pra fazer a luz interna da sala, uma lâmpada de 100 W na cozinha e mais a janela (que o Herói abre no final do plano, inundando de luz o rosto da Mariana). Tivemos que colocar dois colchões na varanda, e amarrá-los à parede de tijolos furadinhos, pra impedir a entrada de vento, que podia derrubar os tripés. Fizemos uma planta baixa maluca, imaginando posições de câmara em absolutamente todos os cantos da sala. Todos os outros planos (fora o 1) tiveram 2000 W de dentro (sempre rebatidos), 100 W ou 300 W na cozinha e mais a luz da janela (cada vez mais fraca à medida que a tarde caía) - em todos eles, a porta permaneceu fechada. O diafragma foi sempre 2, com pequenas correções pra mais ou pra menos em cada plano. Frase do Roberto: "Se a fotometragem tá certa, vai ficar lindo." Começamos pelo plano 1, sem problemas. Meia hora pra acertar o enquadramento do plano 2 (a planta baixa pirada que eu e o Carlos tínhamos feito pulava o eixo, o que foi corrigido com uma câmara na mão, deslocando o ponto de vista do ombro esquerdo pro direito da Luciene). Plano 3, sem problemas. Cinqüenta minutos pra começar o plano 4 (outra quebra de eixo, agora corrigida e enriquecida por uma idéia central conjunta do Alex, do Carlos e do Werner: um traveling com câmara na mão, o Roberto sentado numa cadeira de alumínio e sendo carregado pelo Alex e pelo Carlos, atravessando a cena no sentido contrário ao da ação do Werner). Duas vezes, pra evitar alguma tremida. Nas duas, filmamos até o correspondente ao final do plano 9. Material pra montagem. A partir daí, tudo bem. Planos 5/7/9, sem problemas. Plano 6, idem. Planos 8/10, duas vezes, pra escolher: na segunda, um pequeno zoom pra mostrar a Mariana baixando o livro. Por último, o que era pra ser os planos 11/12/13 ficou num plano só. Filmado duas vezes, porque na primeira o Werner errou o texto: "A gente podia pegar as coisas e ir lá pro quarto." Terminamos às 15:41. 15:50 Imediatamente, a Martinha coordenou uma troca de figurinos no Werner e na Luciene - e fomos montar a cena 22 (varanda). Alto grilo por causa dos olhos do Werner: eu pensava que eles ficavam fechados o tempo todo; o Carlos queria que eles abrissem no close; o roteiro inicial previa que eles se abririam antes da segunda fala; mas o Werner abriu antes da primeira fala - e ficou por isso mesmo. Altos grilos por causa da panorâmica final: o Carlos queria um giro de quase 360°, terminando no rosto da Mariana, olhando pra frente; o roteiro previa o mesmo giro, mas com ela olhando pro meio da lente; o Roberto queria porque queria fazer uma panorâmica interrompida, tipo ultranaturalista, "como um olhar de verdade"; o Werner e o Alex reformularam essa proposta, pedindo vários quadros parados em vez da panorâmica. No fim, o Carlos fez a panorâmica dele e o resto (Alex, Werner, Roberto) filmou os quadros parados: depois a gente escolhe. Fizemos toda a cena em quarenta minutos (três planos). Eu acho que tinha luz demais. 16:40 Mais um imediatamente. Passamos pra cena 21 (Nordeste). Começando do plano 8, o Fiat chegando na frente da casa do Fred, Carlos dirigindo e Roberto na câmara, do banco da frente. Daí a dez minutos, o Carlos entrou correndo na casa pra chamar os atores, pra fazer os closes dentro do carro (planos 2, 3, 5 e 6). Mais meia-hora, dispensou o Werner e a Luciene e chamou eu e a Martinha pra encontrar os melhores lugares pra filmar os planos 7 (passeios de câmara de dentro do carro, mostrando a cidade). Quase capotei de sono no Fiat. O Roberto filmou vários passeios, mas quase sempre sacudindo demais (as ruas são cheias de buracos, não dá pra evitar). Duvido que tenha ficado bom. Mas foi. Mais quinze minutos e o Carlos voltou a entrar na casa, agora chamando de volta o Werner e a Luciene (que já tinham até tirado os figurinos) pra filmar o plano 4 (o carro entrando na cidade). Mas ficou ruim: a luz tava fraca em relação aos planos posteriores, a Luciene entrou muito devagar na estradinha e passaram carros dos dois lados. 18:00 Toda a seqüência filmada, voltamos pra casa do Fred. Jantamos, brincamos até altas horas da noite (22:00) e resolvemos deixar pra arrumar a casa, guardar o equipamento e ir embora na manhã seguinte (domingo). Outra decisão: não filmar mais nada antes de quarta-feira, quando vêm da revelação os primeiros oito rolos. Ainda gravei um ambiente antes de dormir, pesada e merecidamente. Resumo do dia: ROLO 16: (cont) (24) nascer do sol - qaq. ROLO 17: (24) 1A, 1B, 2, 3, 5. ROLO 18: (24) 4A, 4B, 4C, 7A, 7B (só o final). ROLO 15: (cont) (24) 7C, 7D (com correção de quadro), close dele fechando os olhos. ROLO 14 (cont) (21B) 1, 2, 3. ROLO 19: (21B) 4/5/6/7/8/9 A (traveling na cadeira), 4/5/6/7/8/9 B, 5/7/9, 8/10 A, 8/10 B (com zoom). ROLO 20: (21B) 11/12/13 A (Werner errou a fala), 11/12/13 B. (22) 2, 1A, 1B. ROLO 21: (22) 3A (panorâmica), 3B (quadros parados). (21) 8, 2, 3. ROLO 22: (21) 2, 3, 5 e 6 (vários), 7 (alguns). ROLO 23: (21) 7 (alguns), 4A. FITA II/DIAL: (24) 2 (horrível), 4A, 4B, 4C (ruim, péssimo, ruim). (21B) 4/5/6/7/8/9 A, 4/5/6/7/8/9 B, 11/12/13 A, 11/12/13 B. (22) 2 (horrível). FITA I/AMB: (6) Praia de Nordeste, 22:00, noite. Vento, mar ao longe. Poucos grilos e sapos. Fotos de cena: o Carlos não tirou quase nada, a Martinha tirou algumas. *** 01/08 dom 10:00 Acordamos pelas 10 da manhã, tomamos café e arrumamos as coisas. Eu perdi quase todo o café porque fui pegar o ambiente da praia. Saímos pra Porto Alegre depois das 13:30 e, na saída, o Carlos resolveu refilmar o plano 4 da cena 21. Agora saiu melhor, com luz mais compatível, a Luciene dirigindo mais rápido e com menos movimento na rua. Fomos embora porque não dava mais. O Prata (eu, Martinha, Roberto e Lale) ainda parou em Tramandaí pra almoçar. Chegamos em Porto Alegre por volta das 17:00. Resumo do dia: ROLO 24: (21) 4B. FITA I/AMB: (7) Beira da praia em Nordeste, só o mar e o vento, 11 da manhã. Nenhuma foto de cena por hoje. *** 04/08 qua 20:00 Depois de quase três dias de folga, reunião na casa do Carlos, basicamente pra ver os oito primeiros rolinhos revelados. Eu não fui, tava envolvido com o roteiro do filme do carvão. Apesar das recomendações, os rolinhos foram vistos um por um, e não emendados no carretel grande. Motivo alegado: falta de coladeira, o Werner ficou de trazer e não trouxe. Resultados possíveis: alguns planos escuros demais na abertura, vamos ter que filmar mais material; o plano 1 da cena 8 (empregada) saiu totalmente fora de foco, mas é facilmente refilmagem; refazer toda a segunda parte da cena 71 (Milton não) - planos escuros e o do ônibus saiu totalmente errado. Ainda não vi os rolinhos; pelo que falaram, deve ter saído muita coisa boa. Mas o Roberto ficou bastante decepcionado e chateado - pode ser cu doce. Mandei um recado enorme pro Carlos, tentando transformar essa reunião em reunião de produção, mas ele só foi ler o recado depois que todo mundo já tinha ido embora. *** 05/08 qui 23:00 Reunião meio esotérica na casa do Carlos. Ficamos conversando sobre alguns assuntos já conversados e não decidimos nada porque tem outra reunião amanhã. Presentes eu, Carlos, Luciana, Martinha, Alex, Grübber. Única coisa interessante: a Luciana anunciou que tá transando algumas coisas em relação à viagem pra Montevidéu: falar com o cônsul pra obter uma espécie de licença pra filmar, e conseguir patrocínio de uma empresa de ônibus (divulgação x seis passagens de ida e volta). O Grübber tá interessado em trabalhar no filme, e isso é bom. De resto, perda de tempo. *** 06/08 sex 7:00 Material adicional pra abertura. Na real não dá pra considerar como refilmagem. O Alex chegou na hora, eu tinha recém saído do banho e tava esquentando o leite. (Não dormi = "Quizumba".) O Carlos chegou uns vinte minutos atrasado. Passamos no Roberto e fomos pro Centro. Filmamos alguns planos atrás do muro da Mauá e fomos acordar a Deborah e a Isabella pra filmar lá de cima do edifício delas. Um da sacada da frente, vários de cima do terraço e mais um ou dois da janela lateral do corredor (virada pro rio). Como eu tava morrendo de sono, deixei os três filmarem sem mim os planos de cima do Morro da TV (parece que foram dois). Terminamos o rolo 24 e começamos o 25. Não levei som, não teve fotos de cena. 16:00 Tava marcada a refilmagem da 2a parte da cena 71 (Independência). Eu fui, o Carlos foi, o Roberto e o Alex também, mas os atores não. A Martinha pensou que o Carlos ia ligar pra confirmar, o telefone do Carlos estragou, eu tava dormindo, o Werner ligou pra Martinha e os dois desmarcaram a filmagem. Lamentável. Fomos pra Cabral, adiantar a reunião de produção. Decupamos a cena 2 (rua da Praia). Marcamos e desmarcamos muita coisa, mas não fizemos nada concreto. Às 18:00 chegou o Grübber coma coladeira, montei todos os rolinhos em dois carretéis de 600 pés cada. (Ah, esqueci de dizer que eu tinha ido buscar os rolinhos 9 a 23 no Curt às 15:30.) Tem coisas muito bonitas, mas com três problemas básicos: uma sujeirinha (na janela da câmara, de novo) persistente e chata em quase todos os planos filmados (o mais inexplicável é que não é em todos); grão grande demais - meu veredito é revelador velho, ou temperatura de revelação inadequada, ou muito tempo de banho - de qualquer jeito: cagada da Curt; e filme amassado em vários pontos - pode ser conseqüência de se usar filme ganho como prêmio (talvez refugo da Kodak) ou outra cagada na revelação - o resultado é que sai de foco toda hora. O Werner descobriu um problema na ótica da câmara, mas eu acho é que ele ainda não sacou que a ótica do super-8 é aquilo ali mesmo. E se tu somar com grão enorme e filme amassado, o resultado é uma merda. Mesmo assim, eu acho que dá pra aproveitar. Mas cheguei a pensar seriamente na proposta (e no risco, inclusive) de refilmar tudo com Kodachrome. É "esquema Dudu", eu sei, mas... Não quero nem falar nisso, porque o Werner e o Alex tão a fim, e se eu abrisse a boca era capaz de desequilibrar o Carlos. Deixa pra lá. *** 07/08 sab 9:00 Passei a noite de sexta-feira pensando em carvão. Cheguei no Carlos às 9:40 e ele já tinha ido pro edifício da Xala. Tava marcada a filmagem da cena 6 (telefonema), mas não saiu por causa da chuva. Perdemos muito tempo na frente do edifício (eu, Carlos, Alex, Roberto, Grübber, Martinha e Werner) sem saber o que fazer. O Roberto e o Alex filmaram alguns planos da chuva pra fazer teste (primeiro com a minha câmara, depois com a do Roberto). Era um filme antigo que tava pela metade, mas a metade que tinha sobrado era a menor: acabou logo. Resolvemos fazer uma reunião de cronograma e decupagem na Cabral. Rendeu alguma coisa, marcamos algumas pontes pra antes de Montevidéu. O Carlos se recusou a filmar qualquer coisa no sábado, apesar de o Roberto insistir que o dia tava exatamente como o roteiro previa. O Carlos alegou que ainda não tinha decidido que câmara usar. Mas depois se desmascarou: ia passar um jogo do Grêmio na TV de tarde. *** 08/08 dom 19:00 Tinha filmagem marcada - cenas 86 ou 88, conforme as condições do tempo. Nenhuma delas tava decupada, ensaiada ou produzida. Por isso, marcou-se uma reunião na Cabral às 17:00, pra depois se filmar. Como eu passei o dia inteiro "acarbonado", mandei um recado pela Martinha dizendo que não poderia comparecer à filmagem, nem à reunião. Resultado: a reunião não saiu, a filmagem foi desmarcada. Carlos, Martinha, Luciene, Alex, Roberto: não fizeram nada. *** 10/08 ter 14:00 Reunião de decupagem/ produção na Cabral. Viagem a Montevidéu foi adiada pro outro fim-de-semana. Em compensação, finalmente fizemos alguma coisa produtiva: decupamos as cenas 51/52/53 (Vitória), 73 (cheeseburger), 2 (rua da Praia) e 86 (porteiro eletrônico). Deu um puta trabalho, mas conseguimos. Marcamos algumas filmagens e ensaios, e ficamos de confirmar o resto durante a semana. As informações do Carlos e da Luciana foram interessantes: o cônsul disse que a gente não conseguiria filmar nada sem autorização, e que seria indicado um oficial de justiça para acompanhar as filmagens e "indicar os locais onde tem mais luz". O Werner sugeriu que o cara fosse apelidado de "Nuestro Fotómetro". Mas isso me tranqüiliza bastante. Presentes na reunião: eu, Carlos, Roberto, Alex, Martinha (entrando e saindo toda hora) e Luciana (chegou atrasada). Outra coisa: o Carlos preparou um documento pra ser encaminhado à Kodak, pedindo apoio: rolinhos de presente, revelação de graça ou - melhor ainda! - cuidados especiais, mesmo pagos, na revelação. Impossible dream. *** 11/08 qua 14:00 Tava marcada filmagem das cenas 6 (telefonema), 73 (cheeseburger) e 8 (empregada - só o plano dele chegando) - tudo isso se estivesse nublado; ou da cena 44 (inverno) se estivesse chovendo; ou ainda ensaio da cena da PUC, se fizesse sol. De manhã, fui acordado pela Martinha com a notícia de que o pai do Carlos tinha morrido. Baixo astral. *** 13/08 sex 14:00 O Carlos falou no telefone: "Vamos trabalhar" e nós fomos. Marcamos reunião de produção/ decupagem na Cabral. Eu cheguei mais de meia hora atrasado, o Carlos já tava me esperando no corredor do edifício. Luciana e Alex chegaram mais tarde. Martinha deu uma passada. Tá brabo marcar qualquer coisa neste filme. O Faltou o João tá em fase de acabamento da peça, e isso não nos atrasa só em função da Luciene: agora o Werner resolveu voltar ao grupo, e não pode perder ensaio. Como se não bastasse o fato de ele ficar dois dias inteiros por semana em Novo Hamburgo. Mas ele, afinal, é apenas o ator principal do filme (aparece em 91 das 95 cenas). Mas tá todo mundo nesta. O Roberto trabalha de manhã (se bem que, sendo com o pai dele, ele mata quando quer), estuda de noite (e não tá a fim de matar aula), tá planejando com o Amon a filmagem do "Aqueles dois" (baseado no conto do Caio Fernando Abreu) e agora, acho que só como aquecimento, os dois (Roberto e Amon, não Raul e Saul) tão planejando e decupando "O dia em que Urano entrou em Escorpião" (outro conto do Caio, só que mais curto). A Luciana quase sempre trabalha nos horários de filmagem - chega, deixa os figurinos e esquemas de produção e sai correndo pra TV A Martinha agora tá mais preocupada com a mudança (dela e da mãe dela) que com qualquer outra coisa. Eu agora me livrei (temporariamente) do roteiro do carvão, mas sempre tenho o "Quizumba" e mais os eventuais - agora, por exemplo, esse lance do "B de Brasil". Em resumo: marcamos filmagens pra todo o fim de semana, mas terminamos riscando a maioria das previsões. O Roberto chegou rapidamente (com o Amon, avisando que o "Urano" talvez seja filmado no (meu) apê) e desmarcou algumas. Passei na casa do Werner no início da noite (ele e Luciene se disseram contentes pela "volta ao trabalho") e eles desmarcaram outras. Voltamos quase que à estaca zero. Desde a volta da praia (doze dias), praticamente nada filmado. Decupamos a cena do Vitória (51-52-53, ficou linda), mudamos um pouco a decupagem da cena da rua da Praia (2, ficou melhor do que antes) e outras cenas curtas (86, 88, 73). Acertamos uma provável seqüência inicial do filme, com trinta planos na duração da música-tema: 3 créditos iniciais ("Werner Schünemann em", "Inverno", "um filme de Carlos Gerbase"), 10 planos da cena 1 e 17 planos da cena 2. Tá bonito, mas pintou (ou repintou) um grilo: o Alex quer pelo menos ouvir a música "Inverno" do Cheiro de Vida - talvez tenha mais a ver do que o inverno europeu do Vivaldi. Notícias: o Carlos ainda não mandou o relatório pra Kodak; o Consulado ainda não recebeu a autorização do governo de Montevidéu pra gente filmar lá; a empresa de ônibus que tava quase certo de nos conseguir as passagens de graça tirou o corpo fora; os esquemas do Werner com o Goethe mostraram a sua verdadeira face - o lance das fotos que ele passou pro Carlos fazer não era nem tão fácil nem tão rentável como ele tava falando - e o Foguinho pensa em tirar 76 milhões deles pro projeto das vilas - adolescência tudo bem, mas é ingenuidade demais pro meu gosto! Outra coisa: os figurinos da Monica, segundo a Luciana, tão salvos. Acontece que a Luciana e a Martinha escolheram pra figurinos do Werner algumas roupas da Monica, e, agora que o Werner tá transando com a Luciene, a Monica se mudou e talvez tivesse levado algumas roupas. *** 14/08 sab 8:00 Quase fui arrancado da cama pelo Carlos e pelo Alex. Tinha deitado por volta das 6 (na madrugada anterior, a Bábi pintou, vindo duma Festa das Bruxas, e eu fui com ela e a Soninha até a Maris e Barros). O Werner e a Luciene chegaram logo depois, pra ensaiar a cena 17 (PUC). Fizemos duas leituras na sala do (meu) apê e depois ensaios com movimentação na frente do edifício. Mudançazinha no texto, em cima de uma sugestão anterior da Luciana: referência à "fazenda da Magda", outra piada que ninguém vai entender. Mas que não atrapalha, porque tem informação em outro nível. 18:00 Vitória (cenas 51-52-53). Marcamos a ponte às 18:00 na Cabral,pra revisar todo o material (de luz principalmente) mas não deu certo: eu e a Martinha ficamos fazendo a mudança dela até muito tarde, o carro do Carlos passou a tarde estragado, atrasou tudo. Não fizemos a tal revisão. Eu escolhi na hora o que não precisava (da parte do material que tava comigo) e tirei da mala. O Papaulo (que ia fazer o garçom) foi pra praia porque a Luciana, até o meio-dia de sexta-feira, achava que a cena não seria filmada no fim-de-semana, e liberou ele. Em função de desencontros, foram convidados dois garçons: Fred e Sérgio Lulkin (felizmente o Sérgio terminou não vindo, porque a situação ia ficar xarope). Aliás, essa cena já tinha um precedente: o Max ficou de quintanista de Medicina porque o Cleomar quebrou o braço duas semanas antes. O Hugo e a Téti (uma amiga dele) fizeram o "casal do sofá vermelho". A Martinha teve que voltar na Cabral porque eu, na confusão, esqueci as pilhas do microfone. Tínhamos chegado no Vitória às 19:00 em ponto. Mas não adiantou muito, porque o Werner só foi aparecer às 20:20 (prováveis problemas conjugais, ou coisa parecida), na dúvida, com montes de figurinos na mão. Antes disso, filmamos uma alternativa de abertura da cena, sem movimento de câmara, sem mostrar a fila na frente do cinema, fixando o letreiro. Começamos a filmar às 20:42, do plano 1 (duas vezes, pra evitar alguma tremida da câmara), 2000 W do lado de fora do Vitória e um trabalho imenso pra dispersar os curiosos. Plano 2, duas vezes, também pra evitar problemas de câmara; mesma luz. Plano 4/6/8, uma das alternativas: Herói de perfil, falando com a Mariana imaginária na bilheteria do cinema. 2000 W, mais perto do Werner. 3/5/7, mostrando a Luciene através do buraquinho da bilheteria, deve ter ficado bonito, mas o Carlos esqueceu de dizer que ela tinha que olhar um pouquinho pra direita do quadro, ela olhou pra lente e isso corta a possibilidade de se usar o contraplano na alternativa "a" (Herói de perfil). 1000 W dentro e 1000 W fora. A seguir, segunda versão do 4/6/8, agora de dentro da bilheteria pra fora, aparecendo o rosto dele no buraco e o ombro dela, de costas pra câmara. Mesma coisa: 1000 W dentro e 1000 fora. Neste ponto, foi um alívio: eram 21:30 e tínhamos terminado as externas. E os planos com som. Esperamos o público entrar pra sessão das dez e pulamos pro plano 15, Luciene e Max no sofá vermelho, olhando-se ternamente. Fácil, com 2000 W. Depois o 13, mesma luz, Hugo e Téti no sofá, Fred de pé ao lado. Duas vezes, pra garantia de foco. Na hora, compramos pipocas, pra que o casal tivesse alguma coisa na mão. Plano 11, o grande plano da seqüência. Mesma luz, mesma posição, mas agora com a Luciene, o Max e grande produção: bandeja, salgadinhos, copos de Campari, garçom e altos figurinos. O Fred deu uma voltinha antológica, instrução do Carlos pra mostrar melhor a figura do garçom. O plano 9 foi o mais difícil, porque era o mais aberto: não havia luz que chegasse pra iluminar todo o saguão do Vitória. Colocamos a Lale e a Suzi no fundo, respectivamente vendendo e comprando alguma coisa na bomboniére. O Roberto acha que o movimento de câmara ficou falso, em função da desigualdade da iluminação. Filmamos três vezes: a) com os 4000 W em linha, em semicírculo por trás da câmara; b) com um dos refletores (Alex) se deslocando por trás do pilar central do saguão, e iluminando a bomboniére; c) que nem b, só que com o refletor do pilar virado pro sofá onde o herói se senta. Esse plano, pra piorar as coisas, tinha que ser filmado logo, porque os funcionários do cinema já tavam a fim de fechar a porta da frente. Mudamos um pouco os planos 14/16. Fizemos primeiro os dois juntos, 4000 W em linha, até ele entrar na escuridão. Depois, em close, mesma luz e posição, só detalhe dele olhando o que tem no plano 15. Por último, só o Werner, fechado, 2000 W, planos 10/12 emendados O Carlos resolveu, na última hora, suprimir a expressão de raiva do Herói no início do plano 12. E deu. Na hora certa, 23:38, dois minutos antes do público começar a sair do cinema. Eu, do lado de fora da câmara, achei toda a cena excelente. E alto esquema de trabalho, chegou a ter 16 pessoas: atores (Werner, Luciene, Max), figurantes (Hugo, Téti, Fred, Lale, Suzi), diretor (Carlos), assistentes (eu, Alex), fotógrafo (Roberto), produtores/ figurinistas (Luciana, Martinha), paus-de-luz ou assistentes de iluminação (Grübber, Ceguinho). Mas o Roberto achou ruim:, achou que não teve luz o tempo todo. Só vendo. O porteiro (José Alexandre Ayub) deu uma baita força. Resumo do dia: ROLO 25: (cont) (51/52/53) 1A (alternativa), 1B (talvez tremida), 1C, 2A (foco), 2B, 4/6/8A (de fora, perfil). ROLO 26: (51/52/53) 3/5/7, 4/6/8B (de dentro, pra lente), 15, 13A (foco), 13B, 11, 9A (4 lâmpadas em linha), 9B (uma das lâmpadas atrás do pilar). ROLO 27: (51/52/53) 9C (luz virada pro sofá), 14/16 (sem o close), 16 (só o close da olhada), 10/12. FITA II/DIAL: (51/52/53) 4/6/8A, 3/5/7, 4/6/8B. Não gravei ambientes. Fotos de cena: a Martinha bateu, deu conta, mas eu e o Carlos concordamos que o Werner tinha razão: não dá pra dirigir e fazer foto de cena ao mesmo tempo. Não sei é se vale a pena contratar alguém agora. *** 15/08 dom 8:00 Alto domingo. A gente tinha combinado de filmar o final do filme se estivesse chovendo. Isso porque seria uma coincidência incrível de circunstâncias favoráveis: um domingo de manhã, com chuva, no inverno. O Roberto não queria, chegou a rogar praga pra não chover, as no sábado de noite, ao final da filmagem do Vitória, tava na cara que tava se armando uma chuva daquelas. Acordei às 7:00 e lembro que cheguei a ir pro despertador com a firme intenção de desligá-lo, olhar pra janela, confirmar que não tava chovendo e voltar pra cama. (Afinal, eu tinha ido dormir depois das 2:30 e a chuva continuava só ameaçando.) Mas tava chovendo pra burro. Cheguei às 8:00 no Carlos, tirei ele da cama e, por incrível que pareça, fizemos uma decupagem rica, eficiente e criativa em pouco mais de meia hora. O plano final, então, ficou excelente. Só quero ver depois de filmado. A ponte era na frente do edifício da Xala às 9:00. Não deu nem pra reclamar o atraso dos atores, porque eu esqueci de pegar a câmara fotográfica (na real, nem sabia que ela tinha ficado comigo) e a minha capa de chuva marrom (figurino do Werner na cena) e tive que ir até a casa da mãe (Martinha dirigindo) buscá-la. Quando voltamos, já eram quase dez horas e a chuva tava parando. Começamos a filmar às 10:39, com o plano 1, duas vezes, pra não dar problema de foco, Plano 2, duas vezes, pra garantir o movimento de câmara. Plano 3, três vezes, por causa do sorriso do Werner. E aí resolvemos parar, porque simplesmente não tinha mais chuva. O tempo continuava nublado, mas os planos que faltavam pediam claramente a presença da chuva. Claro que de tarde a chuva voltou, e o astral continuava propício, mas o Werner e a Luciene tinham ensaio do Faltou o João. Assim não dá. Resumo do dia: ROLO 27: (cont) (92/93/94/95) 1A, 1B (repetido por segurança de foco), 2A (talvez tremido). ROLO 26: (cont) (92/93/94/95) 2B. ROLO 28: (92/93/94/95) 3A (sorriso errado), 3B (idem), 3C. Não teve som, embora eu pudesse ter gravado alguns ambientes. O Carlos bateu algumas fotos de cena, puta da cara. A noite foi livre pra gente poder assistir ao show do Nei (último dia). *** 16/08 seg 8:00 Acordei com a Martinha e o Carlos invadindo a casa, já depois da hora marcada. O Alex e o Roberto chegaram logo depois, seguidos pelo Werner. Era pra filmar a cena 2 (rua da Praia) e o astral do tempo tava perfeito (nublado, ameaçando chuva). Telefonei pra Marília Rossi (a "menina da rua da Praia") confirmando ponte pras 9:00 na frente do Falk's. Mas ela só foi aparecer depois das dez, depois que a Martinha ligou mais duas vezes e depois de a gente ter desistido de fazer qualquer outra coisa antes dos planos dela. E chegou com o cabelo preso (não quis soltar porque "tava sujo") e o rosto todo maquilado - podia ser bem mais bonita. Aprontamos tudo pra filmar o plano 11 (ela descendo a rua da Praia) rapidinho,mas aí eu pedi pra olhar o quadro e vi que aparecia claramente a calçada seca - e a decupagem que a gente tinha feito exigia que a calçada estivesse molhada. Parou tudo. O Carlos foi na "A Brasileira" (loja ao lado de onde a gente tava filmando, propriedade duns parentes dele) e pediu dois baldes cheios dágua. Inundamos a calçada. As lojistas ali da frente reclamaram, mas tá cada vez mais em uso a frase do Alex: "Isso é cinema!", como justificativa pra qualquer barbaridade. Aquela água toda deu um reflexo legal. Filmamos o plano 11 às 10:15, com a Noca atravessando o quadro, de guarda-chuva na mão, em sentido contrário ao da Marília, pra reforçar a idéia de que estava chovendo. Íamos fazer de novo, pra evitar qualquer erro, mas nesse exato momento apareceu o caminhão do gás, desviando o trânsito praticamente pra cima de nós e enchendo o quadro de tubos de GLP, sujando o enquadramento. Desistimos. Pulamos pro plano 14, close dela olhando, sem problemas. Plano 13/16, os dois se cruzando (o Werner com o cabelo recém molhado), mostrando mais ela, e desta vez eu cruzei na frente da câmara com o mesmo guarda-chuva, de novo pra reforçar a idéia de chuva. Duas vezes, porque na primeira o Werner passou rápido demais. Com isso, eram 10:47 e a Marília tava dispensada. Passamos pro plano 12 (Herói vendo a menina), o qual foi feito três vezes (na primeira, uma velha entrou na frente do Werner e ficou olhando pra câmara; na segunda, o Carlos - de guarda-chuva - cruzou o Werner do lado errado, obrigando ele a fazer uma ginástica pra sair de quadro pela direita). Molhamos outro trecho da rua. O Carlos não quis que o Seben pegasse o guarda-chuva e fizesse a figuração, apesar de que isso obviamente ia dificultar a direção. Plano 15, close dele olhando, quatro vezes, por garantia. Molhamos o cabelo dele de novo. Plano 17, mais aberto, ele desistindo de olhar e saindo de quadro. Na hora de filmar, faltava um figurante pra fazer - de novo - o guarda-chuva indicador, eu olhei em volta e vi o Pedrão Girardello subindo a rua da Praia. Era ele, não tinha dúvida! E foi ele. Depois me dei conta que ele tava de aniversário. No ensaio, o Werner fez uma palhaçada: cumprimentou ele, que ficou sem jeito, não sabendo se era aquilo que era pra acontecer. Filmamos uma vez só e deu. Já eram 11:24, a rua da Praia tava começando a se encher de gente e o sol tava querendo sair. O Carlos queria fazer os planos 3 e 5 (de dentro da Falk's e da Kosmos), mas não valia a pena por causa dos problemas de continuidade qua iam surgir. Passamos pro plano 8, dentro da Galeria Chaves, panorâmica nos discos da King's. (Tiramos alguns Elvis e botamos o último do Jethro Tull e outros mais modernos. Por mim, eu produziria cada disco.) Fizemos duas vezes, porque o chão da galeira é muito instável e o Roberto ficou com medo que ficasse tremido o movimento de câmara. Terminamos ao meio-dia em ponto. Antes da filmagem, eu passei na Curt e deixei os rolinhos 24-27, mais o de testes. A Martinha teve que ficar pra falar com a Marília sobre os figurinos e terminou perdendo aula de novo. Eu também perdi. A sombrinha pra menina da rua da Praia tava com a Suzi (é dela, diga-se de passagem) e só pintou às 9:30. Resumo do dia: ROLO 28: (cont) (2) 11, 14, 13/16A, 13/16B, 12A, 12B, 12C, 15A, 15B, 15C, 15D, 17, 8A. ROLO 29: (2) 8B. (22 pés) Não teve som, embora desse pra gravar ambientes. Martinha bateu fotos de cena. A tarde foi livre porque talvez tivesse edição do "B de Brasil" (acabou não tendo). Tinha sido prevista pras 18:00 a filmagem da cena 86 (porteiro eletrônico) com a Martinha e a Luciene, mas já tava desmarcada desde domingo por causa da missa de sétimo (?) dia da morte do pai do Carlos. Noite, ensaio dos grupos. A produtividade tá diminuindo: filmados 23 rolinhos na primeira semana, e só 5 rolinhos nos quinze dias seguintes. *** 17/08 ter 14:30 Reunião de decupagem na Cabral. Eu, Carlos, Alex. Roberto chegou na metade. Decupamos a cena 17 (PUC), com grande parte dela em cima da idéia "godardiana" do Alex: quatro planos abertos consecutivos, enquadramentos iguais, câmara parada, os dois caminhando e conversando, entrando e saindo de quadro, da direita pra esquerda, como se fossem quatro câmaras dispostas em linha e paralelamente ao movimento dos personagens. Vai ficar piradíssimo. Mas difícil. A Luciana pintou e deu algumas notícias: ainda não chegou a autorização do Consulado; nada de novo sobre as passagens, ela vai na Honda amanhã. Parece que a tendência é ir de ônibus, mesmo pagando pra caralho. É o tipo da coisa que não adianta discutir: eu acho que ir de carro seria muito mais barato e inclusive mais interessante, mas, como eu sou o único que não dirige, não convém insistir nesse ponto. Claro que não dá pra perder tempo, mas gastar vinte mil a mais pra não ficar cansado me parece frescura. De qualquer jeito, a decisão tem que sair até amanhã. Quanto aos filmes, que tão acabando (temos só mais cinco rolinhos e meio), pintou outra possibilidade: comprar o pacote que o Roberto e o Amon receberam da Kodak. Em termos de filmagem, terça-feira, dia morto: Werner em novo Hamburgo. *** 18/08 qua 10:30 Alex me acordou às 9:45, ainda deu pra tomar um banho rápido e passar no Werner, pra pegar carona no Passat da Luciene. Chegamos na PUC pouco depois da hora marcada, mais algumas amarrações de praxe e começamos a filmar a cena 17 (PUC) às 11:10. Filmamos toda a primeira parte (Herói e Mariana sentados no murinho em frente ao Direito) com sol direto, fotometragens variando entre 4 e 5.6. Saco era que o céu tava cheio de nuvens pequenas, e a luz ia e vinha, e por isso várias vezes tivemos que parar tudo pra esperar uma nuvem passar. Começamos pelo plano 4, as duas colegas da Mariana cochichando maliciosamente. Quem fez foram duas alunas do Carlos, parece que duas freiras, tem que pedir os nomes pra botar nos créditos (ou não). Depois o plano 2, movimento, e a Mariana se aproximando do Herói. Sem problemas. Aí, o Carlos queria fazer o plano 15, intermediário pra segunda parte da cena (os dois caminhando e conversando), porque é o o plano que mostra eles se levantando e dobrando a esquina. Mas era um plano aberto, e tinha que mostrar, em volta deles, um movimento semelhante ao do plano 2. Mas aí já eram 11:30 e não tinha quase ninguém no local. Optamos por continuar a filmar a primeira parte, e deixar o plano 15 pras 13:30, quando haveria o movimento do turno da tarde. O plano 1, só o Herói sentado, foi filmado duas vezes, porque eu achei a primeira muito curta. Em vez da "três tabelas" do Alex, conseguimos um enorme banquinho "quatro tabelas", onde dava pra sentar, além do fotógrafo, o diretor, o assistente e o operador de som. (A Martinha foi na filmagem, pra conferir os figurinos e levar o Figurino da Luciene, mas saiu antes do meio-dia.) Plano 3/5, os dois, início do papo. Plano 6/8, close dela, sem problemas. Plano 7/9, close dele, duas vezes, sendo a segundo só pra acabar o rolinho. Plano 10, discussão sobre horóscopo, duas vezes, porque a primeira ficou incompleta. Plano 11/13, close dela, "tá pensando que eu sou burra?", duas vezes, de novo porque a primeira ficou incompleta, mas agora pintou uma nuvem durante a filmagem. Plano 12, close dele, quieto, olhando pra ela, sem problemas. Plano 14, os dois de frente, o Alex queria mudar o ângulo, eu também, mas o Carlos tinha razão: melhor deixar como estava na decupagem, de frente. E foi o que nos salvou, porque deu pra pegar até eles saindo de quadro. Eram 12:31 e ainda não dava pra fazer o plano 15. Pulamos pro 16, e nesse momento o sol sumiu completamente - inclusive, ameaçando chuva. Concordamos que não tinha problema: a partir daí, filmaríamos toda a seqüência na sombra. Fizemos os planos do Alex (16, 17, 18 e 19), uma vez cada um, em 38 minutos. Já o plano final foi mais complicado, tava começando a chover e implicava uma correção de foco muito perigosa. Tava prevista também uma correção de quadro na zoom, enquanto os dois se aproximavam, mas foi eliminada pelo Carlos na hora, depois de muito ensaio, pra simplificar. (Além de tudo, a Luciene tinha um ponte às 14:00 na casa do Max, pra transar patrocínio pra peça do Faltou o João.) O movimento de câmara final, pra tirar eles de quadro e dar a passagem pra cena seguinte, que estava previsto só pela metade na decupagem, terminou sendo em direção às nuvens, e ganhou um novo significado: no momento em que eles tão planejando ir pra praia, o tempo fica carregado. Fizemos duas vezes o plano todo, porque na primeira o Roberto viu claramente um cara passar e olhar direto pra câmara e num momento importante. Ainda íamos filmar o plano 15 (eram 13:41 e tinha movimento na frente do Direito), mas seria ridículo: tava escuro, quase chovendo, e a idéia era cortar (do 14 pro 15) no movimento deles se levantando. Como eles tinham saído de quadro no plano 14, e entrado em quadro no 16 (sem problemas de eixo), determinamos que o plano 15 era dispensável e voltamos pro Centro. Seis no carro da Luciene, que desistiu de ir no Max. Almoçamos nos táxis (Venâncio Aires) e planejamos continuar filmando à tarde - tava nublado, dava pra fazer a cena 6 (telefonema), plano 1 da cena 8 (empregada) e cena 73 (cheeseburger). Mas desistimos porque o Werner ainda nem tinha batido as fotos pra Carteira de Identidade, dois dias antes da gente sair pra Montevidéu. Consultei o diário de filmagem e lembrei: dia 14 de julho eu disse pra ele que ele deveria providenciar a carteira urgentemente. 35 dias atrás. Ele se desculpou: mas no dia seguinte eu fui pro Rio. Desistimos de filmar qualquer coisa de tarde, porque a chuva parou, e também não dava pra fazer o plano 7 da cena 2 (guarda-chuvas na rua da Praia), nem a cena 44 (imagens de inverno). Eu e o Alex fomos no Curt, no Centro. Estupidez 1: esqueci os canhotos dos rolinhos 24-27, mais o de testes. Mesmo assim, desdobrei os caras, entreguei pra revelar os rolinhos 28-31 e retirei os outros no papo. Mas, na hora de pagar, estupidez 2: esqueci a grana em casa (ou paguei a mais no restaurante?) Saímos sem os rolinhos, fomos no Grübber pegar o projetor e a coladeira (ele tinha usado na projeção do "Coisa na roda", domingo, em Pelotas, e eu esqueci de pedir pra ele deixar na minha casa durante a semana), e talvez até um Barão emprestado até o dia seguinte. Ele não tava. Deixamos um bilhete. Descemos a rua da Praia e pintou o Tonho Corazza, que me emprestou o Barão que faltava. Fomos pra casa. Quando resolvi pagar o Tonho, quase cometo a estupidez 3: botei a grana num envelope de revelação, juntei com os outros envelopes usados e joguei tudo no lixo. Já ia saindo e resolvi conferir. Paguei o Tonho. Comprei outro filme Tri-X 36 poses. Voltei pra casa. Às 19:15, távamos eu, Carlos, Alex, Luciana, Hugo, Martinha, Roberto e Lale - todo mundo querendo ver os rolinhos, mas sem projetor. Fomos (Martinha, Carlos, Alex, eu) de novo no Grübber. Ele não tinha passado em casa, mas a Ita nos entregou o material. De novo pra casa. A Lale foi embora. O Werner chegou na hora. Passamos os rolinhos. A cena 1 tá fechada: já tem material suficiente pra montagem - e pruma montagem legal. A cena do Vitória apresentou de novo aqueles problemas: alguns planos meio escuros (não o suficiente pra exigir uma refilmagem), algumas inexplicáveis indefinições de foco, filme amassado. E as mesmas discussões das outras vezes: o Werner dizendo que a câmara tá estragada, o Roberto dizendo que o filme tava mal acondicionado, o Carlos dizendo que tá tudo ótimo, etc. Depois que o Werner foi embora, deu pra levantar um pouco o astral: passamos de novo os rolinhos 1 a 24, e deu pra ver que os problemas de filme amassado sumiram. E que a qualidade geral do material filmado tá boa. Não tá excelente, mas tá bem mais do que razoável. Tá boa. O resto é 35mm, ou sonho. Resumo do dia: ROLO 29: (cont) (17) 4, 2, 1A (curto), 1B, 3/5, 6/8, 7/9A, 7/9B (pra acabar o rolo). ROLO 30: (17) 10A (incompleta), 10B, 11/13A (queda de luz), 11/13B, 12, 14, 16. ROLO 31: (17) 17, 18, 19, 20A (um cara olhou pra câmara, foco). ROLO 32: (17) 20B (22 pés). FITA II/DIAL: (17) 10A, 10B, 11/13A, 11/13B, 14, 16, 16 (memória), 17, 17 (memória), 18, 18 (memória), 19, 19 (memória), 20A, 20B, 20 (memória). Não gravei ambientes. Martinha e Carlos bateram fotos de cena. *** 19/08 qui 19:00 Tinha reunião na Cabral, pra acertar os últimos preparativos pra viagem. Mas só pintamos eu, o Carlos e a Luciana. O Alex falou que, não sendo reunião de decupagem, ele não tinha por que vir. A Martinha, também, não tinha muito o que fazer. Saímos, então, atrás do Werner e do Roberto: não conseguimos achar o Roberto, deixamos dois bilhetes pra ele, um na casa da Lale, outro na do Luciano, ele tá se mudando duma pra outra e nunca se sabe; infelizmente, achamos o Werner no ensaio do Faltou o João - e ele não conseguiu tirar a carteira de identidade hoje de tarde. A Luciana ficou puta da cara - e com toda razão: imagina se, depois de todo o trabalho que ela teve junto ao Consulado e às empresas de ônibus, a viagem não pudesse sair por irresponsabilidade do Werner. Mas a Super-Walderez salvou o filme: depois de algumas tentativas, consegui encontrar ela em casa, e ela me garantiu que dava pra conseguir a carteira até o final da tarde de sexta-feira. Comemorei abrindo a canela no para-choque do fuca do Carlos. (Antes disso: de manhã, deixei grana pra mãe comprar rango pra viagem.) *** 20/08 sex Que dia! Não dormi. Passei a noite tentando escrever o "Quizumba" e não terminei. Me encostei um pouco no colchão às 6:20, mas o Roberto apareceu às 7:30 pra deixar a carteira de identidade dele. Acordei o Werner, chegamos às 8:20 no Instituto de Identificação, mas a Walderez só chegaria depois das 11:00. Voltamos pra casa do Werner, pra tomar café, e fomos de novo pra Polícia pouco antes das 11:00. A impressão era de que a gente tinha estado lá no dia anterior, e não duas horas e pouco antes. Chá de banco até as 12:20, e o Werner me deu carona pra casa da mãe. Almocei correndo, enquanto atendia o telefone (Roberto, Luciana, Carlos, Sérgio, Roberto de novo) pra acertar as últimas pontes. Táxi pra Justiça do Trabalho, tinha que chegar lá às 13:00, tinha audiência do Garcez às 13:30. Atrasou o processo, só saí de lá às 15:15. Táxi pra minha mãe, pegar o rango (duas enormes bandejas de galinha com farofa, uma dúzia de ovos cozidos, um pastelão de galinha feito em forma grande e um pão de sanduíche inteiro recheado com presunto e queijo). Outro táxi pra Cabral. Arrumei as coisas e comecei a datilografar o "Quizumba", mesmo sem ter terminado. Acabei entregando as três primeiras páginas e a minha garantia de que na segunda-feira o grupo receberia o resto. Às 17:30 chegaram o Carlos, a Martinha, a Luciana; Roberto, um pouco mais tarde. Às 18:00 fui com a Martinha pegar o Werner pra ir de novo na Polícia. Chegamos lá às 18:30, mas a carteira só foi entregue às 19:25. O ônibus saía às 20:00, mas (teoricamente) era pra todos os passageiros retirarem as suas passagens (com a carteira de identidade) as 19:00. Por incrível que pareça, chegamos a tempo. No ônibus, dormi todo o tempo. *** 21/08 sab 3:00 De madrugada dentro do ônibus. Logo depois da aduana, fizemos a decupagem das cenas "uruguaias" do filme. 27 planos. Não é muito. Ainda deu pra dormir mais um pouco antes da chegada. Enquanto eu dormia, Roberto filmou planos da cidade, de dentro do ônibus. Começamos a filmar às 8:30, a partir da cena 55 (chegada). 7 planos, praticamente na ordem de montagem, sem nenhuma repetição e em pouco mais de 50 minutos. Pro plano 1, tivemos que cantar o motorista do ônibus (da Honda) a girar a plaquinha, que dizia "Durazno", até "Montevideo". No movimento de câmara, antes do corte, ele já tinha voltado pra "Durazno". O plano 2 foi feito atrás dos ônibus, uma bonita "virada" de eixo. Do plano 3 em diante, filmamos na Plaza Libertad, falseando várias vezes as posições dos dois (Werner e Luciana). Já estávamos acabando a cena quando apareceu o nosso amigo Eduardo de Marco, da DINARP (Divisão Nacional de Relações Públicas), que nos acompanhou durante algum tempo. Eram 9:30 da manhã e começamos a procurar locações ali perto pra fazer a cena 56. Fizemos só o plano 1, Werner e Luciana caminhando pra casa, duas vezes, em ruas diferentes, pra ver qual ficava mais bonita. A idéia original era passar direto pra cena 68 (ele indo embora), já que as outras podiam ser feitas em qualquer lugar da cidade. Mas o problema era o figurino da Luciana: daria um trabalho desnecessário se ela tivesse que trocar duas vezes. Nosso amigo "Edgardo, o fotômetro" nos levou até a Praça do Entrevero, e filmamos a cena 62. A Luciana se surpreendeu com a minha simpatia (conversando com o Edgardo, mais pra quebrar o gelo que qualquer outra coisa) e eu falei: Foi o cinema que me deixou assim. (Mentira, claro!) A cena 62 foi uma sucessão de cartões postais - o que desagradou o Werner, mas era pra ser isso mesmo. Repetimos o plano 2 porque o Carlos não gostou do olhar do Werner. Repetimos o plano 3 porque o movimento de câmara foi interrompido no meio. Era sábado de manhã e os incansáveis governantes dessa pátria irmã programaram para seus cidadãos uma retreta, animada por um grupamento muito semelhante à Banda da Brigada Militar, exatamente na praça onde a gente tava filmando. O Roberto aproveitou e fez vários planos mostrando a banda, enquanto eu e o Carlos procurávamos um bom edifício residencial para fazer o plano 2 da cena 56 (e ser, portanto, o edifício onde mora Isabel). Nosso próprio anfitrião indicou o "Residencial Libertad" (o tipo de ironia que o Roberto queria), e fizemos duas alternativas, para usar em função do eixo dos planos anteriores (em cada uma, eles entravam em quadro por um lado). Resolvemos fazer uma cena do Herói sentado num café, tomando outro. Eram 11:00, e filmamos primeiro de fora, depois de dentro. Deve ter ficado bonito. Aproveitamos e tomamos um café, felizmente pago pelo Edgardo, porque os preços são todos extremamente caros para nós. (Coca-cola a Cr$ 300,00; um doce a Cr$ 400,00; meia taça de café com leite a Cr$ 250,00; entrada de cinema a Cr$ 780,00; ônibus a Cr$ 100,00; gasolina a Cr$ 240,00 o litro; e assim por diante.) Na deixa, nosso amigo puxou um papo esquisitíssimo sobre dólares. (Acho que ele tava sondando pra ver se a gente não era "doleiro", e tava só disfarçando com essa história de filme.) Depois, ele se despediu e prometeu mandar um substituto à tarde. Voltamos à Praça Libertad pra fazer a cena 68 (despedida). Luciana mudou de roupa. Plano 1 sem problemas, eles entrando no meio dos ônibus parados, bonito enquadramento. Plano 2, a despedida propriamente dita, tivemos que fazer três vezes - a primeira ficou muito formal, na segunda um velho idiota olhou pra câmara. Plano 3, close dele, sem problemas, e o Carlos bateu a foto pra, mais tarde, a gente fazer o plano 4. Fomos almoçar, invadindo um boteco ali perto com nossas galinhas com farofa, ovos cozidos e o que sobrou do pastelão e do pão recheado. Pra acompanhar, tivemos que comprar refrigerantes: só oito, pra cinco pessoas, e apesar da farofa. Resultado: tínhamos gastado Cr$ 2.000,00 de comida em Porto Alegre pra economizar, mas os refris saíram Cr$ 2.500,00. Voltamos à praça e a Luciana descobriu, de longe, o substituto do Edgardo: chamava-se Hector Cabral e tinha bem menos jeito de RP. mas agora a gente precisava do carro. Às 14:00 fizemos o plano único da cena 67, duas vezes pra mudar um pouco o enquadramento - eles caminhando em direção à câmara, árvores ao fundo, bonito. Tocamos pra praia. No meio do caminho tinha um paredão incrível, cheio de gaivotas em volta, e onde o mar batia com tal força que invadia a calçada, às vezes até o asfalto. Filmamos um plano do Werner parado, olhando pro mar, incrível. Pocitos não era o que a gente esperava: muito parecido com Copacabana. Voltamos pruma praia menor que a gente tinha visto no caminho e fizemos a cena 63. Alto trabalho: o plano 2 foi filmado três vezes: a primeira na versão do Carlos, de cima da calçada, mostrando ele descendo as escadas e indo até a beira da praia; as outras duas (uma delas interrompida no meio) conforme a preferência do Roberto, com a câmara na areia, pegando ele em pan horizontal. Plano 3, também 3 vezes (ele caminhando na beira da praia, de frente pra câmara) - a primeira ficou incompleta, a terceira foi uma alternativa de foco - ele parado, olhando pro mar. Voltamos pro paredão e filmamos ele e as gaivotas mais de perto; desta vez, o Werner levou um banho, ficou todo molhado. Pro Centro de novo, sempre no Falcon do governo. Plano 1 da cena 62, ele vendo os doces na vitrine. Plano 1 da cena 65, ele entrando num cinema. Plano 2 da cena 62, outra vitrine, agora da Lenceria Marianne. (O Werner gostou da ironia. Eu também.) Filmamos duas vezes, porque na primeira ele não olhou pro nome da loja. Outro cinema, duas vezes por causa do enquadramento. Cena 59, ele comprando jornal, duas vezes porque na primeira toda a população de Montevidéu olhou pra câmara. Eram 16:20 e, depois de várias tentativas de fazer a cena 60 (ele conversando com um velho de chapéu, mas todos os velhos de chapéu se recusavam), passamos à cena 58 (ele caminhando no Centro). Fizemos duas alternativas: numa ele entra em quadro entre a câmara e a placa da avenida 18 de Julio; na outra ele vem vindo de longe, ao lado de um prédio velho e cor-de-rosa. Voltamos à cena 65, ele entrando em mais dois cinemas. os filmes escolhidos foram terríveis: "Todo fogo todo llama" (dir. Jean-Paul Rappeneau, com Yves Montand), "Ciudadano bajo sospecha" (italiano, com Lino Ventura), Rocky III (imbecilidade americana, com Sylvester Stallone) e um outro de ficção científica do qual eu nem lembro o nome. Provavelmente, o único filme bom que tava passando na cidade era o "Dama das camélias", mas era longe do Centro e todos acharam que não valia a pena. Por último, a estratégia-mor: escondemos a câmara entre dois postes e um carro, e o Werner foi pro outro lado da rua aguardar a chegada de um velho de chapéu. Foi instantâneo, não deu nem pra acertar o foco direito, e deve ter ficado tri-bonito. Dispensamos o segundo fotômetro, bastante automático, por sinal. Eram 17:00 e tava tudo filmado. Que fazer até as 22:30 (horário de saída do ônibus), sem dinheiro e morrendo de frio? Demos umas voltas pelo Centro, o Werner e a Luciana trocaram dinheiro e compraram doces, fomos prum café e batemos o recorde mundial de permanência num recinto comercial com o mínimo de consumo. Discutimos até posições existenciais face à vida (!) Roberto pegou o ônibus pra pegar o barco pra Buenos Aires. O Werner não quis jogar fliperama, preferiu guardar a grana que sobrou pra comprar um pacotinho de amendoim doce. No terminal da TTL, encontramos os doleiros que tinham vindo junto conosco na ida, e que tinham perdido todos os documentos e inclusive as passagens de volta. (Tiveram que comprar de novo, ao dobro do preço, e devem ter perdido todo o lucro da viagem.) Na viagem, jogamos Dica até o Werner pegar no sono, por cansaço ou desmoralização: ele ensinou o jogo, eu e o Carlos ganhamos dele e da Luciana por 8x3. Resumo do dia: ROLO 33: (sem claquete) Chegando na cidade, do ônibus, vários planos. (55) 1, 2, 3. ROLO 34: (55) 5, 4, 6, nuvens, 7. (56) 1A, 1B. (62) 1, 2A (olhar), 2B. ROLO 35: (62) 3A (só o início), banda, 3B, 4. (56) 2A, 2B (eixos alternativos). Cena do café (de fora). ROLO 36: cena do café (de dentro), velhos, bandeira, nuvens. (68) 1, 2A (formal), 2B (incompleto), 2C. (67) 1A, 1B. ROLO 37: (63) 7, 6, Pocitos, 1, velho e navio, 2A (de cima), 2B (de baixo). ROLO 38: (63) 2c, velha com cachorro, 3A (incompleto), 3B, 3C (alternativo - ele parado), 4, 5A, 5B, 5C, 5D. ROLO 39: (61) 1 (biscoitos), colegiais. (65) 1. (61) 2A, 2B (Marianne - na primeira ele olhou errado). (65) 2A, 2B (enquadramento). (59) 1A (olhou pra câmara), 1B. (58) 1A, 1B, velhos. ROLO 40: (65) 3, 4. (60) 1. (20 pés) Nada de som; não tinha diálogos, não levei equipamento pra gravar ambientes. Carlos bateu fotos de cena. *** 22/08 dom 10:00 Domingão. Chegamos em Porto Alegre morrendo de cansaço. Nem falar em filmagens. Sugestão do Nelson: pensar em refazer (ou melhor, fazer outro) "Quizumba" pra esta semana. Martinha se mudou. *** 23/08 seg 19:00 Sessão de rolinhos na Cabral. Busquei no Curt de tarde, e já deixei os de Montevidéu. Outra confusão pra buscar o projetor no Grübber. Falta de tempo: só fui terminar de escrever o "Quizumba" depois da sessão, exatamente na hora de correr pro ensaio do Vende-se Sonhos. Pior: o Carlos esqueceu de dizer pro Werner pegar a coladeira, tivemos que ver os rolinhos um por um. Eram quatro (28, 29, 30, 31). Mais confirmações do que constatações: os três primeiros planos da cena final ficaram meio escuros, mas bonitos; dá pra usar. Com uma boa montagem, não tem espectador que não engula que tá chovendo na cena da rua da Praia. O visual da menina é que realmente não chama atenção - eu sou a favor de fazer de novo. A cena da PUC tá legal, alguns enquadramentos podiam ser melhores, mas é isso aí. Não deu pra ver a segunda versão do último plano da cena, porque tá num rolinho ainda não totalmente rodado. Motivo de apreensão, porque a primeira versão tá com foco crítico. *** 25/08 qua 14:30 Tava marcada (de novo) a refilmagem da segunda parte da cena 71 (Independência). Mas o calor que pintou foi tão forte que seria ridículo botar o Werner e a Martinha de pulôveres contra um fundo cheio de pessoas vestidas de manga curta. Eu queria jogar futebol, o Carlos queria dormir, o Werner queria fazer faxina na casa dele. Acabamos indo eu, Carlos e Alex pra Cabral, pruma reunião de cronograma. Marcamos várias pontes pros próximos dias, até o fim-de-semana. Mas o tempo parece que não tá muito a fim de colaborar. Carlos mostrou contato das fotos de cena (boas!), mas falta pepel pra ampliá-las. *** 26/08 qui 18:30 Às 14:00, se chovesse, tava marcada filmagem da cena 44 (inverno) e do plano 7 da cena 2 (rua da Praia - guarda-chuvas). Não choveu. Às 17:00, se estivesse nublado, tinha filmagem da cena 73 (cheeseburger). Não nublou. Sobrou então a opção das 18:30, cena 86 (porteiro eletrônico), desde que não começasse a chover. Antes disso, busquei os rolinhos de Montevidéu no Curt, comprei um rolo Ektachrome 160 ASA, comprei um filme Tri-X 135/36, desisti de comprar uma caixa de papel fotográfico F-3 peso simples (tava mais de 9 mil), fui em casa, emendei todos os rolinhos num carretel grande, juntei todo o material de som e luz e me mandei pro edifício da Xala. Morrendo de medo que a chuva chegasse antes do resto da equipe. Como o Roberto ainda não chegou de Buenos Aires, o próprio Carlos faz a câmara. Se bem que o Werner veio assistir à filmagem, numa atitude muito suspeita. Acho que ele tava a fim de pegar a câmara. Deu mais de meia-hora de preparativos, mas a filmagem propriamente dita foi em cinco minutos. Começamos pelo plano-seqüência 1-3, duas vezes porque na primeira a Martinha e a Luciene pareciam velhas amigas se olhando. Depois, o plano 2, detalhe da Martinha apertando o botão. A luz foi transada graças a uma enorme extensão (+- 30 metros) que eu e o Alex enjambramos na hora, e que puxava a força de dentro do edifício, lá no fundo do corredor. O Alex segurando 1000 W de cima do muro, dirigindo pra baixo, o Werner segurando 600 W de baixo da câmara, virado pra cima. Sombras praticamente eliminadas. Diafragma fechado meio ponto em relação ao automático. Depois, ainda fizemos o plano 1 da cena 88 (a calçada seca, começa a chover, passam umas botas na frente). Pedimos pra Ivonete um balde com água , pra respingar a "chuva" simulada. Alguns vizinhos reclamaram muito, deu pra sacar que o edifício é tremendamente baixo-astral. E ainda tem algumas filmagens importantes aqui. Fizemos o plano três vezes, por não saber controlar tanta coisa ao mesmo tempo. Luz: 1000 W, quase de cima. Diafragma fechado meio ponto nas duas primeiras, e igual ao automático na terceira. Na última vez, os elementos tavam mais sob controle, mas caiu um contato das fotos de cena (proveniente da pasta que o Alex tava usando pra fazer o vento) bem no meio do quadro. Aí, acabou o rolinho. Deixamos assim mesmo. Às 20:00, sessão dos rolinhos de Montevidéu. Aleluia! Tá bonito pra caralho. Pouquíssimas exceções: foco meio impreciso em (65) 1; pouca luz em (63) 1; uma quebra de eixo entre (61) 1 e (62) 2. Mas tudo dá pra ser resolvido. Tem material de montagem de sobra. A cor ficou bem melhor do que se esperava. Ainda não vimos o rolo 40, que não rodou até o fim. De resto, um alívio geral. Tanto que a reunião de decupagem, que era pra sair depois, degenerou em jogo de Dica, depois em bauru no Trianon. Não saiu nada. Resumo do dia: ROLO 41 (160 ASA): (86) 1/3A (olhares), 1/3B, 2. (88) 1A, 1B, 1C. FITA II/DIAL: (86) 1/3A, 1/3B. Sem ambientes. Sem fotos de cena. *** 27/08 sex De manhã e de tarde tava meio nublado, dava pra ter filmado alguma coisa. mas de manhã o Carlos tinha aula, e de tarde o Carlos e o Alex tinham gravação do "Pra começo de conversa" na TVE (gravação essa, aliás, que acabou não saindo). De noite, a única opção era a chuva, pra cena 88 - plano 2. Não choveu. E fez um calor filho da puta o dia inteiro. Muito tempo desperdiçado, assim não dá. O Carlos ainda queria fazer um Testão à meia-noite, mas eu cortei em função da perspectiva de filmar durante todo o dia de sábado. De tarde, levei o rolo 41 no Curt. *** 28/08 sab Sábado de verão. Mesmo. Acordei às oito e pouco, com a chegada do Alex, depois o Carlos e por fim o Werner. Olhamos pro céu: azul de ponta a ponta. Temperatura: incompatível com o título do filme. Filmagens transferidas pra amanhã. Acho que esse calor é praga do Roberto, pra gente não filmar sem ele. *** 29/08 dom Tudo bem: sol o dia inteiro, de novo. O Carlos ainda pintou de manhã, mais por desencargo de consciência. Conclusão unânime: não dá. Mas, pô, de noite choveu. E eram exatamente estas as circunstâncias pra fazer o plano 2 da cena 88. E daí? Por que não foi feito? Vamos esperar que chova no dia em que a gente planejou? Tou puto da cara. Fiquei sabendo que o Roberto já voltou. Madrugada: carvoando. *** 30/08 seg 8:00 Amanheceu chovendo. Passei na casa do Carlos às 8:00 e não tinha ninguém. Fui pra casa e fiquei esperando. Ele só foi aparecer depois das 9:30 (o carro tava inundado, no meio de uma rua alagada). Fomos no Werner e marcamos a filmagem das cenas finais (92/93/94/95) pra parte da tarde. Eu e o Carlos fomos até a oficina, ele deixou a chave do carro com o mecânico e fomos correndo pro Centro, antes que parasse a chuva. Não adiantou. Chegamos na rua da Praia quando não caía mais nenhum pingo. Ninguém de guarda-chuva na rua. Ainda assim, resolvemos subir em um edifício de onde parecia ter uma vista legal do calçadão. Fizemos algumas tomadas (todas com câmara na mão) do plano 7 da cena 2 (guarda-chuvas na rua da Praia), graças ao senhor Rubens Rosenhen, porteiro do prédio, que nos levou até o terraço numa boa. E até que deu, porque, quando a gente tava lá em cima, pintou uma chuvinha e alguns guarda-chuvas. Mas é claro que, assim que a gente desceu, a chuva ficou forte pra caralho. Resolvemos aproveitar e filmar a cena 44 (inverno). No caminho, deixei o rolo 32 no Curt. Fomos até a casa do Hugo, pegar um guarda-chuva. Fizemos algumas tomadas ali mesmo, com tripé, da porta do edifício e da janela do apê. Depois, saímos pra rua, pra fazer tomadas das imediações. A pé, com um guarda-chuva só e chovendo pra caralho. Como eu protegia mais a câmara (e o Carlos) fiquei extremamente molhado. Mas saiu. Não sei é se tinha luz suficiente. Eu (completamente encharcado) e o Carlos (um pouco molhado) pegamos um táxi pras respectivas mães. Marcamos filmagem pra depois do almoço, 14:30 no edifício da Xala, a cena final (92/93/94/95). Pela segunda vez, aconteceu o óbvio: parou de chover quando a gente chegou. E não dava pra fazer mais nada, apesar do céu nublado, porque o chão tava todo molhado - e não tem nenhuma cena no filme que se passe "depois" de uma chuva. Esperamos até as quatro e deu. De noite, ensaio do "Quizumba". Madrugada, novamente carvoando, até cansar. Resumo do dia: ROLO 32: (cont) (2) 7 (várias versões alternativas). ROLO 40: (cont) (44) do #ônibus; com tripé, da Cristóvão. ROLO 42: (44) câmara na mão, perto da Cristóvão. Sem som, sem fotos de cena. *** 31/08 ter Terça-feira, como sempre, dia inútil. Werner o dia inteiro em Novo Hamburgo. De noite, eu e a Martinha na gravação do "Quizumba". De tarde busquei o rolo 41, e deixei o 40 e o 42. Terminei o roteiro do carvão (de novo). Não tive tempo de ver o 41. Fechei o livro-caixa do segundo mês: até agora entraram 219 mil (100 da Martinha, 52 do "Coisa na roda", 40 do Tonho, 24 meus e 3 do Carlos) e saíram 169 mil. Sem contar os 10 rolinhos do Roberto, que a gente ainda não decidiu como pagar. *** 01/09 qua 14:30 Aqueles dias em que dá tudo errado. Foda mesmo. De manhã tava ótimo pra filmar as cenas nubladas (sempre as mesmas: cena 6, plano 1 da cena 8, cena 73), mas tinha a porra da aula do Carlos na PUC. Ao meio-dia, todo mundo se telefonou pra confirmar, mesmo a ponte tando marcada desde o dia anterior: 14:30 no Ponto Doce. Tava nublado, mas podia acontecer de abrir o sol e a gente filmar a cena 71 (Independência); senão, as de sempre. Todo mundo se telefonou - menos o Werner. Mas também não era motivo pra preocupação: ele sabia que tinha filmagem marcada, e certamente estaria ou passaria em casa antes da hora. Ledo engano. Cheguei na casa dele e tinha o seguinte bilhete: "Esperei até 11:50. Não apareceu ninguém. Me vou." Às 15:00 távamos eu, Carlos, Martinha, Luciana, Roberto, Alex e Luciene esperando o Werner na frente do Ponto Doce, quando aparece o Horácio e uma equipe da TVE, pra gravar a gente filmando. A solução foi cascatear a cena do porteiro eletrônico, na Xala, enquanto eu ia de novo no Werner pra trocar os recados. Cheguei na Xala quando o pessoal tava guardando o equipamento. Separamo-nos: a Luciene ficou porque tinha reunião de produção do "Priscas Eras", o Roberto e o Alex foram pra Cabral, o Carlos e a Luciana foram na oficina buscar o carro do Carlos, eu e a Martinha fomos buscar o rolo 32 no Curt. Armamos tudo pra filmar a cena da Independência (eram 16:30, ainda tinha luz). Mas o Carlos não voltava da oficina, e ele tinha ficado com todo o equipamento. Chegou às 16:45, e tava nublado de novo. Decidimos fazer a cena 73 (cheeseburger). Fomos pro local. Mas o movimento de câmara previsto pro plano 1 não ia ficar legal, não tinha nuvens na direção certa. Por sorte, a menos de vinte metros de distância tinha outro trailer, virado pro lado certo. Mas aí aconteceu o seguinte: abriu o tempo de novo, as nuvens sumiram, suprimimos o movimento de câmara. E fizemos a cena toda em pouco mais de quinze minutos. Primeiro o plano 1, geral do trailer, câmara fixa, três vezes: a primeira ficou legal mas talvez desse pra melhorar os movimentos externos (carros, pessoas na rua); na segunda um velho (certamente veado) olhou pra câmara. Depois o plano 2/4, Herói tomando a Pepsi, terminando o cheese, olhando o relógio e indo embora. Duas vezes, porque na primeira o Werner se esqueceu de olhar pro relógio. Com um detalhe: tivemos que comprar outro cheese e outra Pepsi pra segunda tomada. Por último, detalhe do relógio, também duas vezes: na primeira o Roberto achou que o Werner tirou a mão muito rápido. Fizemos com o relógio do Carlos, indicando 18:10 (eram 17:27), apesar de que o Werner e a Luciana queriam que o personagem usasse relógio de bolso. Problema de figurino: o casaco que era pro Werner ter enrolado na bolsa era da Monica, e não pintou: a Monica foi viajar há uma semana com ele. Continuidade com a cena 71 (Milton não), já filmada, pelo menos a primeira parte. Resolvemos assim: usamos um casaco do Carlos, parecido. Antes de sair, o Roberto ainda filmou um plano da lua atrás de uns galhos. Bonito, mas talvez inútil. Não sei. Chegamos em casa pra ver os rolinhos, e outra lua, agora com fios elétricos fazendo um contorno legal. Os rolinhos: o plano final da PUC ficou legal, apesar do foco crítico, mas era bom tirar fora o movimento de câmara final (deu luz demais no céu, as nuvens ficaram sem volume - e sem sentido). Os guarda-chuvas ficaram legais, mas muito escuros. Impossível usar no meio da cena 2. A cena do porteiro eletrônico passa, apesar da decupagem relaxada (não era pra plano-seqüência, pô!), da cor meio desbotada (160 ASA é isso aí) e da queda de voltagem numa das tomadas. Horrível mesmo ficou a chuva (plano 1 da cena 88), por dois motivos: a grossura dos pingos é desparelha; a queda deles é em grupos, não de um por um - a impressão que dá é exatamente esta: tem um monte de gente jogando água na calçada. Além do mais, as botas da Martinha apareceram demais, era pra enquadrar só os pés e pra passar mais rápido. Terrível. O Roberto queria rever Montevidéu, mas apareceram tantos riscos novos que a gente desistiu. O projetor deve estar riscando tudo, amanhã vou levar ele na Otofenic. Resumo do dia: ROLO 43: (73) 1A, 1B (velho olhou pra câmara), 1C (garantia), 2/4A (não olhou o relógio), 2/4B, 3A (tirou a mão muito rápido), 3B, lua, outra lua. (12 pés) Sem som, algumas fotos de cena. Outro lance: o Carlos botou na roda as fotos de cena já ampliadas - tem coisas ótimas, e a maioria é aproveitável. *** 02/09 qui 16:30 Passei a manhã correndo com o filme: levando projetor pra conserto, comprando lâmpada reserva, mandando fazer carimbo, comprando rolinho de filme, comparando preços de pacotes de filme. De tarde, sol, confirmamos a cena 71 (Independência), plea milésima vez. O Werner só chegou às 17:00. E aí o Carlos se lembrou que não tinha trazido o casaco dele (que substituía o da Monica), apesar da filmagem de ontem. Enfim, começamos a filmar às 17:13, quase o mesmo horário que da outra vez. E da outra vez não teve luz. E o movimento pavoroso da hora do pico atrapalhou tudo. Desta vez, talvez tenha tido luz (a filmagem foi feita em 25 minutos), mas o movimento atrapalhou demais. Não sei o que escrever, por mim não teria saído esta filmagem hoje, com estas condições. Não entendi nada. Começamos pelo plano 7, o ônibus saindo. Três vezes: na primeira o ônibus demorou demais; na segunda o Roberto acha que mudou um pouquinho o foco sem querer quando foi fechar o zoom; na terceira um cara ficou na frente do Werner, na hora em que ele foi telefonar. Eu fiz figuração, de pulôver, um calor incrível, todo mundo de manga curta na rua. Eu fiquei no telefone até o ônibus pintar. Voltamos pro plano 3, o início da seqüência, quase o mesmo quadro, eles entrando e conversando. Tive que ficar na fila do orelhão, esperando um alemão chato terminar de falar. Um pouco antes, um cara saiu com uma moto que tava estacionada, em quadro no plano 7. Fizemos o plano 3 três vezes, sei lá por quê. Plano 4, close do Werner, eu voltei pro orelhão. Plano 5, close dela, quase impossível de fazer pela quantidade de chatos que passavam na parada de ônibus. Duas vezes. Por último, o plano 6, peito-shot dos dois: quase sem luz, com um ângulo muito parecido com o do plano 7, e com um fundo absurdo: uma fial cada vez maior de pessoas na parada. Se deu certo, ótimo. Mas eu duvido. Fui com o Roberto até o Fógus, depois até o Grum, atrás do projetor 800 de que ele precisava pra projeção da "Palavra cão" à noite na PUC. Enquanto isso, Carlos, Luciana, Alex, Martinha e Hugo foram pra mãe do Carlos transar a refilmagem do plano 1 da cena 88. Cheguei lá, já tava tudo pronto. E deve ter ficado ótimo: a chuva transada com uma mangueira, dirigida bem pra cima, o vento provocado por um ventilador forte, a Martinha passando no lugar certo e rápido. Pode não ter ficado legal no filme, mas a produção foi perfeita. E, se der qualquer erro, a gente já sabe como produzir de novo. O Carlos fez a câmara. Ainda tentamos decupar alguma coisa à noite. Fizemos as cenas 39, 40 e 41. Mas a 42 (Siqueira Campos) ficou no início. Vai ser difícil. Resumo do dia: ROLO 44: (71) 7A, 7B, 7C. (88) 1B (incompleto), 1C (ótimo). ROLO 45: (71) 3A, 3B, 3C, 4, 5A, 5B, 6. (88) 1A (chuva muito fina). Não fiz som, nem diálogos, não teve fotos de cena. Caos. *** 03/09 sex O Carlos passou na Cabral no início da tarde. Fomos até o Centro resolver algumas coisas. Compramos 8 rolos 40 ASA, entregamos os rolos 44 e 45 no Curt, pegamos de volta os rolos 40 e 42 já revelados, buscamos o carimbo pras fotos de cena e compramos Dektol (também pras fotos de cena). Voltamos pra Cabral, assistimos os rolinhos que faltavam. O final de Montevidéu tá legal, perfeitamente utilizável. Quanto à cena 44, toda a parte que nós fizemos com tripé (no final do rolo 40) tá escura. A parte com câmara na mão (na rua, portanto com mais luz, teoricamente) ficou legal. Tem alguns planos escuros, mas a maioria dá pra aproveitar. Mas o principal é o seguinte: acho que não tem material suficiente pra passar um astral de inverno. As cenas bem poderiam ter sido rodadas no verão. Falta alguma coisa, talvez sem chuva, ainda a ser filmada. Terminamos de decupar a cena 42: vai ficar do caralho! *** 04/09 sab 9:30 É foda marcar ponte com tanta gente. Eu e a Martinha chegamos na frente do edifício da Deborah alguns minutos atrasados. A Soraia já tava lá. Logo depois, chegaram o Carlos e o Werner, depois o Marco, bem depois a Cleide. E, quando a gente já tava quase desistindo de ensaiar, o Fógus. O Alex não veio. O Roberto tinha dito mesmo que não vinha. Fomos até o famoso murinho da Siqueira Campos (o Carlos disse que tinha vários, mas só achamos um) e ensaiamos toda a cena. Na real, não tinha muito o que ensaiar, era mais pros atores pegarem o clima da cena, e pra gente marcar bem as posições de câmara. O texto era mínimo. Terminamos o ensaio às 11:40, meio exprimidos pela chegada de uma maratona do Correio. 14:30 Cagada 1: não foi salientado que era importante começar a filmar cedo, e os atores, ressabiados com o atraso da manhã, deram o troco; o Foguinho chegou até antes da hora, mas a Soraia chegou mais de uma hora atrasada. Cagada 2: desorganização de pontes. Nem eu nem a Martinha passamos na Cabral pra buscar o meu pulôver marrom (figurino do Werner), e o Carlos também esqueceu um casaco em casa. Mais um bom tempo perdido pra buscar essas coisas. Cagada 3: as gurias demoraram tempo demais se arrumando e se maquilando na casa da Deborah. Cagada 4: eu não me lembrei de avisar que era pra aprontar a Soraia primeiro, pra gente filmar antes os planos dos Tortos chegando. Por isso, a Martinha, a Cleide e a Soraia se aprontaram juntas, e chegaram às 16:10 no local de filmagem. Como o Fógus tinha viagem marcada pro final da tarde, começamos pelos planos dos Tortos chegando. Plano 11, plano 15 (close do Fógus) duas vezes porque na primeira tremeu a câmara, 16 (close da Soraia), 13 (de mãos dadas), 20 (do joelho pra baixo), 18 (do joelho pra cima). Ótimos planos, ótimo rendimento. O Werner dizia e repetia: "Isso não existe". E não existe mesmo; são personagens de pesadelo; o amor dos dois é uma coisa absolutamente imoral. A cara da Soraia tava demais. O Fógus, claro, tava com a mesma cara de sempre. O Alex disse que ia ficar como a chegada de Sir Lancelot no castelo em "Monty Python". Perfeito: era exatamente isso que a gente queria - eles chegam, chegam e não chegam nunca. Aproveitamos a posição da câmara pra fazer o plano 23 (o close da débil-Soraia, agora já na sombra, passando na frente dos outros personagens, indiferente aos desaforos do Milton-Marco). Depois, planos 22 e 25, as duas passagens nos Tortos na frente do Herói, em plano aberto, e o Marco se deitando. Ótimo. Mas o plano 25 teve que ser feito duas vezes: na primeira, o Werner riu com a fala do Marco. Tanto eu quanto o Carlos achávamos que ele tinha que ficar tenso, já que as falas do Marco eram o que ele tava pensando mas não tinha coragem de dizer. Em todo caso, perdemos mais alguns minutos discutindo isso. A essa altura, já eram 17:00 e o mais lógico seria filmar logo os contraplanos da cegada dos Tortos (isto é, os planos dos quatro sentados no murinho). Mas a viagem do Fógus foi o determinante pra gente fazer primeiro o final (depois que os Tortos saem e o Herói sai atrás.) Aí pintou a cagada 5: como a geografia do local de filmagem era um pouco diferente da que eu e o Carlos tínhamos imaginado ao fazer a decupagem (sentado no murinho, o Herói não podia ver os Tortos dobrando a esquina, porque tinha uma parede na frente), o Carlos resolveu mudar a decupagem na hora, sem ver como é que ia ficar o resto. Fizemos como ele queria o plano 27 (o Herói, no muro, acompanhando a passagem dos Tortos), mas depois tivemos que voltar atrás, porque ia dar um sério problema de corte. Explico: toda essa parte final foi concebida em termos de plano e contraplano; a modificação que o Carlos propôs na hora eliminaria um plano (29), através de uma movimentação conjunta do Herói e da câmara; com isso, precisaria haver um corte entre dois contraplanos (28 e 30), o que implicaria um corte do Herói pro Herói, sem sentido; ou então a eliminação de um dos planos em questão (28 ou 30), o que falsearia o tempo real da cena, além de indicar claramente um "pulo" do personagem em quadro. Em resumo: com isso, perdemos vinte preciosos minutos. Fizemos os planos dos Tortos se beijando (31 - duas vezes, por causa do movimento de câmara, 33 e 35) talvez na hora certa, quase 17:30, sol se pondo, bonito. Só que, aí, o lógico seria guardar o material e voltar outro dia pra filmar o resto. Compreensivelmente, o Carlos achou que valia a pena arriscar, e filmamos em meia hora todos os planos dos quatro no murinho, fora aqueles em que o Herói aparece sozinho. Pra mim, foi um desperdício de filme, já que a diferença de luz entre os planos (filmados entre 16:16 e 16:32) e os contraplanos (das 17:43 às 18:01) deve ter ficado grande demais pra se pensar numa montagem. Pior ainda: a partir de um certo ponto (17:52), o Roberto avisou o seguinte: "Não tem mais luz, não adianta mais filmar. Mesmo assim, o Carlos foi até o fim. Ordem de filmagem desses últimos planos: ver resumo do dia. Talvez a única coisa que valeu desses últimos planos tenha sido o plano 8, ponto de vista do Herói: o Milton, a Cláudia e a Lúcia chegando, lindo. Mas, como é um plano do começo da cena, era legal que tivesse mais luz. Resumo do dia: ROLO 43: (cont) (42) 11, 15A (tremeu a câmara), 15B. ROLO 46: (42) 16, 13, 20, 18, 23, 22, 25A (Werner rindo), 25B, 27A (elimina o 29), 10B. ROLO 47: (42) 27/29B, 27/29C, 31A (movimento), 31B, 33, 35, 8, 10A (Werner não apontou). ROLO 48: (42) 12, 14A (tremeu a câmara), 14B, 17, 19, 26, 21A, 21B, 24. FITA II/DIAL: (42) 22, 25A, 25B, 10A, 10B, 17, 19, 26, 21A, 21B. Não fiz ambientes. Tenho que atualizar esse lado aí qualquer dia. Muitas fotos de cena (Carlos bateu). *** 05/09 dom Domingo nublado, ótimo pra filmar a cena 6 (telefonema) e o plano 1 da cena 8 (empregada). Não saiu nada, por falta de previsão (minha inclusive). A gente se preocupou tanto com o Fodesemcueca de sábado à noite que perdeu o pique de trabalho. Marcação. Chegou a ameaçar chuva, mas não pintou. O Roberto acha absurdo que a gente não comece logo a fazer as internas. Eu também já tou fechando com ele. *** 06/09 seg Sol. Passei a tarde batendo cartão da Loto. *** 07/09 ter 20:30 Ensaio da cena da Osvaldo Aranha (10/11/12/13) na casa do Sérgio Horst, com ele e o Werner. Leopoldo e o Herói. Carlos dirigiu, Alex assistiu. Eu não fui, porque tinha outra ensaio - "Quizumba", com o Vende-se Sonhos. Parece que o ensaio do Leopoldo foi legal, mas curto. O Werner tinha que sair cedo. Não foi até o fim. *** 08/09 qua 15:00 Sol. Filmamos alguns letreiros pro trailer. Pedi pro meu pai fazer os letreiros, com normógrafo. Ficaram legais, mas ele demorou um pouco. Transformamos a salinha de estudos aqui de casa num table-top primário: a câmara no tripé, virada pra baixo; os dois tripés de luz, um de cada lado, cada um com 1000 W; uma folha de papel cartaz preto no fundo, pra evitar vazamentos. Usamos um pré-roteiro que eu tinha feito ao meio-dia pro trailer, praticamente sem alterações: (1) "As equipes de"; (2) "Deu pra ti anos 70"; (3) "Coisa na roda"; (4) "e"; (5) "A palavra cão não morde"; (6) "reunidas em"; (7) "Inverno"; (8) cenas em movimento; (9) "com Werner Schünemann"; (10) cenas em movimento; (11) "Filmado em Porto Alegre"; (12) "e Montevidéu"; (13) cenas em movimento; (14) "Inverno"; (15) "um filme de Carlos Gerbase"; (16) "Daqui a pouco". 2, 3 e 5 foram feitos com os próprios cartazes dos filmes citados. 1, 4 e 6 foram tiras de papel branco, letras pretas, fundo preto. 7, 9, 11, 12, 14, 15 e 16 foram feitos também com letras pretas sobre tiras de papel branco, mas em cima de fotos de cena, e sempre com as fotos de cena aparecendo por inteiro antes da superposição das tiras. Fizemos também um plano zero - alternativo, fade in em foto de cena. Quase todo o material foi filmado no rolinho que eu tinha comprado pra testes - 3M 40 ASA. Mas, como tudo foi feito em preto e branco, não vai dar pra sacar direito as cores do filme. Todos os lances do trailer foram filmados duas vezes, para fazer 2 trailers. Começamos filmando o plano 4 da cena 68, que deveria ser feito também em table-top e encerraria a seqüência de Montevidéu. Mas aconteceram duas coisas: (1) esquecemos de tirar o filtro dayligth, portanto a cena deve sair amarelada; (2) eu e o Carlos aceitamos a sugestão da Luciana, de fazer a transição entre as cenas 68 e 69 através de um movimento de câmara - no quarto dele, da foto na parede pra cara dele olhando pra carta ainda incompleta. Resumo do dia: ROLO 48: (cont) (68) 4. (trailer) 2, 3, 5. (tudo em daylight) ROLO 49 (3M): (trailer) 2, 3, 5, 0A, 0B, 1, 4, 6, 7A, 7B, 9A, 9B, 14A, 14B, 9A, 9B, 11A, 11B, 12A, 12B, 15A, 15B, 16A, 16B. *** 09/09 qui Baixo astral: pela milésima vez, não saiu a edição do "B de Brasil". Eu e o Carlos fomos até a TV Bandeirantes e fomos mais uma vez enrolados. Um calor desgraçado. Deixei os rolinhos 48 e 49 pra revelar. Busquei o projetor 700, o qual, segundo o Léo, não tem nada que possa arranhar filmes. Só isso. De noite, gravação do "Quizumba". *** 10/09 sex 16:00 Busquei os rolinhos 43 a 47. Só eu e o Carlos assistimos. Constatações imediatas: a cena 71 (Independência) vai ficar com probleminhas de montagem, mas tá morta. Incrível: os planos fechados ficaram bons, com luz legal, cor certa, tudo numa boa. Nos planos abertos: algumas pessoas de manga curta, os ônibus sempre demoram muito pra passar, o Werner e a Martinha se despediram antes que o ônibus tapasse eles, numa das alternativas se vê os pés da Martinha correndo atrás do ônibus, sempre tem um cara na frente do orelhão quando o Werner vai telefonar. A cena 88 tá perfeita, é aquilo ali mesmo. A cena 42 (Siqueira Campos) tá legal, tudo que a gente viu é aproveitável, e a luz tá razoavelmente parelha. O problema todo são os últimos planos filmados, que tão no rolo 48, o qual ainda não veio. Qualquer decisão sobre refilmagem dessa cena só pode ser tomada depois de se ver este rolinho. Por último, a cena 73 (cheeseburger) ficou legal, mas com uma exceção: no plano 1, aberto, pintou não sei que lance de contraluz e o quadro ficou todo superexposto. Pra cortar no movimento (ele tomando Pepsi), dá uma diferença de cor enorme. O problema é refilmar só esse plano outro dia. Será que dá? Boa notícia: nublou no fim da tarde. *** 11/09 sab 14:30 De manhã não deu pra fazer nada: ameaçou nublar várias vezes, mas logo saía o sol. Ao meio-dia eu e a Martinha fomos no Ocidente, almoçar e marcar a filmagem de segunda-feira. A ponte da tarde era às 14:30 no Werner, e o tempo tava ótimo, mas não pintava ninguém. Lá pelas 15:00, apareceu o Alex, depois o Werner, por último o Carlos, sem o Roberto. Fomos atrás dele, no Amon (pai desde domingo), mas pintou outro galho: a câmara tava emprestada. Tivemos que voltar na Cabral pra pegar a minha. E mais: começou a chuviscar. Mesmo assim (aleluia!), deu pra fazer a cena 6 (telefonema), já tantas vezes adiada. Nem tentamos o plano 1 da cena 8 (empregada), porque já eram quase 16:00 e não tinha mais luz. Também não fizemos o plano 3 da cena 6 (fechado, detalhe dele colocando a ficha e discando) porque não tinha luz suficiente. Resumo do dia: ROLO 50: (6) 1A (demorou), 1B, 2/4, 6A, 6B, 5, 7A (tremeu câmara). ROLO 51: (Sankyo XL600-S) (6) 7B (passaram ônibus na frente), 7C. (35 pés). *** 12/09 dom 9:00 Domingo de merda: choveu várias vezes durante a madrugada, mas de manhã parou. O tempo tava nublado, mas o chão todo molhado. Mesmo assim, resolvemos fazer dois planos avulsos, depois de esperar um pouco pro chão secar. Enquanto isso, Werner, Alex e Roberto assistiram aos últimos rolinhos revelados. Fizemos o plano 3 da cena 6 (detalhe dele colocando a ficha e discando) num orelhão da Getúlio Vargas, a vários quilômetros de distância daquele onde foi feito o resto da cena. Duas vezes, por segurança de foco. O local foi escolhido porque era caminho pra filmagem seguinte - plano 1 da cena 8 (Herói chegando na casa da Mariana), ou seja, na casa da minha mãe. Fizemos este último plano uma vez só, sem problemas, e já de novo com a câmara titular, a Canon 1014 do Roberto. De tarde, se chovesse, faríamos o final. Mas abriu sol. Às 18:30, eu, Carlos e Alex assistimos ao ensaio do Werner com o Sérgio Horst pra cena da Osvaldo Aranha. Ficou legal, e sem muita demora. Não sei como a gente custou tanto a se lembrar do Sérgio pro papel. De noite, as estrelas sumiam e apareciam de novo. Mistério pra amanhã. Resumo do dia: ROLO 51: (cont) (Sankyo XL600S) (6) 3A, 3B. (Canon 1014) (8) 1. (26 pés). Sem som, sem fotos de cena. *** 13/09 seg 19:00 O pior: solaço de manhã e de tarde. A ponte tava marcada pro Ocidente às 19:00, já que não deu pra filmar nada durante o dia. Pintamos eu, Martinha, Carlos, Luciana, Alex, Werner, Roberto, Sérgio Horst, mais os extras Zé Weis, Barê (com violão e tudo), Marta Almeida e Andréa. O Roberto teve que matar aula, já que o Carlos prometeu falar com o professor (o próprio Bendatti que vai fazer os créditos do filme). Só não pintou o Afonso, que tinha que abrir a porta do bar. As duas Martas ainda foram atrás, dele e dum outro cara do Ocidente, mas não acharam ninguém em casa. Às 20:30, resolvemos fazer a parte do Bristol. Eram só três planos (14, 15 e 16),mas fizemos duas vezes cada um. Terminamos na hora certa pro final da sessão das oito. Na entrada, foi difícil tirar de perto os pivetes que tão sempre por ali. Plano 14 (bilheteria): 1000 W de trás da câmara (Alex) e 300 W dentro da cabine (Luciana), pra não dar diferença. Na primeira tentativa, passou gente de manga curta no fundo. Plano 15 (escada e roleta): 1000 W na parte de baixo da escada (Alex), 600 W na parte de cima (Carlos), mais 1000 W no corredor, virado pra roleta (Luciana) e 600 W nos cartazes do final do corredor. Na primeira tentativa, o Roberto achou que eles terminaram o papo muito longe, já no escuro. Plano 16 (entrada na sala de projeção), só 1000 W, de cima da câmara (Alex). Na primeira vez, apareceu a mão do Sérgio segurando a porta, deixando claro que eles não entraram na sala. Resumo do dia: ROLO 51: (cont) (10/11/12/13) 14A (manga curta no fundo), 14B, 15A (terminou o texto muito longe). ROLO 52: (10/11/12/13) 15B, 16A (mão do Sérgio), 16B. FITA II/DIAL: (10/11/12/13) 14A, 14B, 15A (ruim no início), 15B (ruim no início), 16A, 16B. (20 pés) Não gravei ambientes. Luciana e Carlos tiraram fotos de cena. *** 14/09 ter 19:00 Reunião de decupagem na Cabral, interrompida no meio porque a gente se deu conta da maior cagada do filme até aqui: porra, a cena 6 (externa, já feita) é o Herói ligando pra Mariana e dizendo que vai até a casa dela, e vai levar uns discos; a cena 7 (interna, por fazer) é o Herói escolhendo os discos que vai levar; e a cena 9 (interna, que a gente tava decupando) é o Herói chegando na casa dele com os discos. Mas a cena 8 (externa, já feita) mostra o Herói chegando, falando com a empregada, etc, mas sem os discos. Incrível. E o pior é que a cena foi filmada dia 29/07, foi vista várias vezes porque o plano 1 ficou fora de foco, o plano 1 foi marcado várias vezes pra refilmagem e foi finalmente refilmado a 12/09 - e nunca ninguém se deu conta da imensidão da estupidez do negócio. Incrível! Na decupagem da cena 9, o Carlos ia ditando o plano 2: "O Herói entra pela porta, com os discos, naturalmente" e eu falei: "Com os discos não dá." Baixou o astral. Vimos os rolinhos 48 e 49. O trailer ficou legal, com uma exceção: o plano do letreiro "e Montevidéu" ficou fora de foco as duas vezes. O final da Siqueira Campos, perfeitamente aproveitável. E o rolinho 3M foi aprovado. De madrugada, eu e o Alex filmamos os créditos dos udigrudi dele. *** 15/09 qua 7:00 Acordei cedo e vi que tava nublado. Pensei em dar um golpe de estado e filmar a cena da rua da Praia (planos 1 a 6) sem o Carlos (dando aula na PUC). Tomei um banho rápido, reuni o material e fui acordar o Werner. Só que ele não tava a fim e arranjou vários argumentos: o Alex não tava (na verdade tava, ele apenas supôs que o Alex não estivesse porque tinha um bilhete marcando as pontes pra tarde), o "golpe de estado" era um precedente perigoso pros diretores (mas eu sustentei que era importante por causa do perigo de a cena simplesmente não sair) e por fim ele não tinha a calça cinza necessária pra cena (tanto a Martinha quanto a Luciana garantiram que tava com ele, mas na real tava no carro do Carlos. Desisti. 15:00 De tarde, ensaio das cenas no quarto da Mariana (8, 50, 82). O Werner e a Luciene não gostaram, muito calor e barulho. Eu cheguei atrasado, porque tinha ido no Centro comprar mais rolinhos de filme, etc. Depois ficamos esperando a Luciana mas ela não pintou. 19:00 Reunião de decupagem. O Alex só passou pra deixar uma sugestão pra cena 8. O Roberto não pintou. Decupamos as cenas 8, 50, 82 com relativa facilidade. O Nelson foi pro Rio à meia-noite. *** 16/09 qui Quinta-feira, não dá pra filmar de manhã porque o Werner não tá aí. De tarde não saiu o "B de Brasil". Calor demais, não marcamos o cheeseburger (plano 1) pro fim da tarde. De tardezinha passei no Carlos pra acertar algumas coisas, peguei os figurinos que tinham ficado com ele sei lá por quê, passei no ensaio do Faltou o João, fui na reunião do "Coisa na roda" no Fógus e peguei um táxi pra assistir à edição do "Quizumba" com o Jorge na TVE. Até amanhecer. *** 17/09 sex 7:00 Passei no Araújo Viana, pra conferir se os figurinos tinham ficado lá, mas não deu nada: eu tinha deixado eles dentro do carro do Werner. Desisti da filmagem de manhã porque o céu era totalmente azul até as 8:00. Dormi até 11:30. Martinha me acordou dizendo que tava nublado desde as 9:00. Resolvemos fazer os planos 1 a 6 da cena 2. Passamos em casa (pra pegar o material) e no Werner (pra pegar o ator e o outro assistente. Meio a contragosto, fomos pra rua da Praia, morrendo de fome, 12:10. E nada do Carlos pintar. Ele tinha ficado de ligar pra minha mãe entre 11:45 e 12:00, assim que terminasse a filmagem com os alunos na Redenção. E a minha mãe tinha o recado pra ele desde 11:35, e o recado era: meio-dia no Falk's. Encontrei ele chegando em casa às 12:20. Tinha começado a chover, mas tudo bem: assim, dava pra fazer os planos 7, 9 e 10. Só que o Werner tinha que aparecer com a bolsa do Carlos. Que só foi aparecer às 12:45, quando a gente já estava com tudo pronto e ensaiando pra filmar. Começamos pelo plano 9, saindo da Galeria Chaves, quatro vezes, por causa dos fundos (pessoas de manga curta, etc.). Fomos fazer o plano 10, câmara na mão atrás dele até atravessar a Dr. Flores, mas de repente escureceu pra caralho. E a chuva ia e vinha, junto com os guarda-chuvas do fundo. Esperamos quase vinte minutos pra poder fazer o plano, quatro vezes também, e com 160 ASA. A primeira não terminou, na segunda o Roberto tropeçou, a terceira e a quarta devem ter ficado legais. Já eram 13:15 e foi todo mundo almoçar. Menos eu e o Roberto, que ficamos pra refazer o plano 7, dos guarda-chuvas. Antes disso o Roberto fez dois ou três tomadas de chuva na rua da Praia. A chuva apertou. Subimos no terraço dum edifício (força do zelador, Telmo Vecchi, um gurizão) e fizemos um monte de alternativas, em 40 e 160 ASA. Ficamos completamente encharcados. Fomos almoçar depois das 14:00. Chegamos na Xala pra filmagem da tarde às 15:15. O Carlos e a Luciana já tavam lá. Logo chegaram a Luciene, o Werner e o Alex. E a chuva parando. E um monte de carros querendo estacionar nos lugares que a gente queria deixar livres. Resolvemos fazer só o plano 11 da cena 92/93/94/95, último e mais complicado plano do filme, panorâmica circular de quase 360 graus. A Luciana conseguiu com uns guris da rua uma mangueira perfeita pra chuva artificial. Tinha uma torneira no lugar certo (atrás do edifício, perto da rua). Roberto na câmara, Alex na mangueira, eu com dois guarda-chuvas protegendo a câmara, Luciana na porta do edifício pra evitar surpresas, Carlos parando os carros e escondendo as pessoas, Werner e Luciene atuando. Depois de muitos ensaios de todos os elementos envolvidos, filmamos quatro vezes, e em princípio qualquer uma delas pode ser usada. O Roberto reclamou que o guarda-chuva seguido formava uma "goteira" na frente da lente, mas eu não sei se isso é importante. Outros problemas possíveis: movimento de câmara irregular, pessoas caminhando na rua como se não estivesse chovendo, talvez alguém olhando pra câmara, talvez tenha aparecido um pedaço da mangueira. Eu, o Roberto, o Werner, o Alex e a câmara ficamos completamente molhados. O resto, nem tanto. Terminamos tudo quase 17:00. Resumo do dia: ROLO 52: (cont) (2) 9A, 9B, 9C, 9D, 7 (um monte). ROLO 53: (160 ASA): (2) 10A (interrompida), 10B (tropeçou), 10C, 10D, chuva (de baixo), 7 (um monte). ROLO 54: (92/93/94/95) 11A, 11B. ROLO 55: (92/93/94/95) 11C, 11D (interrompido), 11E (mais rápido). Sem som, sem fotos de cena. O Carlos esqueceu a câmara, apesar de que algumas fotos de cena eram obrigatórias hoje. 17:30 Reunião de produção na Luciana: o Carlos e o Werner trocaram de bolsas até o final das filmagens. Vamos batalhar pra ficar com o guarda-chuva da Suzi até o final das externas. Decidimos aparar um pouco o cabelo do Werner. Vamos alugar uma cadeira de rodas pros travelings - segunda-feira. Eu e a Martinha almoçamos amanhã no Ocidente, pra retransar a cena da Osvaldo Aranha. Marcamos filmagens pro fim-de-semana, etc. À noite, depois do níver do Plínio, fui batalhar o Werner e a Luciene na festa da Mara, pra marcar as pontes com eles. *** 18/09 sab 8:30 Acordei cedo, depois de ter dormido depois das 4:00. Mas ainda tinha que batalhar o Roberto. Acordei a Lale por nada, ela tava na casa do Luciano. Eu, a Martinha e o Roberto chegamos na casa da mãe do Carlos depois das 9:00. A Luciene e o Carlos já tavam nos esperando. Eu e a Martinha resolvemos ir até o Werner, ver se ele não tava dormindo, e na passagem pegamos uma Zero Hora de domingo pra produção da cena (92/93/94/95 - final). O Werner não tava em casa. Voltamos pro Carlos. Ele recém tinha chegado lá, junto com o Alex, dizendo que tava desde as 8:40 na Xala, nos esperando. Tomamos café rápido (o Carlos queria filmar, mas o Werner e o Alex afirmaram que não filmariam se eu e a Martinha não tomássemos café antes) e chegamos na Xala depois das 10:00. A chuva tinha parado, mas logo depois recomeçou. Só que, neste meio tempo, a Luciana foi até não sei onde buscar um regador, o Carlos comprou outro (a idéia era simular a chuva na frente da câmara com a água sendo despejada de dentro de um regador), eu subi até a Xala pra buscar uma cadeira (treix tabelax), pra que o Alex pudesse subir em cima dela e despejar a água de uma altura tal que não formasse uma cascata na frente da câmara. Nada disso foi preciso. Fizemos uma nova proteção de plástico pra câmara, que a anterior ficou inutilizada depois do banho de ontem. E só fomos começar a filmar depois das 11:15. Plano 4 (banca de revistas da Ramiro, quase na esquina da São Carlos), três vezes, e depois de inúmeras discussões de eixo. Acho, como o Werner, que na montagem a gente vai tirar fora o início do plano (ele entrando em quadro e comprando o jornal), desperdício inútil de tempo. Plano 5, ele sozinho indo pra esquina, fizemos atrás da igreja, um murinho perfeito pra composição do quadro, mas bem na hora em que a chuva começou a apertar. Tempo pra eu ir buscar outro guarda-chuva (um pra Luciene, outro pra câmara). Plano 6, os dois vindo do outro lado da esquina, legal. Vai dar pra fazer um corte no ponto exato e ressaltar a surpresa da cena. Meia hora de intervalo pra achar o lugar certo pros últimos planos (na Farrapos, na frente dum revendedor Yamaha), levar toda a equipe pra lá, usar uma mangueira pra encharcar ainda mais a poça dágua que deveria ser jogada neles pelo carro em velocidade, baixar duas das grades da frente da loja (a cena se passa num domingo), etc. Só às 12:20 deu pra fazer o plano 7, câmara pra baixo, mostrando a poça, a chuva caindo e os pés dos dois entrando em quadro. Roberto na câmara, eu no guarda-chuva, Alex na mangueira (produzindo os pingos de chuva, que tinham escasseado de novo), Carlos dirigindo, Luciana impedindo a passagem. Levamos a câmara pro outro lado da rua pra fazer o plano 8 (quase atropelamento), o mais difícil do dia: Roberto na câmara, Alex no guarda-chuva, Luciana dirigindo o Bacatim e atirando água nos dois; eu e o Carlos, um de cada lado, impedindo a entrada de pessoas no quadro. Foi foda, porque vinha gente dos dois lados da rua, alguns funcionários ainda tavam trabalhando na loja, e o movimento de carros tava terrível na Farrapos (não só porque a cena era domingo, mas também porque sujava o quadro). Fizemos quatro vezes: na primeira a Luciana ficou com medo de atropelar a Luciene e desviou o carro na hora, na segunda o Werner riu quando levou o "banho de sarjeta". Depois o plano 9, os dois se abraçando, ainda do outro lado da rua, mais fechado e com o ângulo um pouco diferente. Duas vezes, não lembro por quê. Por último o plano 10, mais aberto, os dois atravessando a rua e saindo de quadro. Duas vezes, porque na primeira vez eles não trocaram de lado um em relação ao outro. Terminamos a filmagem às 13:00, completamente cansados e molhados, o Roberto puto da cara porque a câmara tava encharcada. Fui a pé até a casa da mãe da Martinha, assisti ao "Quizumba", tomei banho quente, almocei e voltei pra casa, pra encontrar o Carlos. Começou um verdadeiro temporal, peguei no sono. O Carlos só foi chegar depois das 16:30, e terminou refilmando os (poucos) letreiros dos créditos que tinham ficado fora de foco - sozinho. Eu fiquei meio que dormindo. Lá pelas 20:00 fui até a casa do João Guilherme (em Ipanema), carvonear. O temporal diminuiu. Jantei na mãe (sozinho) depois das 22:00. À noite, Testão na casa de Cleide, até as 5:00. Resumo do dia: ROLO 56: (92/93/94/95) 4A, 4B, 4C, 5A, 5B, 6A, 6B, 7A, 7B, 7C. ROLO 57: (92/93/94/95) 8A, 8B, 8C, 9D, 9A, 9B, 10A, 10B. (68) 4C (de novo em daylight). (trailer) 11C, 11D, 12C, 12D. Sem som, sem fotos de cena. A respeito do som: preciso urgentemente fazer uma lista de ambientes a serem gravados - e fazer as gravações. *** 19/09 dom 14:00 Acordei às 11:00, e tinha sol. Incrível, mas o tempo tava resolvendo colaborar com tudo o que era necessário num só fim-de-semana, depois de tanta sacanagem seguida. Em caso de sol, a ponte era às 14:00 na Siqueira Campos. Antes disso, eu tinha uma ponte com o Werner, o Grum e o Fógus, às 10:00, no Clube de Cultura, pra testar a nova aparelhagem de som do "Coisa na roda". Não é preciso dizer que, mais uma vez, a aparelhagem não pintou, porque o Dudu não pintou. Mas marcou outra ponte, exatamente pra hora da filmagem. Pra resumir: pouco depois das 14:00, távamos eu, o Carlos, a Martinha e a Luciene na Siqueira, com equipamento e figurinos (e sol), e o Werner tava em casa esperando o Dudu pintar. Óbvio: o Dudu não pintou, o Werner não ligou pra minha mãe avisando que ia chegar atrasado, eu liguei 4 vezes pra lá perguntando se tinha recado, a Luciene perdeu o começo do ensaio do Faltou o João, nós perdemos a posição favorável do sol, a filmagem foi desmarcada. Dispensamos a Luciene às 15:35, o Werner apareceu às 15:40. Resolvemos filmar só os planos dele nas cenas 39 e 42. Começamos pelo plano 7, ele olhando pros amigos. Duas vezes. Depois o plano 9, ele apontando pros Tortos. Duas vezes, porque é um plano de continuidade difícil: o corte pro plano 10 é feito dele pra ele, e foi feito num espaço de 15 dias. (Nota: a equipe de filmagem da cena fomos eu (assistência e som), o Carlos (fotografia e direção) e o Werner. O Roberto teve ensaio do "Urano" e o Alex não foi encontrado. A Luciana tava em Caxias e a Martinha, no ensaio do Vende-se Sonhos. Parece até um retrocesso, agora, filmar uma cena só com três pessoas envolvidas, mas foi tranqüilo.) Plano 2 da cena 39, tomada de ombro dele e panorâmica mostrando a rua. Bastante falseada, pra evitar uma parede que há entre a posição "real" dele e a continuação da rua, e também pra evitar de mostrar algumas poças dágua. Colocamos o Bacatim na calçada, o Werner sentado no capô e a câmara por trás. Três vezes, basicamente pelas dificuldades de falsear o movimento na rua (a cena se passa numa terça-feira, mas a gente filmou num domingo). Plano 3, ele de frente, satisfeito. Duas vezes, sei lá por quê. Direto pro plano 1 da cena 42, quase a mesma coisa, só que com ele olhando pro sol. Depois o plano 3, a mesma coisa, só que ele ofuscado. Pulamos pro plano 28, ele vendo os Tortos dobrando a esquina, duas vezes. E o plano 30, ele saindo de quadro atrás deles. Aí eu caí na asneira de perguntar pro Carlos: ainda não acabou o filme? O marcador indicava 52 pés rodados. Queimamos um pouco, e nada da luzinha verde parar de piscar. O filme deve ter trancado. Tiramos ele da câmara: não tinha chegado no fim. Fizemos um teste: pelo menos agora, ele tava rodando. Mas é impossível saber o que saiu e o que foi perdido do que foi feito até aqui. Fizemos o plano 28 de novo, mais três vezes; e o plano 30, mais duas vezes. Em função da posição do sol (já passava das 16:30), não dava pra refazer os primeiros planos rodados. Voltamos pro plano 2 (esse dava pra fazer, porque a posição de câmara era contrária), totalmente falseado: o Werner de pé, a câmara no tripé de baixo pra cima, a duas quadras do murinho onde foi filmado o resto da cena. E, por último, fizemos os planos 32, 34 e 36 (ele olhando pros Tortos, cada vez mais angustiado, contra o sol). No mesmo local onde tínhamos feito o plano 2, mas depois de uma pausa de meia hora pra deixar o sol baixar um pouco. Três vezes o plano americano (32), difícil porque sempre apareciam carros andando no fundo, o que indicava que a posição dele era falsa. Uma vez só o primeiro plano (34). Duas vezes o close (36), com fade out no final. Terminamos quase às 18:00, e eu fui pra Ipanema carvonear. Resumo do dia: ROLO 58: (nuvens) qaq. (42) 7A, 7B, 9A, 9B. (39) 2A, 2B, 2C, 3A, 3B. (42) 1A, 1B, 3A, 3B, 28A, 28B, 30A. (rolinho trancado) (42) 28C, 28D, 28E, 30B, 30C, 2A, 2B, 32A, 32B, 32C, 34, 36A, 36B. FITA II/DIAL: (42) 9A, 9B. Não teve fotos de cena, de novo. *** 20/09 seg 8:00 Aniversário do Wander. Faz um ano que eu moro na Cabral. Acordei às 7:00 e tava tudo nublado. Perfeito pra fazer o resto da cena da rua da Praia. Tomei um banho rápido, arrumei o material e fui pro Werner. Neste meio-tempo, abriu um solzinho, e chegou a ameaçar limpar o céu. (Saco: esse diário de filmagem tá que é um verdadeiro boletim meteorológico.) Conversei um pouco com o Werner e o Alex, e concluímos que não dava pra fazer. Voltei pra casa e, quando tava subindo as escadas, tive um palpite: o tempo ia fechar de novo, dava pra fazer a cena. Peguei o Werner e o Alex saindo de carro. Tentei convencê-los: o Werner jurou que o tempo ia abrir. Desisti, voltei pra casa. O tempo fechou. Resolvi ir até a rua da Praia, só pra conferir. A luz tava perfeita, o chão não tava molhado, as pessoas na rua tavam agasalhadas e era segunda-feira: nunca mais vão pintar tantas condições pra fazer essa cena antes do fim do ano. O Carlos tava lá na frente da Falk's, puto da cara, esperando. Quando eu contei o que tinha acontecido, ele quis matar o Werner. Mas não adiantava mais: desmarcamos a filmagem. 18:00 À tarde teve reunião-almoço. Almocei carvão. Chegamos na hora certa no Ocidente: eu, Werner, Alex, Martinha. Alguns possíveis extras: Bábi (foi embora logo depois), Denise. O Carlos chegou um pouco atrasado, dizendo que o Sérgio Horst só ia pintar depois das 19:30 (o que já matava a possibilidade de o Werner ser dispensado às 21:30 pra participar de um debate sobre o "Coisa na roda" em Novo Hamburgo) e saiu pra batalhar o Roberto (que não tinha sido avisado, e tinha aula naquele horário). Desta vez o Afonso veio, e abriu a porta na hora certa, e teve uma paciência incrível pra quem tá no seu dia de folga. O Alexa saiu pra comprar papel celofane, a Martinha pra buscar um figurino que tava faltando. Chegaram a Monica, o Zé Weis, a Andréa (mais extras) e o Fernando Rocha (paulista que o Fógus conheceu no seminário de cinema, no Rio, e tá se mudando pra Porto Alegre, talvez até pra morar aqui em casa). Quando o Sérgio Horst chegou, ainda não tava tudo pronto. Começamos a filmar às 20:00. Começamos pelos planos gerais (6 e 7), onde apareceriam os extras. O plano 6 era uma panorâmica da janela até a mesa, acompanhando o movimento do Sérgio. Pra iluminar: 4000 W atrás, as quatro lâmpadas de 300 W distribuídas em locais estratégicos. Alex e Carlos segurando lâmpadas, Roberto na câmara; eu, Martinha (disfarçada, de costas), Andréa, Monica, Denise, Zezinho e Fernando fazendo figuração, sentados às mesas, bebendo ou conversando. Difícil controlar tudo o que tava acontecendo ali: talvez desse pra limpar mais o quadro, talvez ficasse melhor com mais pessoas no fundo. Pra repetir o plano, demoramos mais de meia hora, porque quase pegou fogo numa extensão (fina demais pra 2000 W) e tivemos que transar outra. Repetimos o plano com um filtro vermelho no refletor mais próximo à mesa. Passamos pro plano 7, a entrada do Werner. Como não tinha mais extras, quem tava de frente no plano anterior ficou de costas, e vice-versa, todo mundo trocou de casacos e pulôveres, a Martinha foi buscar um violão (do Barê) (idéia minha, mas que atrasou a filmagem em 15 minutos). O Carlos não gostou do quadro, eu achei perfeito. Extras: Carlos, Andréa, eu, Denise, Fernando, Monica (com o violão), Zezinho, Afonso (atendendo no balcão). Iluminação: de novo, o máximo que a gente tinha - 5200 W (Martinha e Alex de paus-de-luz), não lembro direito a disposição. Duas vezes, não lembro por quê. Eram quase 21:30 quando dispensamos os extras e começamos os planos fechados. Primeiro o 8, Herói sentando à mesa. Depois o 9, zoom e todo o papo. O 10, close do Léo O 11, close do Herói, foi o mais complicado; o Werner se enrolou com o texto, fizemos quatro vezes, mas sem demora. Por fim o plano 12, papo até o final ("Afonso, vê a conta aí!"). Três vezes, não lembro por quê. Em todos estes planos, a mesma iluminação básica, com um filtro verde num refletor e um vermelho noutro, e sem as lâmpadas de 300 W. O Werner quis ir embora. Eram 22:10 e ele achou que ainda dava pra pegar o debate. Eu insisti que ia ser um saco transar o Ocidente de novo, pois ainda faltavam 6 planos. Fomos até o fim. Primeiro o plano 13, os dois conversando até sair de quadro, de cima da janela do Ocidente, indo pro Bristol. 3000 W, jogados das janelas pra baixo, como se fosse um poste ali em cima. Duas vezes, porque na primeira o texto terminou muito longe. Descemos com a câmara e o som. Plano 2, o Léo na janela, câmara de baixo: 2000 W de baixo pra cima e 1000 W lá em cima, registrando o fundo. Plano 4, mesma coisa, só que agora o Léo vê o Herói. Plano 5, tomada de ombro do Herói e papo, ângulo da janela um pouco modificado (por isso, tivemos que mudar a posição da lâmpada lá em cima). Duas vezes, por causa do enquadramento. Plano 3, Herói vem atravessando a rua e vê Léo 2000 W de cima da janela lateral do Ocidente, tipo poste. Duas vezes, com uma pequena variação no foco. Por último, o plano 1, na frente do Bocão, panorâmica vertical do Herói vindo em direção à câmara. 2000 W jogados da entrada da lanchonete, como se a luz viesse lá de dentro. Três vezes, por causa do movimento, foi difícil sincronizar a panorâmica com a caminhada do Werner. Terminamos a filmagem às 23:10, até guardar tudo já era meia-noite. Werner não foi a Novo Hamburgo, e calcula que o "Coisa na roda" tenha perdido 100 mil por causa disso. Pior é que é possível mesmo. Resumo do dia: ROLO 59: (10/11/12/13) 6A, 6B, 7A, 7B, 8, 9. ROLO 60: (10/11/12/13) 10, 11A (interrompido), 11B, 11C (interrompido), 11D, 12A, 12B, 12C, 13A, 13B. ROLO 61: (10/11/12/13) 2, 4, 5A, 5B, 3A, 3B, 1A, 1B, 1C. (19 pés) FITA II/DIAL: (10/11/12/13) 8, 9, 10, 11A, 11B, 11C, 11D, 12A, 12B, 12C, 5A, 5B. Não gravei ambientes. Carlos tirou fotos de cena dos planos 6 e 7. Fernando tirou do resto. Deve ter boas fotos. *** 21/09 ter 9:45 Eu, Carlos e Roberto nos encontramos no Chalé, pra ver o lance da cadeira de rodas. Alex não acordou. Alugamos uma, de lona amarela. A partir de agora, muitos travelings neste filme. Não filmamos nada porque é dia do Werner estar em Novo Hamburgo. *** 22/09 qua 7:00 Mais uma vez, acordei cedo pra tentar terminar a cena da rua da Praia. Antes de passar no Werner, liguei pra mãe e o Roberto realmente tinha deixado o recado: tinha aula de manhã. Desisti da filmagem, deixei um bilhete no Werner desmarcando a ponte e voltei pra casa. O Wander foi pra estrada pouco depois das 9h. De tarde, fui buscar sete rolinhos (números 52 a 58) no Curt, mas o 55 e o 57 não chegaram. Preocupação geral. O que deu pra ver foi o seguinte: a parte do Bristol (cena 13) tá fechada - o plano em que eles sobem a escada foi feito duas vezes, e daria pra usar qualquer uma; a segunda tá com a iluminação um pouco melhor, mas tem um puta risco em cima - clara cagada de revelação. A parte intermediária da cena 2 (rua da Praia - planos 7, 9 e 10) ta fechada - tem algumas variações de luz, mas perfeitamente transáveis na montagem. E os guarda-chuvas ficaram ótimos. A panorâmica giratória (último plano do filme) teve quatro versões, e só deu pra ver duas (as outras duas tão no rolo 55) - nenhuma maravilha, mas a segunda dá pra usar. Os grandes problemas são as pessoas passando na rua sem guarda-chuva e a "goteira" (fio de água que cai bem na frente da câmara durante boa parte do movimento - resultado da ação levemente incompetente do meu guarda-chuva protegendo a câmara). Os planos intermediários da cena final (4, 5, 6 e 7), tudo bem: bonito, claro, bem iluminado, sem problemas de verossimilhança. Ficou faltando o grande lance, o plano 8 (quase atropelamento) e os planos 9 e 10 (epílogo de Farrapos), que ficaram no rolo 57. Bem como a refilmagem dos créditos pro trailer. Bom, a cena da Siqueira Campos foi o seguinte: o rolinho realmente trancou, mas trancou o temo inteiro. Não saiu nem a claquete. Os planos 2 e 3 da cena 39, os planos 1, 3, 7, 9, 28 e 30 da 42, mais os quadro-a-quadro do Carlos, simplesmente não foram registrados - isto é: tudo que a gente filmou até descobrir que o rolinho tava trancado. A partir daí: Os planos 2 e 36, que foram filmados em contraluz, pra mostrar o sol, etc, ficaram terrivelmente superexpostos, inaproveitáveis; e os planos 28, 30, 32 e 34, apesar da luz razoável, também se podem jogar fora por causa da descontinuidade total do cabelo do Werner em relação à outra filmagem. À noite, eu e o Carlos decupamos as cenas 57, 64 e 66 (Montevidéu - internas). *** 23/09 qui Quinta-feira, como sempre, dia morto pra filmagem. Martinha botou os últimos 50 mil dela no filme - quero ver agora de onde é que vai sair dinheiro. Saiu também a minha grana pelo roteiro carbonífero - deu pra pagar as dívidas, comprar a moviola do João Guilherme e ainda sobrou um pouco. À tarde, busquei os rolos 59 e 60 no Curt. O 55 e o 57 continuam desaparecidos. Resultado da sessão: a cena do Ocidente ficou muito bonita, iluminação perfeita, atuação legal, tudo bom. Mas: (1) faltam os planos 1 a 5, ainda na câmara; (2) numa segunda sessão, os planos 9, 10, 11, 12 e 13 apareceram completamente riscados - assassinato cometido pelo projetor do Carlos. O mesmo que tinha acontecido com boa parte da cena de Montevidéu. O mesmo que destruiu os créditos do Coisa na roda. E isso que o Léo (Otofenic) falou que o projetor não tinha nada. Resumo: se a gente resolver refilmar os planos riscados, só dá pra considerar morto mesmo os planos 6 e 7 (os mais difíceis, por causa dos extras) e o plano 8 (também difícil, porque tem uma continuidade de movimento com o plano 7). De noite, o Alex pintou pruma reunião de decupagem que não tava marcada. Em todo caso, ele me apresentou uma decupagem preliminar das cenas 25, 27 e 38 (Friends). legal, mas tem alguns problemas: (1) ele quase não mostra os personagens secundários, o Júlio, o Alexandre e a Maria; mas eu acho que, no ensaio, os atores vão terminar encontrando alguma forma legal de transar esses silêncios - e isso tem que ser mostrado; (2) podia ser transado de forma a mostrar melhor algumas reações, com mais closes, mais olhares, mais sacações, em resumo: mais planos. O Alex sustenta que a idéia inicial do filme era de planos longos e arrastados. Eu sustento que o Herzog, o Fassbinder ou seja lá quem for podem ter uma "idéia inicial" em termos do comprimento e da quantidade de planos que um filme vai ter, mas que eu não me sinto com capacidade pra fazer isso: se eu tenho que mostrar o que tá no roteiro, e se o que tá no roteiro envolve olhares, reações, etc, eu não vejo outra forma de fazer a decupagem, a não ser com muitos planos. Pra mim, a "idéia inicial" não é inicial, mas é uma função do que o filme precisa mostrar. Só isso. Fernando já dormiu aqui em casa essa noite, mas eu não. *** 24/09 sex 7:00 Acordei às 5:30, fui a pé até em casa, acordei o Fernando, peguei o material de filmagem e fui comprar pão e leite. Tava indo pro Werner quando ele pintou, também indo pra padaria. Ele também não tinha dormindo em casa. Tomamos café todos (eu, Werner, Alex, Fernando) na casa do Werner. Terminamos nos atrasando. Chegamos às 7:20 na rua da Praia, o Roberto já tava nos esperando. Começamos imediatamente a filmar (até que enfim!) os planos 1 a 6 da cena 2. Como era bem cedo, o astral era mesmo de tempo nublado. Primeira filmagem sem o Carlos. (Detalhe: já tivemos filmagens sem o Alex, sem o Werner e até mesmo sem o Roberto, mas ainda não teve nenhuma sem mim - embora em algumas eu tenha ficado quase que dormindo.) Começamos pelo plano 1, o primeiro plano em que o Werner/ Herói aparece no filme, descendo a rua da Praia em tele. Três vezes, por causa do foco, do fundo e do movimento do Werner. Exatamente meia hora pra conseguir fazer o plano 2/4, ele vendo a Falk's e depois entrando na Kosmos. Problema: eram pouco mais de oito horas e tava cheio de caminhões e camionetas querendo descarregar coisas pras lojas venderem pros consumidores famintos que já faziam filas por toda a rua. Fizemos duas vezes o plano 2/4, depois de uma puta batalha pra limpar o quadro. Mais 35 minutos pra fazer o plano 3: primeiro, esperar a Falk's abrir e falar com a encarregada; segundo, escolher a melhor posição de câmara e o enquadramento mais conveniente; terceiro e mais difícil, convencer o chato do livreiro não identificado, que insistia em manter a Kombi dele no único lugar que não nos servia, de que a gente também tava trabalhando, e com um pouco menos de má-vontade que ele; quarto, escolher a forma de operação da câmara que daria ao quadro a melhor cor - sem filtro e com as lâmpadas da vitrina acesa (tese do Roberto) ou com filtro e com as lâmpadas acesas (tese minha) ou com filtro e com as lâmpadas apagadas (tese do Werner). Fizemos as três. Por último, o plano 5, que foi o mais fácil de todos, talvez porque não tinha muito problema de fundo. O Alex jogou 1000 W de cima da "sacada interna" da Kosmos, o Werner entrou, foi atendido e saiu, sem problemas, acho que ficou bonito. Já era consenso há pouco mais de meia hora que o plano 6 era desnecessário e portanto não seria filmado. Assim, terminamos a cena às 9h em ponto. Ainda repetimos três vezes o plano 1 com câmara na mão, pra acabar o rolo. Eu ainda fiquei no centro até depois das 11h, fazendo compras pro filme: rolos de filme 3M (decidimos que agora vai ser o 3M até o final), carretel 600 pés, reostato, fio e plugs pra extensão. 14:00 Cheguei no Werner quase às 14:30, pra fazer, em princípio, só a cena 57 (chocolate quente) durante a tarde. Era um plano só, e foi o plano mais demorado do filme. De cara, o Roberto avisou que não ia ter ensaio do "Urano" na casa do Sérgio Lulkin, o que descartava a pressa. Até buscar todo o material na minha casa e levar pro Werner. Até chegar a Luciana, o Carlos, a Martinha e o Fernando (Werner, Alex, Roberto e Grübber já tavam). Até desocupar a sala, atulhar o quarto do Alex, instalar todo o material de luz e a cadeira de rodas pra nossa primeira tentativa real de usá-la num traveling. Até a Martinha e a Luciana terminarem de transar o cenário de fundo, os figurinos e o chocolate quente com chantili. Até eu desistir, depois de inúmeras tentativas infrutíferas, de transar um trilho pro traveling com madeiras do sofá da casa do Werner e fita crepe pra prendê-las no chão. Até eu aprender pra que lado tinham que ficar viradas as rodas do carrinho. Até o Werner e o Alex desistirem das idéias malucas deles - filmar da sacada ao lado do tanque, através da janela da sala (a idéia era boa, mas o quarto ficava muito feio, a não ser que se demolisse a janela, ou fazer o Roberto vir voando com a câmara da sacada até a janela, ou ainda começar a cena com uma panorâmica na cama vazia. Até que fossem feitos dezenas de ensaios do movimento, pro Roberto ter certeza que a cadeira não ia tremer. Até aí eram 16:30. Filmamos o plano quatro vezes: (a) 2,3 kW dentro da sala, 1 kW jogado de fora (Alex, do tanque); (b) 2,3 Kw, tudo dentro da sala; (c) interrompido; (d) igual ao A, repetido por causa do movimento. 17:00 Ainda era dia, mas dava pra fechar as janelas do quarto e fazer a cena 64 (Herói e Isabel na cama), principalmente porque tava chovendo e o tempo era tri-fechado. Em 50 minutos arrumamos o quarto, preparamos a luz (pela primeira vez usando spots - do Vende-se Sonhos), ensaiamos atores e a câmara. Fizemos o plano 1 duas vezes (a primeira foi interrompida), só com 500 W de luz, e direcionada, peito-shot dos dois, nus e deitados. Mesma luz para o plano 2, a panorâmica sobre os corpos. Duas vezes, porque a primeira entrou num final de rolo. O plano 3 foi eliminado, por redundante. Terminamos a cena às 18:05, e resolvemos deixar tudo como estava pra ver o show do Nei e retomar depois. 21:30 Que dia! O show do Nei, banda e músicos da OSPA foi uma experiência tipo "pra contar pros netos". Que festa! Reitoria lotada e mais um monte de gente do lado de fora, sem poder entrar. Mas as filmagens do dia ainda não tinham acabado. Jantamos no Crips e eu voltei pro "set", enquanto a Martinha foi ensaiar. O Carlos teve que ir buscar o Roberto na PUC. Fomos começar a arrumar as coisas pra cena 66 (dança) depois das 22:00. Toda a luz só com dois spots de 500 W cada um: um fixo, no toca-discos girando, mostrando um disco dos Rolling Stones (enchi o saco de ouvir "Angie" durante quase duas horas); o outro variando em resistência (Alex) sobre o Werner/Herói e a Luciana/Isabel, dançando no fundo da sala, quase em cima do toca-discos. Fizemos o plano 1 três vezes. Na primeira, o Alex demorou muito a subir a luz neles. Na terceira, tentamos uma variação sugerida pelo Alex e pelo Roberto, com os dois dançando no quarto em vez de na sala. Fizemos também uma alternativa só com o toca-discos em quadro, sem movimento, só 500 W diretos. E o plano 2, primeiro plano deles dançando, também só com 500 W. Terminamos a filmagem pouco depois da meia-noite, completando 18 horas e meia quase que sem parar de pensar no filme. Aí, arrumar toda a casa do Werner e levar todo o material pra minha: duas malas cheias, três spots, um tripé de câmara, dois tripés de luz, cadeira de rodas, descansa-pés, toca-discos, sacola com figurinos. E, pra dizer a verdade, só fizemos 10 planos o dia todo. O Roberto diz que, pela primeira vez, tivemos uma filmagem planejada. Resumo do dia: ROLO 61: (cont) (2) 1A, 1B, 1C. ROLO 62: (2) 2/4A, 2/4B, 3A, 3B, 3C, 5, 1 - vários, câmara na mão, pra terminar o rolo. ROLO 63 (3M): (57) 1A, 1B (sem luz de força), 1C (interrompido), 1D (igual ao 1A). (64) 1A (interrompido), 1B, 2A. ROLO 64 (3M): (64) 2B. (66) 1A (demorou), 1B, toca-discos. ROLO 65 (3M): (66) 2, 1C (no quarto). (25 pés) Não teve som (pelo menos isso!), o Fernando tirou porradas de fotos de cena. *** 25/09 sab 8:30 De manhã teve ensaio com Werner e Luciene pras cenas do quarto da Andréa, mas não fui. Não sei como, mas acordei cedo e fui ao centro comprar mais rolinhos Ektachrome 40 ASA (tava ameaçando abrir sol e, neste caso, a gente faria a cena da Siqueira Campos, e não era bom trocar de película no meio de uma cena). Passei no Curt: o rolo 55 tava pronto, mas o 57 realmente foi trocado. Desespero: e se não encontrarem? Falei pra moça que a gente sempre faz uma claquete no início dos rolos, exatamente pra esses casos, e que seria fácil encontrar o nosso rolinho: a primeira coisa filmada seria uma caixinha amarela da Kodak com o número 57. Mas depois fiquei pensando: não seria o Alex fazendo uma careta, o Werner botando a língua ou coisa parecida, com uma caixinha da Kodak num canto? Neste caso, seria assim tão fácil encontrar o filme? 14:00 Almocei na mãe e fiquei esperando o resto do pessoal pintar, pra refazer a cena 8 (empregada), agora com os discos. Carlos, Werner, Xala, Fernando e Martinha só chegaram depois das 14:30, e ainda ficamos vendo o final da entrevista (ótima) do Millôr pro "Quizumba". Martinha logo foi embora, pro ensaio do Vende-se Sonhos. Começamos a filmar às 15:10, e fizemos tudo em menos de cinqüenta minutos. Meio automático, porque tudo aquilo já tinha sido feito quase dois meses antes. Plano 1, herói chegando, duas vezes. Plano 2, campainha. Plano 3/5, tomada de ombro do Herói, plano da empregada. Plano 4, contraplano, tomada de ombro da empregada. Plano 6, ele esperando ela voltar. Plano 7, ela voltando, pedindo desculpas, ele entrando, até o fim. Mas aí pintou o seguinte: o rolo já tinha acabado, e sabe lá há quanto tempo. Refizemos o plano 7. E íamos refazer o plano 6, mas apareceu o sol. Tivemos que fechar bem o quadro nele, pra não aparecer o fundo iluminado. Fizemos mais duas vezes e deu. Chega desta cena! O Fernando não gostou da decupagem. Eu acho ela boa, só que não tenho saco pra refazer de novo a cena onde aconteceu a maior estupidez do filme até agora. O Carlos foi levar a Xala no ensaio enquanto a gente ficava arrumando o material. Eram 16:15 quando fomos até a esquina da Dona Amélia com Otávio Dutra pra tentar de novo o plano 3 da cena 6 (detalhe dele colocando a ficha e discando). Fizemos mais três vezes, variando a fotometragem. E, ainda antes das 17:00, chegamos lá no velho cheeseburger do Colégio Rosário pra fazer (de novo) o plano 1 da cena 73 (geral, Herói comendo cheese, pega a coca). Desta vez, com um ângulo um pouco diferente, pra evitar o contra-luz. De noite, fui com a Martinha assistir a outro show do Nei: Só Blues, no Espaço IAB. Quanto ao rolo 55: só tem as duas versões do último plano do filme - e elas não tão melhores que as duas primeiras. Continuam as goteiras e as pessoas passeando na rua sem guarda-chuva. A segunda tentativa parece ter sido a melhor das quatro. Resumo do dia: ROLO 65 (3M): (cont) (8) 1A, 1B, 2, 3/5, 4, 6A, 7A. ROLO 66 (3M): (8) 7B, 6B, 6C. (6) 3C, 3D, 3E. (73) 1D. FITA II/DIAL: (8) 3/5, 4, 7A, 7B. Fernando tirou fotos de cena. *** 26/09 dom 9:00 Eu e a Martinha acordamos às 8 e pouco, mas só fomos sair quase às 9 horas. Passamos na Cabral pra pegar todo o material. Já tavam lá nos esperando o Roberto e a Lale. O Fernando pegou a cadeira de rodas e foi tomar café com o Werner. Nós quatro enchemos o carro e fomos indo pra mansão Gerbase. Terminamos tomando café por lá mesmo. A Luciana, o Carlos e o Grübber já tinham chegado. A Luciene se atrasou porque furou um pneu do carro. O Werner e o Fernando logo chegaram. O Alex não veio porque o pai dele (vulgo Sernambão) veio passar o fim de semana em Porto Alegre, e o filho tá fazendo as "honras da cidade". Não imaginava que o Alex fizesse tanta falta: não sei se a luz das cenas de hoje ficou legal ou ficou uma merda, mas o fato é que, no mínimo, a presença do Alex iria evitar um monte de discussões e dúvidas. Resolvemos começar pela cena 9, plano 1, o único dos 20 planos a serem feitos hoje que seria filmado fora do quarto - o Herói, entrando pela porta. Começamos a filmar às 10:40. O plano 1 foi feito com 2 kW de fora, ângulo de 60 graus entre os refletores, mais 1 kW registrando a parede do fundo do quarto. Aí, uma pausa de quarenta minutos pra arrumar todo o lado de dentro, altas discussões em torno de como seria feita a luz, o Werner dizendo que ia ficar uma merda, o Carlos insistindo em que a cena tinha que ser bem iluminada, etc. Eram quase 11:30 quando fizemos o plano 2/4, ele entrando no quarto (visto de dentro - corte no movimento da porta), olhando e indo (panorâmica acompanha) até ela, entregando os discos. 1 kW no cabideiro e outro na estantezinha. Rapidinho o plano 3, Mariana olhando e sorrindo com a revista na mão. Dúvida: como este é o primeiro plano em que a Mariana aparece no filme, não seria melhor fazer um close dela? Por outro lado, como mostrar a revista desse jeito? Terminamos optando por abrir o quadro, e deixando pra "closar" ela mais tarde. Não sei. Fizemos o plano 3 quatro vezes, mesma luz anterior. No primeiro, o Carlos não gostou do sorriso; o segundo foi interrompido; o terceiro foi legal; o quarto foi só pra acabar o rolinho. Mais vinte minutos pra fazer o plano 5, close dela dando o texto dos discos, e isso que absolutamente nada de luz foi alterado - o problema foi o enquadramento. Plano 6, reações dele ao papo sobre os discos, mesma luz. Plano 8, peito-shot dos dois, desde "quem sabe a gente ouve FM?" até o final. Fizemos duas vezes, porque na primeira o Roberto achou que apareceram algumas sombras indesejáveis (fizemos leve mudança na posição dos refletores), e também porque o FM ficou piscando antes de ligar (sintonizamos corretamente e apertamos o plug na tomada). Por falar nisso: visualmente, o mais interessante seria que o "três-em-um" ligasse acendendo uma luz forte em todo o visor, e não só duas luzinhas no canto. A Luciana jura que esse aparelho acendia exatamente assim, e não sabe quando foi que ele estragou. Pra terminar a cena, ainda faltava o plano 7, detalhe dos discos sendo manuseados enquanto ela dá o texto. Tivemos que falsear a posição da cama e botar o Roberto em cima de uma escada, com a câmara na mão, virada pra baixo. Terminamos exatamente às 12:30, na hora em que a mãe do Carlos chamou pro almoço. 13:00 Perdemos só meia hora pra almoçar. Ou seja, ganhamos pelo menos uma hora e meia em relação à hipótese de cada um ir almoçar por si. Começamos a preparar a cena 50, o que levou quase cinqüenta minutos. Começamos pelo plano 1, Herói no canto do quadro e Mariana ao fundo, com duas mudanças de foco. Três vezes: a primeira não foi até o fim, na segunda a mudança de foco saiu ao contrário (deixando sempre fora de foco quem estava falando). Como, pra começar a fazer esta cena, tivemos que fechar as janelas do quarto (era teoricamente de noite), foi necessário adicionar 1 kW ao arsenal de luz utilizado. Toda a cena foi feita, como diria o Alex, com treix quilox. Plano 1: um na sacada, um na estantezinha, um na porta. Depois o plano 3/5, Mariana dizendo "Não é verdade" e "Me acompanhar". Duas vezes cada um, porque podia ter acabado o rolinho antes. Mesma luz anterior. Mais vinte minutos pra fazer o plano 2/4, primeiro plano do Herói. Duas vezes, porque na primeira o Werner errou o texto (um erro que eu achei insignificante, mas ele fez questão de fazer de novo - ator consciencioso é isso aí). mantivemos um refletor na estantezinha e outro na porta mas, pra não vazar, deslocamos o que tava na sacada pro cabideiro. Mais meia hora pra fazer o plano 6 (agora com os três refletores entre a janela e a estantezinha), semelhante ao 2/4, mas agora com uma panorâmica até ela e depois outra panorâmica acompanhando ela até a cama. Três vezes, porque na primeira o movimento não foi legal e a segunda não foi até o fim. Pulamos o plano 7, pra facilitar a movimentação da câmara, uma vez que o 8 era da mesma posição, e apesar dos problemas de continuidade que certamente seriam criados. Só que não adiantou nada, porque neste meio tempo o Roberto resolveu testar o Moviechrome/ Agfa dele e passeou com a câmara por toda a casa. Levamos mais meia hora pra montar o plano 8 (mesmas posições de luz anteriores), ela indo até o armário e dando todo o discurso sobre vaidade. Duas vezes, a primeira não foi até o fim. Bom, mas o enquadramento que foi adotado pra esta plano (deixando ele em quadro o tempo todo, até mais do que ela, que na real é quem dá o discurso) eliminou de cara a necessidade do plano 9 (close nele pra inserir durante a "explosão"), que não foi filmado. Passamos pro plano 7, que tem dois cortes no movimento (ela folheando a revista do 6 pro 7, ela levantando do 7 pro 8), sem grande segurança de que a continuidade não vai dançar. Um refletor na estantezinha, um na janela e outro no cabideiro. Esta mesma luz pro plano 10, que seria teoricamente o mais difícil (traveling com cadeira de rodas entrando no quarto), mas até que deu. Sem problemas, os dois se beijaram, até o final. 16:20 Imediatamente, começamos a fazer a cena 82 (Mariana assistindo novela e depois telefonando), só dois planos. Primeiro o plano 1, panorâmica dos pés até o rosto dela olhando pra tevê. 3 kW - um na janela, um no cabideiro, outro na escrivaninha. Duas vezes, porque a primeira ficou no fim de um rolo. Depois, o plano 3, ela levantando, indo até a escrivaninha e telefonando, papo até o fim. Uma vez só. Tivemos que tirar o refletor que tava na janela e colocá-lo do outro lado, na sacada. Terminamos tudo pouco depois das 17:00. Ficou faltando o plano 2, detalhe da TV mostrando o final da novela, que tem que ser feito uma noite destas. À noite, o Alberto tava indo pra Buenos Aires, fui com ele e a Gile até o aeroporto. Mais nada. Resumo do dia: ROLO 66 (3M): (cont) (9) 1, 2/4, 3A (sorriso), 3B (interrompido), 3C, 3D (pra terminar o rolo). ROLO 67 (3M): (9) 5, 6, 8A (falhou FM, sombras). ROLO 68 (3M): (9) 8B, 7. (50) 1A (interrompido), 1B (foco), 1C, 3/5A (talvez tenha acabado antes). ROLO 69 (3M): (50) 3B, 5B, 2/4A (texto errado), 2/4B, 6A (movimento), 6B (interrompido), 6C. ROLO 70 (3M): (50) 8A (interrompido), 8B, 7, 10. (82)1A. ROLO 71 (3M): (82) 1B, 3. FITA II/DIAL: (9) 2/4, 5, 8A, 8B. (50) 1A, 1B, 1C, 3/5A, 3B, 5B, 2/4A, 2/4B, 6A, 6B, 6C, 8A, 8B, 7, 10. (82) 3. E como é fácil fazer som em filmagens interiores! Detalhe: com o plano 3 da cena 82, acabou o lado B da fita II/DIAL. Fernando tirou fotos de cena. *** 27/09 seg 14:00 Ensaio da cena da Cleide na casa do Werner. Presentes, além de Werner e Cleide, eu, Carlos, Alex, Martinha, Fernando. Ficou legal, mas eles querem outro ensaio antes da filmagem, e de preferência que o ensaio seja no próprio local de filmagem (a casa da Soraia). O Alex, assistindo ao ensaio, teve uma das suas idéias incríveis pra decupagem da cena: se todo mundo filma trepada de cima, por que a gente não filma esta trepada de baixo, botando os dois deitados numa mesa de acrílico ou coisa parecida? O Carlos quase vomitou com a idéia. Eu resolvi aumentar um pouco a cena dele esperando ela no apê: se ela mora com mais amigas, por que não fazer aparecer uma delas - acordando, com cara de sono, estranhando a presença dele ali na sala; tomando café, oferecendo pra ele; ele sem jeito, olhando os discos, escrevendo o bilhete e resolvendo ir embora. *** 28/09 ter 15:00 De manhã fui ao centro e comprei algumas coisas que tavam faltando e que só não foram compradas ontem porque eu dormi demais: refletor 1000 W, Microdiol, pilhas alcalinas pra câmara, 2 envelopes de durex pra coladeira, plugs pra extensões. Calculo que, neste filme nós vamos gastar por volta de 25 mil cruzeiros só em durex! Aliás, continuam de pé as minhas três previsões anteriores: (1) custo máximo do filme - 800 mil; (2) até o dia 16 de outubro o grosso do filme tá filmado; (3) vamos usar ao todo 110 rolinhos. A filmagem da cena 40 (Rib's) foi fácil. O que eu não güento é que, por causa de uns desencontros, as pessoas em volta da Mariana talvez não tenham ficado exatamente como deveriam ser. Por exemplo, não pintou ninguém do Faltou o João, e o Werner tinha ficado de contatar algumas pessoas do grupo pra fazer figuração nesta cena. A Luciene, ao meio-dia, não sabia da filmagem, e só ficou sabendo porque a Martinha ligou pra ela pra confirmar o figurino. Só quem pintou pra figurar foram o Sérgio [Peti] e o Breda, ambos do Vende-se Sonhos. Sorte é que passaram ali perto, pouco antes de a gente ligar a câmara, uma amiga da Martinha (Ana Logmann) e a irmã da Luciene (Karine). Aí, até que ficou legal. Mas a Martinha reconheceu na hora que os figurinos dos extras também podiam ter sido transados. Começamos pelo plano 2. Médio, com um ângulo tal que deixava a praça e a rua ao fundo. Depois, o plano 3, geral, quase do meio da rua, deixando o Rib's no fundo, bem identificável. Pra dar um movimento à cena, fizemos o Breda sair com a moto no meio do plano. Aí, pulamos pro plano 3 da cena 42, que tinha que ser feito junto pra respeitar a simultaneidade das cenas 40 e 41. Como era um ponto de vista do mendigo, fizemos do outro lado da rua, do canto da praça, deixando aparecer um pedaço de árvore num canto do quadro. duas vezes, por segurança. Por último, voltamos pro plano 1 da cena 40, close da Mariana tomando milk-shake. Toda a filmagem em menos de meia hora. Na Cabral, assistimos pela primeira vez aos rolinhos 61 e 62. Os planos iniciais da cena do Ocidente tão mortos, ótimos. E deu pra cena da rua da Praia: tudo o que foi filmado sexta-feira ficou legal. À noite, refiz extensões, arrumei refletores, reorganizei todo o material de filmagem. Na real, precisava mesmo é arrumar o tripé (não sei como) e dar um jeito de prender as rodas da frente da cadeira de rodas. Resumo do dia: ROLO 71 (3M): (cont) (40) 2, 3. (41) 3A, 3B. (40) 1. Sem som. Fernando tirou fotos de cena. Equipe: eu, Carlos, Alex, Fernando, Grübber, Martinha, Roberto. *** 29/09 qua 16:00 Sessão de rolinhos na Cabral. O 57, perdido, ainda não apareceu. Mas vieram hoje oito rolinhos, todos 3M, do 63 ao 70. A reação, a princípio, foi de espanto: a gente tava acostumado com o Ektachrome, que desbota quando tem luz e puxa pro verde quando não tem luz; o 3M Colormovie desbota quando não tem luz a puxa pro azul/roxo sempre. A cena do chocolate quente vai ter que ser refilmada, por falta de luz mesmo. A cena da empregada ficou meio desbotada, mas é isso mesmo. O plano 4, fala do Werner, ficou escuro demais, acho que nós vamos ter que deixar esta fala em off. As outras duas cenas da Luciana (cama e dança) ficaram muito bonitas, mas eu ainda acho que podia ter um pouco mais de luz sobre os corpos deles na cama. Em todo caso, ficou assim. O plano 3 da cena 6 (detalhe dele colocando a ficha no orelhão) saiu errado pela continuidade: como não tinha nenhuma figurinista na filmagem, o Werner terminou vestindo uma jaqueta que não existe no resto da cena. Mas foi resolvido que não se refaria este plano, e que a montagem seria feita sem ele. O cheeseburger morreu: o plano 1 (cena 73) ficou finalmente legal. E as duas cenas (9 e 50) do quarto da Andréa tão completas, sem problemas. Tem um plano (8 da cena 9) completamente fora de foco, mas por sorte ele foi feito de novo - e ficou bom. Incrível é que os motivos pra fazer de novo (sombras, FM não acendeu direito) passam totalmente desapercebidos - mas o foco tá terrivelmente ruim. Ainda ficou faltando o rolo 71 pra matar a cena do telefonema da Mariana (82), mas o plano 1 tá legal. Comprei uma moviola Goko RM-30 do João Guilherme. Pintou 13.500 do Goethe (pelas tais fotos que o Carlos e o Alex bateram), mas tivemos que pagar os 20 mil pra "Palavra cão", pelos rolinhos que eles botaram na nossa pra cena de Montevidéu. A caixa tá quase a zero. *** 30/09 qui 21:00 À tarde, grande notícia: encontraram o rolo 57. Vimos: perfeito! O final do filme tá morto. Como o começo também tá morto, dá pra dizer que agora só falta o meio. De noite, marcamos a filmagem do plano 2 da cena 88 (a chuva em plano aberto). Depois de muitas discussões, tínhamos resolvido fazer com chuva falsa, por causa dos problemas de iluminação. Equipe: eu, Carlos, Alex, Fernando, Roberto. Mas tivemos que pedir pra Nina descer porque faltava um braço. Levamos mais de uma hora pra arrumar tudo. O dono da casa me frente não quis deixar a gente ligar a luz na casa dele. Tivemos que pedir pro cara da obra, vinte metros mais adiante. Mas aí os fios que a gente tinha não chegavam, a Nina teve que pegar mais uma extensão em casa. Esqueci de dizer um lance anterior: como o meu competente e amarrado amigo Léo Otofenic não arrumou a rosca da câmara do Roberto, tivemos que usar a minha, com todos os problemas que isso possa ter acarretado. Foi difícil pedir de novo pros vizinhos da Xala a mangueira emprestada (a mesma mangueira que a gente já usou pra falsificar a chuva na cena final). Tentaram estacionar na frente da câmara, sujando o quadro. Foi brabo também achar a posição relativa entre a câmara, a mangueira, o jato da mangueira e a luz (dois refletores de 1000 W cada, segurados pelo Fernando e pela Nina). O Alex ficou na mangueira, o Roberto na câmara, eu no guarda-chuva e o Carlos dirigindo o carro (fuca branco dele mesmo) e a cena. Tudo pronto, fizemos três vezes em pouco mais de três minutos: (A) mangueira mais afastada, fotometragem 1.2; (B) mangueira mais próxima, fotometragem 1.2; (C) mangueira mais próxima, diafragma um pouco mais fechado pra não "chapar"o carro branco com a luz direta. Antes de filmar, molhamos toda a calçada que aparecia em quadro, pra tornar a chuva mais verossímil. E, na colocação das luzes, um dos refletores foi colocado de baixo pra cima, pra iluminar melhor os pingos da chuva. Depois de algumas experiências frustradas, desistimos definitivamente de usar o tal regador pra produzir chuva: a mangueira é incomparavelmente melhor (pro efeito que se pretende dar; em compensação, é pior pro equipamento de filmagem e pra saúde da equipe). Após a filmagem, fui jantar na casa do Plínio - despedida da Miriam. Mais uma. Resumo do dia: ROLO 72 (160 ASA): (Sankyo XL600-S) (88) 2A (chuva de longe), 2B (chuva de perto), 2C (diafragma mais fechado) (35 pés). Sem som, sem fotos de cena. *** 01/10 sex Werner foi a Tramandaí comprar vime. Não teve edição do "B de Brasil" à tarde. Fiz uma pré-decupagem das cenas da imobiliária (37 e 46). O Carlos resolveu desmarcar a filmagem da Siquei8ra Campos, de sábado (amanhã) pra domingo. Não escrevi o "Quizumba" que eu tinha que escrever. Como o Léo Otofenic ainda nem abriu a câmara do Roberto pra ver o que ela tinha, tive que pegar ela assim mesmo pra usar no fim de semana. *** 02/10 sab Sábado sem filmagem: porque o pai do Roberto chegava de tarde e o Roberto precisava buscá-lo no aeroporto; e porque o Carlos ia ajudar o seu irmão Zeca, que estava de mudança. Só que as pontes do dia não tinham sido desmarcadas com todo mundo: o Roberto foi pra Siqueira Campos e não encontrou ninguém; Grübber, Alex e Werner passaram na Cabral e o Fernando não soube dar certeza pra eles de que a filmagem não sairia. Confusão, desencontros. No final da tarde, o Werner cortou o cabelo, mas eu tenho medo de que tenha ficado curto demais. Passei toda a madrugada escrevendo o "Quizumba". Antes disso: à noite, por acaso, a Martinha se lembrou que tinha que avisar a Ivonete do ensaio de amanhã. Assistimos ao "Quintet" do Altman. *** 03/10 dom 8:00 Difícil ensaiar uma cena com tanta gente (Friends - 25/27), ainda mais num domingo de manhã. E eu morrendo de sono, terminando de datilografar o "Quizumba". Martinha, Carlos, Werner, Alex, Grübber, Marco, Ivonete. Mas o Angel e a Cleide não chegavam nunca. Até que, pelas 9:40, resolvi olhar da sacada pra baixo, e vi os pés da Cleide, sentada no chão, esperando talvez que o porteiro eletrônico funcionasse, ou que as "pessoas normais" do edifício não se acordassem com os gritos cuidadosos que eles deram pedindo pra abrir a porta. Não pude assistir ao ensaio, tive que batalhar os xerox pro "Quizumba". Desmarcamos a filmagem da tarde porque o cabelo do Werner realmente tava incompatível com os planos já filmados. Eu fiquei puto, mas o Werner tinha razão: não dava pra filmar hoje. À tarde, eu e o Carlos decupamos as cenas da Cleide (26 e 28 a 36). Frustrante é passar um fim de semana sem filmar nada, sabendo que durante a semana é tão difícil. Mais ainda: pagar 1200 cruzeiros por um corte de cabelo e depois ter que desmarcar uma filmagem porque o corte de cabelo saiu errado. Assistimos ao "Missing" do Costa-Gavras. *** 04/10 seg 8:30 Por marcação, não entramos a tempo em contato com a Soraia, e terminamos optando por fazer o ensaio (cenas 26 e 28 - com a Cleide) na casa do Werner. A Cleide telefonou cedo pra Martinha e foi avisada. Passamos na casa do Werner cedo e deixamos o recado. E fomos pra frente do edifício da Soraia esperar o Carlos. A Soraia apareceu (era aniversário dela e a Martinha chegou a pensar que ela estaria em Bento), mas era tarde: seria absurdo chegar na casa dela e dizer: nós vamos ensaiar aqui agora, tudo bem? O Carlos chegou depois das 9, fomos todos pra casa do Werner. A Cleide já tinha chegado, mas faltava a Deborah, que tinha ficado de aparecer na Soraia às 10:00. Liguei, e ela já tinha saído. Saco: lá fui eu de novo pra Soraia, esperar a Deborah, enquanto a Martinha (depois de ter me deixado lá) ia pra aula. A Deb chegou exatamente às 10:00. Voltei pra casa do Werner, mas de novo quase não deu pra assistir ao ensaio. Acho (pelo pouco que vi) que a cena tá legal. 15:00 Tive que interromper a arrumação da casa pra preparar a refilmagem da cena 57 (chocolate - com a Luciana). Em princípio, hoje de tarde, era pra ser filmada a cena 26/28 (que foi ensaiada de manhã), mas esta ocuparia a tarde toda, e o Roberto tinha ensaio do "Urano" até as 16:00. Então, desde ontem, trocamos (mais uma vez) o cronograma. Eu peguei no sono enquanto o Carlos, o Werner, o Alex, o Fernando e a Martinha preparavam o cenário. O Roberto chegou com a câmara às 16:00. Aí o Carlos foi buscar a Luciana, que tava meio gripada. Quando fomos filmar, já eram quase 17:30. Luz, talvez exagerada: 2000 W, um refletor de cada lado da mesa, mais a luz que vinha pela janela - e o dia tava até ensolarado. Isso que o Carlos não conseguiu ligar os outros 600 W que ele queria (duas lâmpadas de 300 W cada, de cima pra baixo) porque o disjuntor caiu duas vezes. Fizemos três vezes o traveling e o Roberto não gostou de nenhum deles. Por isso, o Carlos terminou fazendo uma vez o plano fixo, sem traveling, pra eventualmente substituir a intenção original. Tenho vontade de devolver logo a cadeira de rodas, já que ela não serve pra nada. Ficou pronto o rolinho 71: matamos o telefonema (cena 82) e o Rib's (cena 40). 20:00 Pra disfarçar um pouco o fato de que não estamos fazendo nada ultimamente, e também pra aproveitar antes que acabe a novela "Sétimo sentido" (a próxima novela das oito vai se chamar "Sol de verão", incompatível com o filme que a gente tá fazendo), resolvemos fazer logo o plano 2 da cena 82 (o final da novela e as "cenas dos próximos capítulos). Fizemos na casa da Luciana, porque foi a tevê dela que apareceu no quarto da Mariana. O Carlos filmou vários planos da novela, pra gente poder pirar na montagem, e também pra acabar de uma vez o rolo. Eu e a Martinha saímos antes dele filmar o "a seguir, cenas dos próximos capítulos", porque tinha ensaio do "Quizumba" na Girassol. Depois, ainda fomos assistir ao "Calígula", da meia-noite às três da manhã. Três dias seguidos, três filmes. Fazia tempo. Resumo do dia: ROLO 73 (3M): (57) 1E, 1F, 1G (travelings), 1H (fixo). ROLO 72 (160ASA): (cont) (82) 2-várias alternativas. Nenhuma foto de cena foi tirada (e nem deveria ter sido). Nada de som. A tevê da Luciana não tem saída por cabo e eu achei que não valia a pena gravar o som da novela no microfone - ia ficar muito ruim e não iria ser usado mesmo. Preciso gravar isso outro dia. *** 05/10 ter Esqueci de contar a respeito de ontem, segunda-feira: à noite, o Carlos ligou pro Aníbal Damasceno Ferreira pra confirmar a filmagem da cena do mendigo. E ele deu o seguinte toque: desistiu de fazer a cena. Filho da puta! Já tava tudo certo. Agora não dava mais pra repensar tudo com outra pessoa fazendo o mendigo. Pelo menos pra hoje. Passei a manhã dormindo, a tarde batendo cartão da loto, a noite gravando o "Quizumba". Que semana de merda! *** 06/10 qua Tava marcada a filmagem da cena da Cleide, mas desde ante-ontem se sabia que a Cleide não podia. Então marcamos o ensaio da cena 50 (desenhos japoneses). Eu tinha ficado de avisar o Werner, o Carlos de avisar a Luciene. No fim, o Carlos não avisou ela. Liguei pra casa dela de manhã - e ela não podia. Mais um dia perdido. Passei a manhã, a tarde e a noite arrumando a casa. *** 07/10 qui 16:00 Surpresa: não teve edição do "B de Brasil" na Bandeirantes! Eu e o Carlos nos encontramos à tarde pra marcar as pontes pra semana que vem. Logo chegaram Alex e Fernando, depois o Roberto. Resolvi ir com Alex até a imobiliária, pra ver as posições de luz. Chegamos lá às 18:15, a imobiliária tava fechada. Resolvi passar na Z, só pra confirmar bem confirmado que o Sérgio tinha confirmado a confirmação com o cara da imobiliária. E pintou a última bomba da semana: o cara não gostou da idéia, achou que ia dar muito ajuntamento, etc. E o Sérgio vai me dizer isso agora! Por alguns momentos, pareceu que tinha dançado a cena da imobiliária. As opções eram: ou deixar pra "um fim de semana" indeterminado (e desmarcar todas as pontes já fechadas); ou aceitar a proposta do Sérgio de fazer em outra imobiliária, só que no raio que o parta, ou, mais precisamente, na Baltazar de Oliveira Garcia (e perder muito mais tempo do que estava previsto). Liguei pra Luciana, o Carlos não tava. Passei no Carlos e fomos os dois pra Luciana. Ligamos pro Sérgio e acertamos assim: amanhã de manhã, eu e o Sérgio vamos tentar convencer o cara da imobiliária de que não vai haver ajuntamento; se não der, faremos lá na Z mesmo. Aí, eram 20:15, pintou o seguinte: a novela das oito ("Sétimo sentido") vai terminar sábado; amanhã (sexta) eu vou estar em Novo Hamburgo na hora da novela; logo, hoje era a última chance de gravar o texto do final do capítulo, com aquela chamada pra "A seguir, cenas dos próximos capítulos". E aí começou a maratona. Fomos no Carlos buscar o gravador e os fones. Passamos na minha casa pra pegar o cabo de gravação e a fita de cromo. Aí, descobri que a tevê do Barê tem saída pra gravação direta. Instalamos tudo pra gravar, mas tinha uma interferência horrorosa, não dava. E, a essas alturas, a novela correndo. Troquei o cabo várias vezes, e nada. Tentei com o microfone: pior ainda. Eu já tava desistindo. Aí o Carlos propôs de ir na mãe dele. Eu achei que não dava tempo, mas fomos. Duas tevês, nenhuma delas com saída pra gravação. E a Globo transmitindo propaganda eleitoral. Resolvi ligar pra minha mãe pra saber se a novela já tinha acabado. Ela não sabia, mas neste momento a novela voltou. Fomos até a minha mãe, do outro lado da cidade. No meio do caminho, fui ligando todos os cabos, etc. Chegamos lá e tava no intervalo, imaginamos que tinha acabado a novela e que nada tinha dado certo. (Já eram 21:15.) Mas deu tempo de sobra pra gravar, o som ficou bom e (o que é mais importante) o final do capítulo foi simplesmente terrível: se a gente tivesse escrito um final horroroso de capítulo de novela das oito, certamente não teria ficado tão ruim assim. Perfeito. Ainda fui nos ensaios do Faltou o João e do Vende-se Sonhos pra acertar pontes. *** 08/10 sex 12:00 Acordei às 8:00 pra fazer algumas coisas pequenas, como comprar um Tri-X e buscar o telefone vermelho pequeno da mãe, além de já deixar preparado todo o material de filmagem. Às 10:30 passei em casa e depois fui com o Fernando levar o material pra Z. A pé, foi um sacrifício, a mala tava pesadíssima. Falei com o Sérgio: ele tinha falado de novo com o cara da imobiliária e nada feito. O negócio era produzir a imobiliária ali mesmo, na Z. As pessoas foram chegando aso poucos: Grübber (sempre um dos primeiros), Martinha, Denise, Werner, Evânia (a jornalista de Novo Hamburgo que veio com o Werner pra assistir à filmagem, Roberto, Marioni, Carlos (tinha que dar aula até as 11:30, por isso se atrasou um pouco), Alex (inexplicavelmente atrasado, alegou que não sabia da filmagem), Alfredo (o primo do Carlos que ia fazer o chefe). Martinha foi comprar um mapa da cidade pra produzir a parede da imobiliária. Sérgio e Irajá nos liberaram a Z às 11:40. Até arredar os móveis pra deixar na posição que a gente tinha imaginado, preparar a luz (3 kW todo o tempo, com algumas pequenas variações de posição), colocar os figurinos nos atores, ensaiar as marcações, etc, demorou um tempo. Começamos a filmar às 12:30. Mais uma vez, a Martinha não pôde assistir a quase nada da filmagem: teve que ir buscar a câmara fotográfica que o Carlos tinha esquecido. Produção executiva é isso. O primeiro plano filmado foi o plano 6 da cena 37, pra dispensar o Alfredo-bacharel. Duas vezes, porque na primeira o movimento de câmara foi vacilante e não foi até o final. Às 12:35 o Alfredo tava dispensado. Depois filmamos o plano 7, o telefone e a luz se apagando. Duas vezes, porque na primeira o Roberto (moscão) desligou a câmara quando a luz apagou. Vinte minutos pra preparar o plano 5, a imobiliária vazia, o telefone tocando, o Werner atendendo e dando o papo até o final. Rapidinho, o plano 2, mesma posição de câmara, mas com a imobiliária em atividade, único plano em que aparecem a Marioni e a Denise (a primeira, qualquer coisa como uma secretária; a segunda, uma inquilina ou futura inquilina). A criação do ambiente da imobiliária, por sinal, é uma coisa discutível: na real, fui eu que planejei quase todo o lance, mas tenho medo. A idéia é aparecer sempre só o lado esquerdo de quem tá sentado nas mesas (Werner e Marioni), pra que o lado direito seja todo criado em cima dos planos isolados (e fechados) dos críticos de cinema, cada um no seu local de trabalho. Geografia criativa, a ser reforçada pela continuidade do som e por alguns elementos que a gente pode colocar nos cenários (por exemplo, um Con-tact em cima de todas as mesas de trabalho, com a mesma cor das mesas da Z; e/ou um fundo branco (como as paredes da Z) atrás de todos os rostos; etc). Acho que vai ficar bom, mas só dá pra dizer ao certo quando a gente filmar os críticos. Não dá pra esquecer que pode acontecer de todos eles se recusarem. Mas é bom não pensar nisso agora. Filmamos o plano 2 uma vez só, sem problemas. Aí, dava pra dispensar a Denise e a Marioni, mas a câmara fotográfica ainda não tinha chegado, e era legal bater uma foto deste plano. Passamos pro plano 3, close do Herói em continuidade ao plano 2, decepcionado. Duas vezes, porque na primeira o Werner não gostou da sua própria interpretação. Por último, o plano 1, início da cena, Herói na mesa, trabalhando. Sem problemas. Não fizemos o plano 4, o relógio de parede marcando 6:10, mesmo porque não tinha relógio de parede na Z. E este plano dá pra fazer qualquer dia, em qualquer lugar. Passamos pra cena 46 (a dos críticos, citação de "Fat city"), da qual só dava pra fazer o primeiro e o último planos (1 e 10). Menos de 15 minutos pra mudar a roupa do Werner, as coisas em cima da mesa e o astral (pra mais pesado). Fizemos o plano 1, ele trabalhando, parando, olhando em volta. Depois o plano 10, ele (Herói) percebendo que alguém (a câmara-Tuio) tá percebendo que ele (Herói) tá olhando ele (alguém), desviando o olhar, tentando voltar ao trabalho. Este último plano foi feito três vezes, porque as duas primeiras ficaram muito curtas. Terminamos as filmagens às 13:27, mas ainda ficamos mais alguns minutos pra fazer as fotos de cena, principalmente a do plano 2 da cena 37 (com a Marioni e a Denise). Com isso, passamos um pouco das 13:30 (horário em que a gente tinha prometido devolver a Z pro Sérgio e pro Irajá). Arrumamos as coisas, levei tudo pra casa e fui almoçar na mãe com a Martinha. Depois fui com o Werner e a Evânia pra Novo Hamburgo, pra sessão do "Coisa na roda". Na volta, chegamos em casa depois da uma da madrugada, mas o Alex e o Fernando ainda queriam assistir a alguns rolinhos que eles não tinham visto, a Denise assistiu também. Fui dormir depois das 2:30. Não escrevi o "Quizumba". Resumo do dia: ROLO 73 (3M): (cont) (37) 6A (interrompido), 6B, 7A (curto), 7B. ROLO 74 (3M) (37) 5, 2, 3A (interpretação), 3B, 1. ROLO 75 (3M): (46) 10a (curto), 10B (curto), 10C. (40 pés). FITA III/DIAL: (37) 6A, 6B, 5, 2. Fernando bateu fotos de cena. Detalhes importantes: toda a cena de hoje foi filmada com a minha câmara (Sankyo XL-400S) porque a do Roberto (Canon 1014) ainda não tava pronta. Deixei a papeleta e a grana pro Carlos buscar a câmara no fim da tarde, lá na Otofenic (já que eu estaria em Novo Hamburgo). Deixei também a papeleta e a grana pro Alex pegar no Curt o rolo 72. Assistimos ele à noite: a chuva (plano 2 da cena 88) ficou legal, mas o fuca branco realmente saiu meio chapado, acho que vamos ter que mostrar só a rua vazia; e o final da novela saiu bonito, enquadramento legal, pouco batimento, dá pra montar numa boa. Pedrinho chegou do Rio. *** 09/10 sab 14:00 De manhã, eu, Martinha e Fernando fomos ao aeroporto ver a saída da Luciana. O Carlos tava lá, levemente deslocado no meio das famílias do Hugo e da Luciana, parecia que ninguém lá tava entendendo direito o que tava acontecendo. Saímos de lá 12:30, deixando o Carlos sozinho no meio das famílias. Chegamos em casa e fomos almoçando enquanto assistíamos ao "Quizumba". A ponte era na Cabral às 13:00, pra sair depois do "Quizumba". Mas às 13h40, terminada a parte do Vende-se Sonhos, só tavam eu, Martinha, Fernando, Alex, Grübber (que avisou que não ia poder participar da filmagem por causa do ensaio do Faltou o João) e Luciene. O Carlos avisou no aeroporto que ia direto pra Siqueira Campos. Mas o Werner tava na casa dele, cagando. E nada do Roberto. Fomos pra Siqueira Campos e deixamos um bilhete pro Roberto. Erro de ponte: eu tinha ficado de marcar com ele na sexta-feira, mas esqueci, e ele também não perguntou. Quando ele chegou, direto lá na Siqueira, tava todo mundo só esperando por ele (e pelo tripé) pra começar a filmagem. A Martinha foi pro ensaio. De novo, a câmara Canon, que o Carlos tinha buscado ontem, revisada. O Roberto falou que até o barulho tava diferente, mais suave. Começamos (às 14:44) pelo plano 1 da cena 39, o início de toda a seqüência da Siqueira Campos, só o Herói sentado no murinho, câmara oblíqua, espaço dos dois lados, sol. Aí, passamos pra cena 42, pra aproveitar o sol no muro e dispensar a Luciene. Primeiro o plano 4, ela surgindo, ele sorrindo. Depois o plano 5, ele, por trás, perguntando se ela achava bonito. Duas vezes, porque na primeira o Werner não deu o tempo certo da fala. E o plano 6, a Mariana respondendo que achava triste e que não queria ficar ali. Três vezes, três fotometragens diferentes. Dispensamos a Luciene às 15:03. O Fernando foi junto pro ensaio. Em seguida, fizemos o plano 7, a Mariana desparecendo, o Herói sozinho de novo, virando pra frente. (Este plano é imediatamente anterior à câmara subjetiva - plano 8 - com os friends aparecendo e falando com ele, e toda aquela série - até o plano 35 - que foi filmada 35 dias atrás.) Aí, voltamos pra cena 39. Primeiro o plano 2, Herói de costas, olha pro lado, pan mostra o ambiente. Fizemos com a posição do Werner totalmente falseada, ele sentado no capô do Bacatim em cima da calçada na frente do murinho mais perto do centro (não o murinho "verdadeiro", onde foram filmados os planos abertos da cena). Motivos do falseamento: (1) aproveitar o sol, que, a esta altura (15:21), já não batia mais no murinho "verdadeiro"; (2) mostrar, na panorâmica, a calçada e a rua, não a parede que limita os murinhos. Duas vezes o plano 2, porque na primeira o movimento de câmara saiu meio vacilante. Plano 3, close do Herói olhando, satisfeito (filmado no murinho "falso"). Duas vezes, porque na primeira o vento sacudiu o cabelo do Werner. (Deste plano, corta pras cenas do Rib's e do mendigo.) Passamos pra cena 42, de novo. Plano 1, igual ao plano 3 da cena 39, ele terminou de imaginar as cenas do Rib's e do mendigo e olha pro sol. Duas vezes, variando a fotometragem. Plano 3, ele ofuscado, imediatamente antes do aparecimento da Mariana. Mesma posição de câmara. Três vezes, a primeira pra acabar o rolo e as outras duas variando a fotometragem. Plano 2, a nuca do Herói e o sol entrando na lente e chapando tudo. Totalmente falseado: colocamos o Werner de pé e a câmara de baixo pra cima. Cinco vezes, variando a fotometragem. Aí fizemos o plano 9, ele olhando e vendo os Tortos pela primeira vez ("Olha lá que troço estranho!), intermediário entre os planos 8 (os friends olhando pra ele, em câmara subjetiva) e 10 (os friends sentados junto com ele, todos olhando pros Tortos. Sete vezes (!!!): a primeira teve erro de quadro quando ele se virou; a segunda, a sexta e a sétima foram feitas com alteração de fotometragem; as outras saíram errado. Pra não dar problema de continuidade, o Roberto fez um super-close dele, sem cabelos em quadro. Já eram mais de 16:00 quando fizemos os planos dele, sozinho, indo atrás dos Tortos. Primeiro o 28 (close), depois o 30 (mais aberto, ele saindo pra esquina), duas vezes, porque na primeira o Werner riu. Pausa de uma hora pra esperar o sol baixar e fazer o resto, os três planos dele olhando os Tortos no final da seqüência. Recomeçamos às 17:15. A posição foi falseada de novo, o Werner ficou a uma quadra de distância de onde foram filmados os contraplanos, e num ângulo inclinado de uns 20° em relação àquele em que ele realmente deveria estar para ver os Tortos. Começamos pelo plano 32, mais aberto. Quatro vezes: na primeira passaram carros no fundo; as outras três variando a fotometragem. Plano 34, mais fechado no rosto dele, duas vezes, variando a fotometragem. E, por último, o plano 36, close dele com o sol atrás, fade out. Quatro vezes, variando o diafragma. Foi a cena que nós filmamos em maior proporção, e a que levou mais tempo pra termina: cinco semanas, oito rolinhos, quatro ou cinco por um. Mas ainda não dá pra cantar vitória: falta ver o material revelado e pronto. No fim da tarde/ início da noite, eu, Carlos e Alex decupamos as cenas a serem filmadas amanhã (25, 27 e 38 ou Friends I). Na real, só mudamos algumas coisas da decupagem que o Alex tinha feito há duas ou três semanas. O Carlos viu o rolo 2. Depois, fui no aniversário do Pedro. Resumo do dia: ROLO 76: (39) 1. (42) 4, 5A (tempo), 6A, 6B, 6C (fotometragens), 7. (39) 2A (movimento), 2B, 3A (vento), 3B, 1A (fotometragem), 1B, 3A (final de rolo). ROLO 77: (42) 3B (fotometragem), 3C, 2A (diaf 16), 2B (diaf 32), 2C (diaf vermelho), 2D (diaf 8), 2E (diaf automático), 9A (quadro), 9B (fotometragem), 9C (interrompido), 9D (errado), 9E (interrompido), 9F (fotometragem), 9G, 28, 30A (rindo), 30B. ROLO 78: (42) 32A (fundo), 32B (diaf autom), 32C (diaf mais fechado), 32D (diaf mais aberto), 36A (diaf 32), 36B (diaf 32/11), 36C (diaf 11/8), 36D (diaf vermelho). (18 pés) FITA III/DIAL: (42) 5A, 5B, 6A, 6B, 6C. (Não gravei o 9 porque a frase é óbvia: "Olha lá que troço estranho.") Não teve fotos de cena. O Carlos disse que já tinham sido batidas muitas fotos desta cena, e é verdade. Mas nenhuma mostrando o Herói com a Mariana na Siqueira Campos. *** 10/10 dom 8:30 Eu e a Martinha acordamos às 7:25. Ela ligou pra Cleide (tirando da cama), pro Marco (já tava acordado) e pro Roberto (não tava na casa dos pais dele). Pegamos figurinos e almofadas extras pra cena, Martinha ainda passou na mãe dela pra pegar uma calça que tava faltando e fomos pra Cabral. Enquanto eu acordava o Fernando e arrumava o material, a Martinha acordava o Werner e o Alex. Enchemos o Prata e deixamos os três, mais a cadeira de rodas, no Bacatim. Passamos pra pegar o Marco. Chegamos na casa da Silvana às 8:32. Já tavam lá o Carlos, a Ivonete (trazida pelo Carlos) e o Grum. Logo chegou o Roberto. Os únicos atrasados (e não muito) foram o Peixes (Cleide e Angel, pra quem não sabe) - e isso que a produção tava pagando táxi pra eles. Eu e o Werner fomos batalhar cuia e bomba de chimarrão no apê do César, candidato a deputado estadual pelo PT, e 14 andares acima. Martinha ficou orientando os figurinos, enquanto Carlos, Grum e Alex dirigiam a colocação das luzes. Em menos de uma hora ficou tudo pronto. Pequeno problema: o croquis em cima do qual foi feita a decupagem tava completamente desproporcional, e esqueceu algumas coisas essenciais, como por exemplo um enorme pilar no meio da sala, impedindo o traveling que o Alex tinha planejado pro plano 1/2. Chegamos a ensaiar o plano 1/2 como panorâmica, mas o tempo real ficava comprometido, porque no plano 3 o Werner/ Herói tinha que entrar em quadro enquanto o Grum/ Júlio falava "Chegou o caminhante solitário" e o Marco/ Milton chamava ele pra sentar do seu lado. Resultado: no plano 1/2 o Herói entrava na sala (junto com o Alexandre, por sugestão minha: pra dar mais movimentação à cena, mais importância ao personagem do Angel e pra mostrar que ele é o dono da casa). Parava, olhava pros friends, a câmara acompanhava o olhar dele, mostrava os friends, mas eles não faziam nada. Solução: fizemos os planos 1/2/3 juntos, num plano só, combinando a pan e um pequeno zoom final pra deixar em quadro só os três (Júlio, Milton, Herói). Foi o primeiro plano filmado, às 9:49. A luz, praticamente inalterada até o fim, tinha 2600 W (um refletor de mil atrás do pilar; outro flutuando entre a porta da cozinha e o pilar, conforme a posição da câmara; 300 W no lustre, de cima deles; mais 300 W no pau de luz pequeno, registrando a porta de entrada). Filmamos quase tudo em ordem, e com poucas repetições. Do plano 1/2/3 passamos pro plano 4, Cláudia e Lúcia, duas falas da Cláudia com uma do Herói em off. Plano 5, Herói e Milton, uma fala de cada um. Pulamos pro plano 7, panorâmica entre o Herói, Milton e Júlio, duas falas pra cada um. Esta foi feita duas vezes, por causa do movimento de câmara e do olhar do Werner. Voltamos pro plano 6, Cláudia e Maria, duas falas da Maria com uma do Herói em off. Duas vezes, na primeira a Ivonete errou o texto. Plano 8, close e fala do Alexandre. Três vezes: na primeira deu problema de texto; a terceira, o Roberto quis fazer pra variar o ângulo. Plano 9, o mais comprido, panorâmica entre Milton, Herói, Maria, Cláudia e Lúcia. Uma vez só, apesar de que o Roberto sentiu um pequeno problema no movimento de câmara. Plano 10, Milton e Herói, a fala do Milton, "comigo não tem fingimento" e o zoom no Herói, olhando pra Cláudia (fora de quadro). Duas vezes, na primeira o Werner riu. Pulamos pro plano 1 da cena 27, que é exatamente a mesma coisa, só que depois do flash-back que é a cena 26 (trepada). Voltamos pro plano 11 da cena 25, close de Cláudia, encarando, final da cena e corte pro flash-back. Duas vezes, variando o quadro. Quinze minutos de pausa porque queimou uma lâmpada de mil (mais custo de equipamento) que tinha ficado muito tempo acesa. Entramos definitivamente na cena 27 às 11:30. Plano 2, Cláudia encarando o Herói, se levantando e sentando ao lado do Milton, beijo. Plano 3, close do Herói, incomodado, perguntando pelo Hermann Hesse pro Milton. Plano 4/6, Milton, Herói e Maria: "Agora tou lendo Sidarta", "Aquele dos hindus?" "Alguém mais já leu?", fala do Alexandre ficou pra ser filmada depois, "Eu li há muito tempo, agora ia detestar", "Claro, já leu Ulisses", "Não tem nada a ver" e a Maria mudando de assunto: "Já foi ver Reds, Cláudia?" Por precaução, e como tinha acabado o rolinho, refilmamos só a segunda parte, o plano 6. Depois o plano 7, close da Cláudia, "Eu queria o Warren Beatty na minha cama". Três vezes: na primeira passou a sombra do Fernando no rosto dela; a segunda foi curta. Por último o plano 5, close do Alexandre, "Eu li Demian". Duas vezes, variando a fotometragem. Eram 12h quando passamos pra cena 38, que encerra a seqüência, uma cena mais fácil, porque não tem falas. Plano 2/5, close do Herói, angustiado. Plano 3, close da Cláudia, rindo. Duas vezes, porque na primeira a Cleide não olhou pro Werner. Plano 4, close do Júlio sacando. E, pra acabar, o plano 1, geral, "todos riem da piada de Cláudia" (como tava no roteiro) ou "ninguém ri da piada de Cláudia" (como ficou na filmagem). Terminamos tudo às 12:20, muito antes do que eu tinha imaginado. Guardamos o material e fomos pra casa. O churrasco do Pedro não saiu por causa da chuva. Mesmo assim, comemos (eu, Martinha, Sérgio, Nico, Carlos e Marco) um espeto corrido no Saci. Me lembrei de uma coisa: sexta o Werner queria transferir a filmagem da Siqueira Campos, de sábado pra domingo, porque ele pretendia transar um lance de laboratório como Faltou o João no sábado. Eu falei que ele podia transferir o laboratório pra domingo, e perguntei: e se faz sol no sábado e não no domingo? Foi exatamente o que aconteceu. E estamos todos um pouco mais aliviados por isso. Só gorou a intenção da Martinha de ver o ensaio geral do Faltou o João e aproveitar o domingo (quando ela não tem ensaio) pra isso. Dormi das quatro da tarde às oito da noite. O grenal terminou 2x2. Atualizei o diário. Resumo do dia: ROLO 75 (3M): (cont) (25) 1/2/3, 4, 5, 7A (movimento, olhar do Werner), 7B, 6A (texto), 6B, 8A (texto), 8B, 8C (mais de baixo). ROLO 79 (3M): (25) 9, 10A (Werner riu), 10B. (27) 1. (25) 11A (quadro), 11B. (27) 2, 3, 4/6. ROLO 80 (3M): (27) 6, 7A (sombra), 7B (curto), 7C, 5A (fotometragem), 5B. (38) 2/5, 3A (não olhou), 3B, 4, 1. (11 pés) FITA III/DIAL: (25) 1/2/3, 4, 5, 7A, 7B, 6A, 6B, 8A, 8B, 8C, 9, 10A, 10B. (27) 3, 4/6, 6, 7A, 7B, 7C, 5A, 5B. Fernando tirou fotos de cena. Detalhe: num dos planos gravados, a porra do gravador foi ligado errado (uma peça não encostou direito na outra) e ele gravou em rotação acelerada. Quer dizer, quando se ouve normalmente as pessoas falam em marcha lenta. Não lembro qual foi o plano, preciso revisar toda a fita. *** 11/10 seg 9:00 Não dormi. Tomei café e banho por volta das 6 horas, dei um tempo e fui pro centro, tentar comprar os rolinhos, lâmpadas, etc, que tinham que ser comprados. Marcação ou imbecilidade: claro que, principalmente numa segunda-feira, não ia ter nada aberto antes das 8:30. Desisti e fui me encontrar com a Martinha, na casa da mãe dela. Pegamos os figurinos e alguns objetos de cena (discos, bandeja) na casa dela, e o material de filmagem na Cabral. Acordamos o Fernando, Werner e Alex, e às 8:30 estávamos na frente da casa da Soraia. Carlos, Roberto e Deborah chegaram logo depois. Cleide chegou depois das 9:10, e isso que a ponte com ela era às 8:30. Subimos, acordamos a Soraia e começamos a preparar o cenário, mas nada do Werner e do Alex chegarem. Resolvemos filmar primeiro os planos da Deborah (11, 13 e 16 da cena 28/36). Mas, até preparar tudo, o Werner já tinha chegado, dizendo que tinha que sair antes das 13:00. A ordem ficou sendo esta mesma: primeiro tudo o que tinha que ser filmado na sala, com prioridade pra Deborah. Começamos pelo plano 11/13, Deb acordando e vendo o Herói, estranhando e indo pro banheiro. Depois o plano 16, Deb tomando café e olhando o Herói escrever o bilhete. Tudo uma vez só, que não dava pra desperdiçar filme: tínhamos pouco mais de 4 rolinhos pra filmar 24 planos. Antes das 10:15 a Deb tava dispensada. Aí o Carlos começou a mudar a decupagem: resolveu filmar os planos 6 e 7 duma vez só, sem corte eliminando o detalhe dos discos sendo examinados. Plano 10, Herói sentado, com um disco na mão, olhando a Deb chegar. Plano 12, mais fechado, ele dando "Oi", pra Deb, sem jeito. Duas vezes (primeira repetição do dia), porque o Werner não gostou da interpretação. Plano 15/17, Herói escrevendo bilhete, percebendo o olhar da Deb e voltando a escrever. Duas vezes, porque a primeira ficou muito curta. Com isso, acabamos os planos da sala, e resolvemos passar pra cozinha antes de ir definitivamente pro quarto. Mas, enquanto o leite não fervia, o Carlos resolveu refazer o plano 6/7 (discos), de um ângulo alternativo, mas sem voltar à decupagem original. Todos os planos filmados na sala foram com iluminação de 2000 W, quase sem alteração de posição. Às 11:00 passamos pra cozinha, pra filmar um plano só, e com 1000 W rebatidos no teto; apesar da insistência do Werner pra que a luz viesse da porta da areazinha, o Roberto garantiu que, com o quadro fechado como estava, não ia fazer diferença nenhuma. Foi o plano 2, leite subindo na caneca e a mão do Herói apagando o fogo. Só que o Werner girou o botão pro lado errado, pra fogo baixo, e o leite continuou subindo, e sujou a caneca e o fogão. Apesar dos meus protestos, não houve refilmagem - o Carlos garantiu que dá pra cortar antes do transbordamento. Passamos pro quarto, e o Carlos resolveu fazer primeiro a cena 26 (trepada), em ordem. Primeiro o plano 1, só o rosto do Herói, filmado de cima. Depois o plano 2, só o rosto da Cláudia, de baixo pra cima, sacudindo, quase gozando. Plano 3, da porta do quarto, os dois da cintura pra cima, ela tendo orgasmo e desabando do lado. Todos estes planos (e os seguintes) com 2 kW de luz e poucas variações de posição. Já eram 12:20 quando passamos pro plano 4, close do Herói "Tava bom?" e pan até a Cláudia "tri-bom!". Cinco vezes: o primeiro foi interrompido, no segundo alguém errou a fala, no quarto a luz piscou. E o plano 5, papo dos dois até o final. Duas vezes, apesar da extensão do plano, talvez em conseqüência de que a gente realmente tava economizando demais até aqui. Eram 12:40 quando voltamos pra cena 28/36, agora pra fazer os planos do quarto. Mas aí pintou meia hora de discussão a respeito de como fazer a iluminação da cena: se fosse igual à cena da trepada, filmada anteriormente, e que se passa de noite, não ia dar idéia de que é de manhã. Se fosse como o Roberto sugeriu, começando no escuro e mostrando o Werner acendendo a luz, ficaria meio absurdo: pra que acender a luz, se a guria tava dormindo? Pior: pra que manter a luz acesa mesmo depois que ela deixou claro que queria continuar dormindo? A essa altura, ninguém acreditava mais nos filtros do Alex, que, usados em situações anteriores, não fizeram absolutamente nenhuma diferença - possivelmente em função da má qualidade da película. O Roberto dizia que dava pra filmar com a luz que tinha, o Alex queria aumentar a entrada de luz usando os rebatedores de papel laminado. pra filmar sem luz artificial, tinha que abrir a cortina da janela, deixando o Werner e a Cleide, nus e já visivelmente pouco à vontade, expostos aos olhares curiosos dos vizinhos da Soraia. A essa altura, pintaram como claros os efeitos negativos de filmar "a fu" quatro dias seguidos. O tempo passava, tava marcada edição do "B de Brasil" pra tarde (14:00) e nada de pintar uma solução. A casa já era uma esculhambação só, a Soraia tinha ido embora e as outras moradoras começavam a chegar, apavoradas. O Carlos saiu do quarto e disse pra equipe decidir como seria iluminada a cena. O Alex quebrou uma garrafa de coca litro ao arrumar os seus rebatedores. Eu fui tirar do lugar uns posters e terminei rasgando um deles. O Fernando, sabiamente, batia uma foto de cena e ia dormir até o próximo plano a ser feito. Foi aí que o Roberto assumiu a responsabilidade: "Vamos filmar assim mesmo que eu garanto." Não sei se vai dar certo, mas foi ótimo ele ter feito isso. Primeiro o plano, Herói acordando. Duas vezes, a primeira foi interrompida. Aí, o Carlos apelou: como já eram 13:20, transformou os planos 3, 4 e 5 num só plano-seqüência, mostrando o Herói entrando em quadro com a bandeja, acordando Cláudia, esta dizendo que prefere ficar dormindo e por fim o Herói resolvendo comer as torradas que havia feito pra ela. Plano 8, Herói chegando no quarto e vendo que a Cláudia continua dormindo. Duas vezes, não lembro por quê. Plano 9, Cláudia dormindo. Duas vezes, com fotometragens diferentes. Plano 14, Cláudia dormindo, virada pro outro lado. Duas vezes, fotometragens. Plano 19, ainda a Cláudia dormindo, mas com o bilhete do lado. Três vezes: a segunda ficou curta, as outras duas variando a fotometragem. Por último, o plano 18, mão do Herói colocando o bilhete em quadro, tempo pra leitura. Fizemos quatro vezes, pra acabar todos os rolinhos que tinham ficado pela metade. Os dois primeiros em tele, sem variar nada. Os dois últimos em macro, mas o terceiro ficou curto demais - e talvez o quarto também. Acabamos as filmagens às 13:48, completamente cansados. Arrumamos tudo em 15 minutos, meio nas-coxas (coitada da Soraia!) e eu e o Carlos fomos correndo pra TV Bandeirantes, sem almoçar e sem largar o material na minha casa. Aleluia! Acabamos a edição do "B de Brasil", agora só falta alguns reforços de áudio. Pro centro, almoçamos, compramos novos rolinhos, deixamos os filmados no Curt, etc. À noite, ensaio do "Quizumba". Resumo do dia: ROLO 78: (cont) (28/36) 11/13, 16, 6/7A. ROLO 81: (28/36) 10, 12A (interpretação), 12B, 15/17A (tempo), 15/17B, 6/7B (alternativo), 2. (26) 1, 2. ROLO 82: (26) 3, 4A (interrompido), 4B (fala errada), 4C, 4D (luz piscou), 4E. (28/36) 1A (interrompido). ROLO 83: (26) 5A, 5B. (28/36) 1A (interrompido), 1B, 18C (macro - curto), 18D (macro). ROLO 84: (26) 3/4/5, 8A, 8B, 9A (luz), 9B, 14A (luz), 14B, 19A (luz), 19B (curto), 19C, 18A (tele). FITA III/DIAL: (26) 4A, 4B, 4C, 4D, 4E, 5A, 5B. (28/36) 3/4/5. *** 12/10 ter 10:00 Ensaio da cena 79 (Milton x Mariana) na Cabral, com Marco e Luciene, mais Carlos e Fernando. Eu, pra variar, não pude assistir ao ensaio, porque tava terminando de datilografar o "Quizumba". Diz o Carlos que foi bom. De tarde teve o churrasco do Pedro, lá no Clube dos Engenheiros, mas eu fui no aniversário do vô, outro churrasco. Cheguei lá só pra jogar futebol, pouco antes da chuva. Não teve gravação do "Quizumba" à noite. Voltei no vô. Mas não consegui levar ele e a vó pra assistirem ao "Superman". A reunião (que tava marcada pra tarde, na casa do Carlos) de decupagem e produção de todas as cenas no apê do Herói - não saiu. Com isso, ficou desmarcada a filmagem de amanhã. Ótimo. No ritmo que tava indo, a próxima filmagem ia ser uma briga coletiva entre equipe e elenco, ninguém ia se entender. *** 13/10 qua 14:30 Dormi a manhã inteira. De tarde, começamos a decupar e produzir as cenas do apê do Herói. Mas a reunião (na casa do Carlos) rendeu muito pouco: eu, Carlos, Martinha, Alex e Fernando só conseguimos terminar as cenas 3/4/5. Não deu nem pra pensar direito nas outras. Pontes desmarcadas, também não vai sair a filmagem do mendigo amanhã. À noite teve gravação do "Quizumba" - uma merda, ninguém tava a fim de fazer. Pelo menos, não acabou muito tarde. *** 14/10 qui 14:30 De novo dormi a manhã inteira. À tarde, outra reunião de decupagem/ produção no Carlos. Agora só eu, o Carlos e a Martinha. Fechamos a cena 15, as cenas 43/45/47 e as cenas 54/69. Agora só falta o final. Mas podia ter rendido mais. Pedrinho voltou pro Rio. Pessoal do "Urano" conseguiu um videocassete pra ensaiar. Vende-se Sonhos resolveu não gravar mais nenhum "Quizumba" até o Cio da Terra. Brasil ganhou do Japão por 3x0 no vôlei. *** 15/10 sex 14:00 Sessão de rolinhos na Cabral. E 12 rolinhos novos: há tempo não tinha uma sessão tão grande assim. No geral, o seguinte: o Ektachrome é definitivamente menos ruim que o 3M, o qual só rende legal quando há muita luz. A refilmagem da cena 57 (chocolate quente) ficou com a luz legal, mas o movimento de câmara não ficou bom. O mais provável é que a gente use a alternativa da câmara parada. Em todo caso, morreu a cena 57. A cena 37 (imobiliária - telefonema) ficou com algumas sombras esquisitas, principalmente no plano em que aparece o chefe. Por outro lado, o plano em que aparecem as colegas (Marione, Denise) ficou legal. Morreu a cena 37, ou melhor: ainda falta o plano 4 (relógio de parede marcando 6:10). A cena 46 (imobiliária - Fat city) não tinha mistério. E ficou legal, sem problemas. Falta filmar o resto da cena, com os críticos. Na cena 25, um problema de foco: no plano 1/2/3, o Herói entra, vê os friends, senta entre Júlio e Milton, os dois falam. No início, enquanto o Herói tá só olhando, tudo bem. Mas, quando ele senta, e durante o papo, a impressão é terrível. Outro detalhe: no início do plano, a Cleide aparece dando uma abanada que não tem nada a ver com a cena. O resto, legal. Mas ainda temos que pensar muito bem: acho provável que a gente tenha que refilmar isso. Na cena 39/42 (Siqueira Campos), outro problema: o plano 36 da cena 42 (fade out) não ficou legal. Apesar de filmado quatro vezes, com quatro fotometragens diferentes, em todas as opções o rosto do Werner ficou subexposto. O contraluz era muito forte mesmo. A solução que pintou foi a óbvia: montar a cena sem este plano, terminando na terceira vez em que aparecem os tortos. Solução aceita, refilmagem fora de cogitação, morreu a seqüência da Siqueira Campos (cenas 39 e 42). ***** O "Diário de filmagem" termina aqui, no dia 15 de outubro de 1982. Mas a produção ainda estava longe de ser concluída. A próxima filmagem aconteceria a 20 de outubro, que foi provavelmente o dia mais intenso de toda a produção: deve ter dado tanto trabalho que foi impossível reconstituir depois. Encontrei na minha agenda, nos dias 21, 25 e 27 de outubro, depois dias 6 e 26 novembro, e ainda no dia 4 de dezembro, uma anotação repetida, cada vez com mais ênfase: "Atualizar diário de filmagem" - mas ela nunca foi cumprida. Lendo o que ficou na agenda, dá pra imaginar por quê: o final do ano foi bem confuso, misturando vários projetos e compromissos (meus e da equipe e elenco) ao mesmo tempo, como por exemplo: temporada do "Priscas Eras" no Renascença, a partir de 29 de outubro; Cio da Terra, com sessão do "Deu pra ti anos 70" e pré-estreia do "Trenaflor", de 29 de outubro a 1° de novembro; ensaios gerais do "Trenaflor", a partir de 24 de outubro (a estreia em Porto Alegre tava marcada pra 23 de novembro, mas acabou ficando pra 1983); produção do institucional sobre gás de carvão que eu fiz com o João Guilherme pra CRN, com filmagens a partir de 16 de novembro, montagem de 2 a 20 de dezembro e entrega da cópia final em 3 de janeiro; pré-produção de "O corcundinha", filme do Alex e do Chico Zorzo que não saiu, mas que foi orçado em novembro e chegou a ter ensaios em dezembro; filmagens de "O dia que Urano entrou em Escorpião", de 6 a 11 de dezembro; estreia do "B de Brasil" no Plenarinho da Assembleia, em 8 de dezembro; negociação pra exibição do "No amor" pela Lei do Curta (25 de dezembro em Santa Maria e Caxias, 14 de janeiro em Porto Alegre)... O que vem a seguir foi reconstituído a partir das minhas anotações diretas no roteiro, e também das minhas agendas de 1982 e 1983. *** 20/10 qua 13:00 Cenas do apê do Herói (no apartamento do Gerbase, na Cristóvão Colombo 2001 ap 204). Segundo as anotações no roteiro, a primeira tomada foi rodada às 14:53; a última, já à 1:43 da madrugada seguinte. 9 rolos utilizados: 85 a 93. Cena 74/75/76 (Herói em casa, antes do encontro marcado, em que Mariana seria apresentada aos amigos dele). Cenas 78, 80, 81, 83, 85 (Herói imaginando o encontro). Cena 87 (Herói desistindo do encontro). Cena 89/90/91 (Manhã seguinte, Herói sozinho em casa). Cenas 43, 45, 47 (Herói em casa, pensando nos seus colegas de trabalho e tentando escrever). Cena 54 e 69 (Herói escreve para Isabel, e lembra de Montevidéu). Cena 15 (Herói comendo sozinho em casa; insert pra cena do almoço dele com os pais). Cena 3/4/5 (Herói no banho, vizinha reclamando do som), parte "imaginária" do rock'n'roll, planos 15 a 18. *** *** 06/11 sab 8:30 Ainda as cenas do apê do Herói, mas agora com Mariana, e mais algumas coisas que tinham faltado dele sozinho. Filmagens efetivas foram das 10:06 às 15:52. Utilizamos os rolos 94 a 97 (sendo que do último sobraram 25 pés). Cena 70 (desenhos japoneses). Plano 4 da cena 37 (detalhe do relógio de parede da imobiliária). Cena 3/4/5 (Herói no banho, vizinha reclamando do som), parte "real", ainda sem a vizinha, planos 1 a 7, 9, 10, 12 a 14, 19. *** 07/11 dom 9:00 Cenas do apartamento de Lúcia. Filmagens (efetivas) foram das 10:29 às 14:19. 4 rolos utilizados: 98 a 101. Cena 49 (Herói acompanhando Lúcia e pensando em voz sobreposta). Cenas 77 e 79 (Milton dando em cima de Mariana). Cena 84 (Amigos reunidos, sem o Herói, "Se não me engano, tá faltando alguém"). *** 09/11 ter 14:00 Cena 46 (imobiliária), planos isolados dos colegas de trabalho do Herói, interpretados pelos críticos de cinema de Porto Alegre: (na MPM) - plano 9, Tuio, duas tomadas, às 14:38 e 14:39; - plano 2, Goida, duas tomadas, às 14:55 e 14:57; (na Caldas Júnior) - plano 5, Gastal, duas tomadas, às 17:51 e 17:53; - plano 4, Hohlfeldt, duas tomadas, às 18:03 e 18:06; - plano 7, Stigger, duas tomadas, às 18:15 e 18:16. Tudo somado, não chegou a dar um rolo: final do rolo 97, início do 102 (sobraram 35 pés). Ficaram faltando os planos 3 (Cozzatti), 6 (Hélio) e 8 (Merten). *** 12/11 sex 13:30 Refilmagens no apê do Herói, planos que tinham ficado com problema de foco. Final do rolo 102 e todo o 103. - plano 1 da cena 80 (com Mariana); - plano 1 da cena 81 (Herói sozinho, no mesmo lugar); - plano 2 da cena 83 (Herói tentando ler); - plano 3 da cena 85 (Herói pegando no sono). *** 25/11 qui 9:30 Filmagem Hélio Nascimento (plano 6 da cena 46). *** 26/11 sex 19:30 Na Zero Hora: filmagem Merten (plano 8 da cena 46) *** 27/11 sab 13:30 Filmagem Cozzatti na casa dele (plano 3 da cena 46). Essas três filmagens (dos dias 25, 26 e 27) devem ter sido feitas no rolo 104, do qual faltam anotações. *** 23/12 qui 13:00 Cena 14-16, almoço na casa dos pais, com Werner, Bira Vieira e Araci Esteves. Filmada no apartamento da Laidinha (mãe da Martinha), na Félix da Cunha. (O ensaio, no dia anterior às 19h, foi na casa do "Carioca" Osvaldo Perrenoud, na Sofia Veloso.) 26 planos, 34 tomadas. Filmagens efetivas foram das 15:29 às 17:47. Usamos 4 rolos: números 105 a 108. *** 27/12 seg 8:30 Cena 3/4/5 (Herói no banho, vizinha reclamando do som), só os planos 8 e 11, com a vizinha (Ângela Gonzaga). Pelo jeito foi bem rápida, porque (segundo a agenda) às 10:30 eu já estava filmando, quadro-a-quadro, o sincronizador que nós usamos pra montar as cenas 1 e 2, com a música do Vivaldi. *** 05/01 qua 18:00 Refilmagem integral das cenas do apartamento dos amigos (cenas 25, 27 e 38, que tinham sido filmadas lá em 10/10), inclusive com nova decupagem: o Herói com seus amigos, o "Lobo da estepe" e "Quero mais é o Warren Beatty na minha cama". 33 planos, 50 tomadas. Filmagens efetivas das 19:26 às 22:26. 5 rolos utilizados, números 109 a 113. Depois ainda terminamos de filmar o sincronizador, e filmamos os cartões com os dias da semana. Esta foi a última filmagem com atores (dia 23 de janeiro ainda filmamos os créditos desenhados pelo Aníbal Bendatti); a montagem já tinha começado em em 27 de novembro; as dublagens, no estúdio da PUC, foram de 17 a 28 de janeiro. ***** ANOTAÇÕES DE MONTAGEM 27/11 sab 9:30 - Ponte na mãe do Carlos: início da montagem do INVERNO (cenas 3 a 9). 28/11 dom 9:00 - cenas 10 a 13. 29/11 seg tarde - cena 17. 30/11 ter 14:00 - cena 19. 01/12 qua (só Carlos) - cena 20. 04/12 sab (só Carlos) - cena 21. 07/12 ter (só Carlos) - cenas 21B a 24. 08/12 qua tarde - cenas 25 a 27. 09/12 qui tarde - cenas 28 a 38. 12/12 dom 9:00 - cenas 39 e 40. 13/12 seg 10:00 - cenas 42, 43, 45, 47, 48 e 49. 14/12 ter 14:30 - cenas 50 a 53. 15/12 qua 16:00 - cenas 54 a 68. 16/12 qui 15:30 - cenas 69 a 71. 17/12 sex 15:00 - cenas 73 a 81. 18/12 sab tarde - revisão geral dos rolos 1, 2 e 3. 19/12 dom 14:30 - cenas 82 a 95, revisão do rolo 4. 21/12 ter 16:00 - remontagem cena 70, redistribuição dos rolos, seleção de material das cenas 1-2 e 44. 26/12 dom noite - revisão geral da montagem, anotando correções. 27/12 seg tarde - correções de montagem. 28/12 ter tarde - "decupagem sonora". 29/12 qua tarde - "decupagem sonora". 03/01 seg tarde - cenas 14-16, final da 3-4-5. 07/01 sex tarde - cena 1-2. 08/01 sab manhã e tarde - cena 1-2. 09/01 dom tarde - cena 1-2. 10/01 seg 15:00 - cenas 4, 44-46. 11/01 ter tarde e noite - cenas 25-27 e 38; transcrição de som-guia. 12/01 qua tarde e noite - revisão geral da montagem; transcrição de som-guia. 14/01 sex tarde - conferindo diálogos do rolo 1. 15/01 sab - conferindo diálogos dos rolos 2 (manhã), 3 e 4 (tarde); madrugada datilografando roteiro de diálogos. 16/01 dom - terminando roteiro de diálogos. ***** ANOTAÇÕES DE DUBLAGEM (no estúdio de som da PUC) 17/01 seg Manhã: cenas 02 e 49 (Werner) Tarde: desmarcada (Bira não pode) 18/01 ter Manhã: cenas 42a, 48 e 51 (Werner e Luciene) Tarde: cenas 71 e 33 (Werner e Martinha), 37 e 03 (Werner, Giba e Luciana) 19/01 qua Manhã: cenas 10, 11, 12 e 13 (Werner e Sérgio) Tarde: desmarcada (Luciene não pode) 20/01 qui Manhã: cena 09 (Werner e Luciene), cenas 80 e 82 (Luciene) Tarde: cenas 14 e 16 (Werner, Araci e Bira) 21/01 sex Manhã: cenas 17 e 06 (Werner e Luciene) Tarde: cenas 26 e 30 (Werner e Cleide) 24/01 seg Manhã: cenas 21B, 22, 23 (Werner e Luciene) Tarde: cenas 23A e 24 (Werner e Luciene) 25/01 ter Manhã: revisão urgente do projetor Tarde: cenas 42b (Werner, Cleide, Marco, Martinha), 84 (Martinha e Grübber), 25 (Werner, Angel, Marco, Cleide, Grübber, Ivonete, Martinha), 38 (vozerio), 27 (Werner, Angel, Marco, Cleide, Ivonete) 26/01 qua Manhã: cenas 86 (Martinha e Luciene) e 79 (Marco e Luciene) Tarde: cena 50 (Werner e Luciene) 27/01 qui Manhã: revisão do projetor Tarde: cena 70 (Werner e Luciene) 28/01 sex Manhã: ajuste de velocidade do projetor Tarde: cenas 54-67 (Werner), 94-95 (Werner) *** ANOTAÇÕES DE FINALIZAÇÃO 29/01 sab - ouvindo fitas/ atualizando roteiro de transcrição. 30/01 dom noite - ajustando lista de ruídos. 31/01 seg - gravação de ruídos na PUC: rolos 1 (manhã) e 2 (tarde). 01/02 ter - gravação de ruídos na PUC: rolos 3 (manhã) e 4 (tarde); enviar filme pra colocação de banda sonora. 06/02 dom noite - gravação de ambientes. 07/02 seg - gravação de ambientes que faltavam (tarde); roteiro de som (noite). 08/02 ter - montagem de equipamento de mixagem na PUC (manhã); testes de som (tarde). 09/02 qua - de manhã, mais uma revisão do projetor, na Otofenic; de tarde, começamos a "transcrição de som" (mixagem), só o começo do rolo 1. 10/02 qui manhã - mixagem, até o fim do rolo 1. 11/02 sex - mixagem (rolo 2 e metade do 3). 12/02 sab - mixagem (final do rolo 3, rolo 4); o dia inteiro, das 9h30 atá as 7h de domingo. 13/02 dom 20:00 no Carlos: primeira sessão do INVERNO. *** E foi assim que o filme ficou pronto, no dia 13 de fevereiro, domingo de Carnaval de 1983. E nem deu tempo pra festejar: no dia seguinte, segunda-feira, às 20h30, eu e Gerbase (e mais boa parte da equipe) estávamos no Zaffari da Fernando Machado, começando as filmagens do nosso primeiro filme em 35mm, o curta-metragem "Interlúdio".